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terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

M.

Foi um ano "estranho".
Sim, esta palavra é a que melhor define os 10 meses que a M. passou na nossa casa.

Os primeiros dias e meses foram de "encanto", tudo era novidade, tudo era desculpado pela não-adaptação dela e nossa, a dificuldade na linguagem.
Depois vieram os dias difíceis, a casmurrice dela e minha, as brigas, as chatices.
Depois vieram os dias muito difíceis. A falta de paciência de parte a parte, a contagem decrescente para o dia da partida que nunca mais chegava.
Chegou esse dia e... veio um certo alívio. Recuperámos o nosso espaço, a nossa familia, os nossos ritmos de sempre.
Mas o alívio passou, e dei por mim, por nós, muitas vezes a pensar e a comentar: se a nossa M. estivesse aqui, ou a M. é que ia gostar disto, ou ainda a M. nunca veio aqui. Sim, vieram as saudades daquela ruiva estranha, esquisita com a comida mas que sempre provou tudo e que sempre comeu tudo o que lhe dissemos que tinha de comer. Que não sabia pegar numa esfregona ou num pano da loiça ou descascar uma batata, mas que saiu daqui a saber fazer tudo em casa. Da norueguesa que em 10 meses aprendeu de raiz um português quase perfeito.

A M. perguntou-nos no mês passado, via skype, se podia vir cá de férias no carnaval.
Se podes? Mas isso pergunta-se???

Ela chega dia 4, e cá por casa já contamos os dias que faltam. Já fazemos planos para quando ela vier. Até o A. aceitou com alegria (muita) adiar uma semana a festa de anos para ela poder estar presente!

Confesso. Eu, S "casca de carvalho", tenho saudades da minha filha mais velha.



E sim, a AFS tem razão quando diz que esta "é uma experiência para a vida". Ganhámos de facto um ano cheio de experiências que nenhum de nós os 5 vai esquecer, e uma familia alargada que ficará para sempre.
(ah, e a familia dela vem cá toda no verão. Aí é que vai ser bonito... uma casa cheia de noruegueses)

sexta-feira, 26 de março de 2010

M., ou como eu me tornei mais tolerante em 6 meses

As ultimas semanas com a M. não têm sido fáceis.
Sinto-me como numa espécie de BigBrother, em que nos primeiros dias se faz um esforço comum por agradar, mas à medida que se esquecem da presença das cameras, vão deixando cair a "pintura".
Sim, a minha paciência vai sendo pouca, e os limites da tolerância são cada vez menores. Mas que ninguém se iluda, sou hoje mais tolerante do que era há 6 meses atrás. Pelo menos não expludo no primeiro ímpeto...

À pergunta que me é recorrentemente feita sobre se estou arrependida de me ter metido nisto ou não, a resposta é Não.
À pergunta sobre se me vou meter noutra um destes dias, digo, Talvez, mas daqui por uns anos.

Não estou arrependida, e gosto da miúda.
Simplesmente é uma questão de feitios, de hábitos e de maturidade. Nem sequer é uma questão de diferenças culturais, porque o que mais me irrita nela não tem tanto a ver com a cultura do país propriamente dito, mas com a sua personalidade (fraca...) e com a falta de preparação que uma jovem de 17 anos tem para a vida.

A M. é educada e simpática. Nesses campos, não tenho qualquer questão a apontar-lhe.
Acata genericamente bem o que lhe dizemos, e quando contesta fá-lo de forma educada, embora geralmente sem argumentos muito pensados, nem sempre válidos e completamente desadequados ao que se esperaria de alguém com a sua idade.

Mas tem laivos de uma coisa que eu definiria como "maníaco-depressiva", pois quando encasqueta uma coisa na cabeça, nada a demove de tal. E faz isto principalmente com a comida, que é uma coisa onde eu não dou qualquer margem para brincadeira lá em casa. A ninguém.

Por exemplo ela diz que não gosta de tomate.
Eu aceitava, não fosse ela adorar sopa de tomate, molho de tomate na pizza e na carne e arroz de tomate.

No outro dia num restaurante, quis comer uma omelete de queijo. Comeu, mas deixou no prato uma fatia de queijo. Dizia ela que não gostava de comer o queijo assim, só na omelete. Mas os pequenos almoços dela são invariavelmente fatias de pão com bocados de queijo em cima.

Aliás esta é outra das suas características que me leva ao rubro. Quando descobre uma coisa de que gosta, apenas come daquilo. Esteve semanas a comer cerelac. E tive de deixar de comprar para ela se convencer.

E tantos, tantos outros exemplos...

Outra das coisas que me faz muita confusão é a falta de sociabilidade dela.
Após 6 meses de aulas, não tem amigos. Quer dizer, fala com alguns colegas de escola, mas não tem amigos, daqueles que vão ao cinema, que vão beber um café ao fim de semana.
Quando vamos a algum lado em familia, ela coloca-se sempre atrás de nós, tipo cachorro abandonado. Se vamos ao café, põe-se ao balcão à espera que eu ou o Z. lhe perguntemos se quer alguma coisa, ou fica a olhar para os empregados à espera que lhe perguntem o que quer pedir. Quando alguém pergunta, baixa os olhos, entrelaça as mãos uma na outra (tipo autista quase), e responde num tom de voz muito baixinho, obrigando-nos quase sempre a pedir-lhe para repetir.
Ao fim de 6 meses, não é capaz de entrar numa loja lá onde moramos e pedir que lhe mostrem alguma coisa.

Ora, e eu que estou longe de ser uma super-mãe mas que educo os meus filhos para serem autónomos, que os ensino a falar com as pessoas, a respeitarem a comida que têm na mesa e a comerem de tudo, faz-me muita confusão.
E claro está que tem gerado algumas conversas mais acesas, inclusive com o Z., que é o oposto de mim: ponderado e cuidadoso, e a quem ela faz também saltar a tampa com relativa facilidade.
Por exemplo com tudo o que envolva dinheiro.
Não vou agora dissertar aqui sobre isso, mas tenho a certeza que ela pensava que lá em casa nós éramos ricos. Tirei-lhe isso da cabeça este fim de semana, depois de mais umas brigas.

E isto, são só alguns exemplos...

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

solidariedade

Faz hoje 9 dias que ocorreu o sismo no Haiti.

Ouve-se falar disso em todos os noticiários, em todos os jornais, na internet, as conversas no café, onde quer que se juntem 2 pessoas... Cá em casa temos por hábito jantar às 20h00, e temos a tv da cozinha acesa para vermos as notícias.

Isto tudo para dizer que, por muito que alguém quisesse, não conseguia escapar à notícia.

...


Na passada 3ª feira (1 semana após a catástrofe, portanto), a Lady resolveu perguntar:

"o que aconteceu, porque é que chamam àquilo catástrofe? Porque estão sempre a mostrar aquilo?"


Até o A. ficou admirado com a pergunta. Sem perceber de início se ela estava a perguntar aquilo a sério ou se estava a brincar - brincadeira de muito mau gosto mas enfim, eu ainda me atrevi: "tás a gozar comigo, não estás?"

Não estava.

"Ó M., mas tu não prestas atenção ao que se está a passar à tua volta? Temos a tv ligada em todos os telejornais, só se fala nisso, e tu perguntas porque é que chamam catástrofe a um sismo daqueles?"

Com o ar mais frio do mundo, ela responde:

"Sim, eu sei que houve um sismo, mas já passou"

...

Claro, quem se passou fui eu, e muito, da cabeça. Como é possível que uma miuda de 17 anos falasse de um sismo daqueles, com a quantidade de mortos, feridos, desalojados, desaparecidos, e tudo o mais que por ali prolifera, com tanto desprendimento e tanta frieza???

Depois de lhe dizer meia dúzia de coisas, larguei o assunto, pois não adiantava muito...

...

Ora, hoje estávamos de novo a ver as tristes novidades sobre o mesmo Haiti, já terminada a refeição mas ainda com toda a familia à mesa. A Lady, de costas para a tv, dá uma espreitadela e comenta, com uma gargalhada: "Que engraçado, vocês estão todos com um ar tão sério a ver aquilo, ah ah ah".

O Z, pessoa de muita calma e paciência, passou-se completamente.

Depois de muita argumentação, de lhe tentarmos explicar a importância da solidariedade, o sentimento de impotência de pessoas como nós, que estão longe, e dos que para lá foram ajudar mas que não têm meios para chegar a todos os haitianos, ela continuava impávida e ainda sem perceber porque é que tanta gente assistia triste ao desenrolar dos acontecimentos, e muito menos porque é que tantas outras pessoas acorreram para lá, estavam a ajudar nas buscas, nos hospitais improvisados, na distribuição de comida.

Sim, um ar de completa admiração pelo nosso sentimento de compaixão, pelo desgosto que sentimos e demonstramos ao ver as terríveis imagens que passavam na tv.

O Z. disse-lhe, que as pessoas gostam de ajudar, que se sentem bem com isso, que sentem natural compaixão por um povo que está a sofrer de uma forma atroz com uma catástrofe natural, que nós portugueses, somos um povo naturalmente solidário. Mas nada...

Ainda disse, com naturalidade "Pois, mas a Noruega é um país rico. Nós temos muito dinheiro, mas não gostamos de dar muito. Eu acho que a Noruega deu dinheiro, mas de certeza que deu pouco dinheiro, porque não gostamos de dar muito do nosso dinheiro. É assim, é a verdade." E ainda achou que se devia justificar: "Mas eu acho que quando eu tiver o meu próprio dinheiro eu vou dar um pouco a quem precisa".

Fiquei tão triste... tão desiludida, tão frustrada...
É-me incompreensível ver como uma rapariga com 17 anos é assim tão... insensível, tão fria, tão desprendida de sentimentos pelo sofrimento alheio.
Pela primeira vez em 4 meses, quase me senti arrependida de a ter acolhido. É mau dizer isto, mas foi o que senti naquela altura. Depois pensei, não será também esta uma oportunidade de lhe mostrar o outro lado? Não estará aqui um pedacinho da minha missão, em tentar mudar um pouquinho desta personalidade egoísta?

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

É Natal

Chegou o Natal.
Cada ano mais diferente, cada ano melhor nuns aspectos, pior noutros.
Tenho tantas saudades dos Natais passados em casa cheia de primos, tios, a familia toda reunida, as correrias pelas prendas, a emoção dos doces, o abrir os presentes, os fritos típicos, o dormir no chão de um quarto cheio, ficar na conversa e brincadeira até tarde.
Este ano foi mais calmo sim. Não tive de fazer de enfermeira, tive ajuda para tudo, partilhámos tarefas. Tivémos o bacalhau com batatas e couve portuguesa, o caldo verde e o lombo recheado. Tivémos a Roupa Velha no dia seguinte, o bolo Rei e a lampreia de ovos.
Temos a M., e como tudo é novo para ela. Tivémos biscoitos ("pequenos bolos" como ela diz) da Noruega, Grot e uma bebida que nem me lembro o nome. Temos o A. que ainda acredita fielmente no Pai Natal, a F. que quer acreditar, tivémos a ida ao 1º andar para vestir pijamas e lavar dentes, e o Pai Natal que gritou nesse tempo e deixou as prendas ao monte junto à árvore. O A. que desceu as escadas a correr e a gritar de contentamento, a F. que vinha logo atrás.
As prendas... as prendas que todos abrimos com maior ou menor surpresa, os Gormittis, a Operação, o perfume, as luvas, a Wii, os jogos da Wii, o DVD, os livros, as roupas, e tudo o mais.
As primeiras brincadeiras com as prendas abertas, montar a Wii, jogar até tarde. Ir dormir sem muita vontade, a excitação de saber que no dia seguinte haveria tanta coisa nova para continuar a brincar...
E no entanto... no entanto continua a faltar-nos tanta coisa.
O Natal que esteve para ser ainda mais preenchido e afinal não foi.
A forma como os adultos continuam a suportar, a esconder, a ocultar sentimentos e revoltas.
Foi um Natal agradável, sim, no entanto. Foi o Natal possível, que continuaremos a construir a cada ano que passa.
Feliz Natal!

terça-feira, 17 de novembro de 2009

vidinha de mãe que só arranja mais lenha para se queimar

Os dias vão correndo, e mal demos conta que já passaram 2 meses desde que a M. chegou.
Sim, de facto parece que sempre cá esteve, não fossem as "pequenas" diferenças culturais entre nós.

Confesso que não sei avaliar bem se essas diferenças se devem aos países, se às familias, se a ela própria. Isto porque muitas vezes ela está a contar-nos alguma coisa que para nós é perfeitamente estranhíssima, e depois remata dizendo "ah... mas isso é na minha casa, mania dos meus pais".
Exemplo? Ok.
Eles têm a mania da comida "de pacote". Chama-se mesmo assim, um bag food é uma saqueta que contém comida. Assim tipo as nossas sopas Knorr, uns spaguettis que é só juntar água e ferver, etc, sabem quais são não sabem? Pronto. Mas eles têm nos supermercados esta comida e a "normal" na proporção inversa ao que nós temos por cá. Ou seja, num escaparate inteiro, eles terão 1/4 de prateleira com comida por fazer (seja esparguete seja arroz por exemplo), e o resto com comida pronta a juntar água e ferver. Até aqui nada de especial, não fosse o facto de terem imensas coisas que nós chamaríamos de sobremesa, e que eles chamam de refeição.
Ora, os pais enviaram-lhe há umas semanas uma caixa cheia de coisas daquelas, para ela matar saudades e para nós provarmos, e ela já fez algumas.
Há então uma dessas coisas (felizmente "só" enviaram 2 pacotes disso), e que se chama Risen Grot, e que ela fez há uns dias. Dizia ela que aquilo era uma refeição quentinha e fantástica, super saborosa e que todas as crianças adoram.
Pois, claro, viu-se logo o porquê de todas as crianças adorarem aquilo. Era realmente muito bom, e por cá gostámos muito.
Afinal o que era, perguntarão vocês? Na nossa terra, aquilo chama-se de Arroz Doce!!! Assim mesmo, um pacote a que se juntou leite e foi ao lume por 10 minutos após deitar fervura, de onde surgiram bagos de arroz, ficou cremoso, e no final coloca-se nos pratos, cobre-se de açúcar e canela e come-se assim, quentinho, docinho, para o jantar!
Outra coisa que me tem feito confusão e que está a ser menos fácil de entrar nos eixos é a higiene.
Tomar banho é coisa que ela faz nos dias em que tem ginástica na escola, e uma ou duas vezes cá em casa. Eu andava a evitar de a mandar tomar mais banhos - embora depois de um dia de ginástica, de andar a pé pela vila, de uma aula de sevilhanas e de outra de ballet, e ela sem querer tomar uma banhoca, tive de a obrigar.
Ainda este sábado, quando às 22h pediu para ir ao café com amigos, assim que dissémos que podia ir, saltou para dentro da banheira. Pois com o A. a dormir no quarto ao lado...
Claro que tive de lhe chamar a atenção, pois aquela hora, e antes de uma saída à noite, não me pareceu nada normal, ainda para mais quem não tomava banho há uns 4 dias. Quando lhe perguntei porque o tinha feito, disse que se sentia suja. "e se tivesses ficado em casa, ias dormir assim?"
...
Olhou para mim com cara de daaaah, claro!
Não vou detalhar o resto da conversa, mas não foi muito agradável.
Tirando estas coisas - e aqui ficaram apenas 2 exemplosinhos pequeninos, até é uma rapariga porreira e atinada, muito meiga e que acata o que lhe dizemos - mesmo que muitas vezes não concorde e volte depois a fazer nova tentativa (afinal, é uma adolescente). Procura integrar-se, e faz um grande esforço por ser igual a nós.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Perguntam-me com frequência por que carga de água me fui meter nesta aventura de mandar vir uma adolescente de fora.
"Já não te bastam os teus? Então e quem é que a sustenta? E o que ganhas tu com isso?" são as perguntas mais frequentes.
Pois...
Os meus não me bastam? Bastam sim, mas esta é sem sombra de dúvida uma experiência gratificante a vários níveis. Ela dá mais trabalho do que eu julgava, é um facto. Mas isto deve-se a características pessoais dela e da familia verdadeira que nunca a habituou a fazer certas coisas em casa. O certo é que, embora por vezes torça o nariz, ela está a entrar no ritmo e sabe que tem de cumprir as tarefas que lhe forem destinadas pelo Conselho Familiar (entenda-se, eu e o pai). E garanto que está muuuuuuito melhor. E garanto ainda que quando chegar à Noruega vai direitinha que nem um fuso, a conhecer todas as lides domésticas e a ser uma menina muito mais asseadinha e arrumada.
Quem a sustenta são os pais naturais dela, sendo que nós "apenas" damos a alimentação que faz em casa, e as despesas que fizer quando vai connosco a algum sítio - comer fora por exemplo. De resto, não pago mais nada, e nem eu me metia num encargo que não posso suportar.
O que ganha a minha familia com isso? Esta questão é mais aberta, mais subjectiva. Posso afirmar que ganhamos a experiência. Estamos a conhecer uma cultura diferente (se bem que eu acho que ela e a familia dela não são noruegueses típicos, mas isso dá outro post), estamos todos a aprender ou alargar as noções de partilha diária, de tolerância - a vários níveis, nomeadamente a lidar com as diferenças brutais que surgem em coisas tão pequenas e tão naturais para nós. Pessoalmente, estou a antecipar o que poderá surgir assim que os meus filhos chegarem à adolescência, etc.
Aprendi ainda que não sou uma pessoa tão desarrumada nem tão desorganizada como pensava, e estou a aprender a controlar-me muito mais antes de explodir cada vez que tenho de a mandar arrumar ou limpar alguma coisa.
Os miudos, em especial o A. estão a aprender umas palavras em inglês...
Eu estou a revelar-me uma excelente professora de português (e ela ao fim de 2 meses já consegue manter uma conversa básica na nossa língua), e principalmente, a ter a paciência suficiente para o fazer sem me aborrecer.
O certo é que ela já é um de nós, e acho que em Junho a separação não vai ser muito fácil...

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

ah e tal..

aquelas "piadas" sobre os alunos americanos que não sabem que o presunto vem do porco, e que o hamburguer vem (??!!?) da vaca?
ACREDITO piamente agora!
Pois, é que a minha M. até ontem ter ido comigo ao supermercado, nunca tinha visto um frango inteiro.
Não, não estou a brincar.
Parece que lá na terra dela os frangos são vendidos já partidos e embalados, divididos por peito, bifes ou pernas. Sim, porque a coisa mais próxima de frango que ela tinha visto era daquelas pernas que se vendem com a coxa, sabem?
De chorar a rir a cara horrorisada que fez quando me viu pegar no frango inteiro e colocá-lo na panela para fazer canja...

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

ansiedade

Estou presa por 10 meses, a uma nova filha já quase criada, que escolhemos sem conhecer, que nos entrou pela casa e pelos corações.
Uma adolescente que se tem mostrado aos poucos, que tem conquistado o seu espaço na familia, na escola, nesta terra pequena.
Ainda não fez bem três semanas que cá está, e assim de repente (para mim pelo menos), já foi convidada para uma festa de anos (na próxima semana), e para um concerto (hoje).
Confesso... eu não estava preparada para ser assim de repente mãe de uma adolescente.
Mea culpa...
Mas as coisas, as dúvidas, tudo se tem levado bem, no diálogo.
Mas...
Não sei, de facto eu não estava assim tão preparada para certas questões nesta altura. Acho que é daquelas coisas que vamos aprendendo com o passar do tempo e com o crescimento deles. Certo? Pois eu não tenho tempo para isso.
Tenho de ter as respostas agora, no momento e na altura em que as perguntas forem surgindo. Pois, a M. está cá connosco e precisa disso, precisa que eu seja a mãe dela, que a oriente e que a ajude a vingar por cá.
Ok.
Mas, no meio disto tudo, afinal que horas lhe colocamos para regressar a casa depois de uma festa?
aaaaaaaaaaaah
Foi esta a dúvida que me atormentou a semana toda.
Conversadas as coisas entre mim e o pai, lá acordámos que nesta primeira saída, as 0h30 ficavam bem. Nem nuito cedo, nem muito tarde. Na próxima logo se vê (para a semana já).
Ficou meio tristonha, mas lá concordou que, para quem a acabou de conhecer, para ela que ainda nem sabe voltar para casa sozinha, para os colegas que mal conseguem comunicar com ela, a hora até era bem razoável. Na próxima logo se vê (para a semana já).
Nem 10 minutos depois de terem saído de casa (pois, que as amigas vieram cá buscá-la, e sempre aproveitei para as conhecer, para fazer umas perguntinhas e para sacar números de telefone), já me estava a ligar.
"Ah, e tal, os pais da S. e da D. vêm buscá-las à 1h00"
(que bom para elas pensei...) "Ai sim? E...?"
"Pois, elas vão embora à 1h00"
"Ai vêm?"
"sim, à 1h00. Será que eu posso...?"
"Sim, por meia hora podes ficar até à 1h00"
"OBRIGADAAA"
Pois, estarei eu a amolecer? Sim, se calhar a idade está a pregar-me esta partida. Mas de facto, entre a 0h30 e a 1h0, meia horita não me faz diferença, e eu sei que os adolescentes não gostam de se vir embora antes dos outros, muito menos a M. que já se diferencia bastante deles.
Deixei.
...
Agora, tenho estado aqui a pensar.
É assim nervosinhos que os pais se sentem quando os filhos saem à noite?
É por causa deste remoinho esquisito na barriga e no coração que ficam acordados até eles chegarem a casa?
Lá está a tal coisa... só damos valor às coisas depois de passarmos por elas.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

diferenças... de temperatura

As temperaturas têm andado baixitas (para nós, claro), aí pelos 20/23ºC, e principalmente à noite a coisa tem arrefecido bastante.
Pois, mas para a nossa M. estão fantásticas temperaturas de verão, e a piscina andava-lhe atravessada no goto.
Ontem não deu para aguentar, e o pai lá tirou a capa, aspirou o fundo e colocou a escada.
Como seria de esperar, o A. vestiu os calções de banho, pôs as braçadeiras, mas o máximo até onde foi foi o 1º degrau da escada.
A F. lá se convenceu e, animada pela nova companheira, entrou (embora encolhida de frio).
A M.... essa estava nas suas sete quintas, encantada pela fantástica água que ali a acolhia.
(pois, o termómetro que temos lá dentro da piscina marcava 16ºC, apenas metade daquilo a que estamos habituados em pleno verão)

uma semana de M.

Esta realmente é uma experiência que marca uma vida...
Aliás, marca a vida de todos nós, os 5, lá em casa.

Após uma semana, já estamos todos mais à vontade uns com os outros, as conversas fluem com mais facilidade e mais naturalidade, e vamos aprendendo imensas coisas a cada dia que passa.
Não aprendemos apenas sobre o seu país e sobre a sua diferente forma de estar e de fazer as coisas, nada disso. Eu tenho aprendido imenso sobre tolerância, sobre mim e como explicar certas coisas que para nós portugueses são tão "básicas", mas que para uma pessoa de fora são tão estranhas e tão diferentes.
E sim, tenho dado por mim tantas vezes a pensar no porquê de certas coisas que, de facto, se pararmos um pouquinho são mesmo muito questionáveis.