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terça-feira, 26 de julho de 2011

...

Sem comentar o facto do atentado em si (que é para lá de horrendo), tinham eles chegado há pouco tempo quando ouvimos as notícias sobre os atentados na Noruega.

E não é que pela primeira vez vi nos olhos deles um pingo de emoção por algo que aconteceu a outras pessoas que não eles?




segunda-feira, 25 de julho de 2011

fds Noruega em Portugal

Eu queria escrever sobre o fim de semana (que acabou de acabar), mas nem sei por onde começar.

Foi diferente, intenso, andámos a pé com'ó caraças, comemos muito, bebemos muito, bebemos ainda mais, rimos muito, falámos muito e em muitas linguas ao mesmo tempo, bebemos muito, comemos muito, vimos muitos monumentos e muitas pedras*, andámos mesmo muito, eles apanharam vários escaldões e gostaram.

E no fim ficou a certeza de que realmente temos uma familia no país dos bacalhaus.




Ah, e já disse que comemos muito e bebemos muito?


*cromeleques e menires

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

solidariedade

Faz hoje 9 dias que ocorreu o sismo no Haiti.

Ouve-se falar disso em todos os noticiários, em todos os jornais, na internet, as conversas no café, onde quer que se juntem 2 pessoas... Cá em casa temos por hábito jantar às 20h00, e temos a tv da cozinha acesa para vermos as notícias.

Isto tudo para dizer que, por muito que alguém quisesse, não conseguia escapar à notícia.

...


Na passada 3ª feira (1 semana após a catástrofe, portanto), a Lady resolveu perguntar:

"o que aconteceu, porque é que chamam àquilo catástrofe? Porque estão sempre a mostrar aquilo?"


Até o A. ficou admirado com a pergunta. Sem perceber de início se ela estava a perguntar aquilo a sério ou se estava a brincar - brincadeira de muito mau gosto mas enfim, eu ainda me atrevi: "tás a gozar comigo, não estás?"

Não estava.

"Ó M., mas tu não prestas atenção ao que se está a passar à tua volta? Temos a tv ligada em todos os telejornais, só se fala nisso, e tu perguntas porque é que chamam catástrofe a um sismo daqueles?"

Com o ar mais frio do mundo, ela responde:

"Sim, eu sei que houve um sismo, mas já passou"

...

Claro, quem se passou fui eu, e muito, da cabeça. Como é possível que uma miuda de 17 anos falasse de um sismo daqueles, com a quantidade de mortos, feridos, desalojados, desaparecidos, e tudo o mais que por ali prolifera, com tanto desprendimento e tanta frieza???

Depois de lhe dizer meia dúzia de coisas, larguei o assunto, pois não adiantava muito...

...

Ora, hoje estávamos de novo a ver as tristes novidades sobre o mesmo Haiti, já terminada a refeição mas ainda com toda a familia à mesa. A Lady, de costas para a tv, dá uma espreitadela e comenta, com uma gargalhada: "Que engraçado, vocês estão todos com um ar tão sério a ver aquilo, ah ah ah".

O Z, pessoa de muita calma e paciência, passou-se completamente.

Depois de muita argumentação, de lhe tentarmos explicar a importância da solidariedade, o sentimento de impotência de pessoas como nós, que estão longe, e dos que para lá foram ajudar mas que não têm meios para chegar a todos os haitianos, ela continuava impávida e ainda sem perceber porque é que tanta gente assistia triste ao desenrolar dos acontecimentos, e muito menos porque é que tantas outras pessoas acorreram para lá, estavam a ajudar nas buscas, nos hospitais improvisados, na distribuição de comida.

Sim, um ar de completa admiração pelo nosso sentimento de compaixão, pelo desgosto que sentimos e demonstramos ao ver as terríveis imagens que passavam na tv.

O Z. disse-lhe, que as pessoas gostam de ajudar, que se sentem bem com isso, que sentem natural compaixão por um povo que está a sofrer de uma forma atroz com uma catástrofe natural, que nós portugueses, somos um povo naturalmente solidário. Mas nada...

Ainda disse, com naturalidade "Pois, mas a Noruega é um país rico. Nós temos muito dinheiro, mas não gostamos de dar muito. Eu acho que a Noruega deu dinheiro, mas de certeza que deu pouco dinheiro, porque não gostamos de dar muito do nosso dinheiro. É assim, é a verdade." E ainda achou que se devia justificar: "Mas eu acho que quando eu tiver o meu próprio dinheiro eu vou dar um pouco a quem precisa".

Fiquei tão triste... tão desiludida, tão frustrada...
É-me incompreensível ver como uma rapariga com 17 anos é assim tão... insensível, tão fria, tão desprendida de sentimentos pelo sofrimento alheio.
Pela primeira vez em 4 meses, quase me senti arrependida de a ter acolhido. É mau dizer isto, mas foi o que senti naquela altura. Depois pensei, não será também esta uma oportunidade de lhe mostrar o outro lado? Não estará aqui um pedacinho da minha missão, em tentar mudar um pouquinho desta personalidade egoísta?

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Diferenças culturais (Nor/Por) III

O que ela acha estranho em Portugal:

Às refeições:
- A utilização das tão agora famosas leggins, brancas;
- Sopa de comer duas vezes por dia, antes do jantar e antes do almoço (não exatamente como na Noruega, muito bom, caso se a maioria deles);
- Comer lulas;
- Comer bastante salada com azeite e sal;
- Comer batatas fritas em vez de batata (cozida) para o jantar;
- Beber ice tea para o jantar, e não muita água;
- Haver restaurantes cheios de pessoas, mesmo nos dias de semana.


Na escola:
- Comprar todas as folhas necessárias para a Escola (folhas de teste, justificação de faltas);
- Comprar todos os livros escolares, material escolar, folhas, OVS livros projecto;
- Falar muito nas aulas, se os professores perguntam sobre alguma coisa assim que imediatamente surgem mãos da metade da classe para querer responder (varia ligeiramente em cada aula);

Social:
- Dar beijos quando se conhece alguém;
- Conduzir demasiado depressa;
- Vestir roupas que deixam a barriga à mostra;
- Ser muito baixo - ela é mais alta que nós lá em casa, e que toda a turma dela também.

Lá em casa:
- Ter sempre a TV da cozinha ligada, e ver as notícias na hora do jantar;
- Passar a roupa a ferro.

e esta, que não consegui traduzir bem:
-Ter um meia muito longe krøllat cabelos castanhos se você menina E e marrom em uma meia maneira cabelos longos, de maneira Oran ao redor, e quase em frente ilhas se menino e você


(escrito por ela)

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

ah e tal..

aquelas "piadas" sobre os alunos americanos que não sabem que o presunto vem do porco, e que o hamburguer vem (??!!?) da vaca?
ACREDITO piamente agora!
Pois, é que a minha M. até ontem ter ido comigo ao supermercado, nunca tinha visto um frango inteiro.
Não, não estou a brincar.
Parece que lá na terra dela os frangos são vendidos já partidos e embalados, divididos por peito, bifes ou pernas. Sim, porque a coisa mais próxima de frango que ela tinha visto era daquelas pernas que se vendem com a coxa, sabem?
De chorar a rir a cara horrorisada que fez quando me viu pegar no frango inteiro e colocá-lo na panela para fazer canja...

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Diferenças culturais (Nor/Por) II

Uma diferença LINDA, que soube esta noite, e que AMEI:

- Eles não passam a roupa a ferro, excepto no Dia Nacional da Noruega, ou em dias de grandes festas (tipo casamentos ou isso).
É sair da corda e ir para dentro da gaveta, assim peça a peça, num montinho.
(eu quero ir morar para lá...)

Diferenças culturais (Nor/Por) I

A pedido, algumas diferenças culturais que já constatei nesta primeira semana.
Nem melhores (bem, algumas são), nem piores, apenas diferentes.

- Na Noruega anda-se descalço em casa.
Sim, eles tiram os sapatos à porta e andam sempre descalços, com grossas meias nos pés. Não é "obrigatório" mas é um hábito. Por conforto, para evitar sujar a casa e porque gostam. Como as casas são quentinhas e o chão é normalmente em madeira, não lhes faz diferença.
- Nada de beijos na cara.
Eles cumprimentam-se de 3 formas:
* entre amigos, com um abraço
* entre amigos íntimos e entre familiares, com um beijo nos lábios (aqui, um xoxo)
* entre conhecidos, com um aperto de mão.
Estranhou inicialmente os beijos todos que damos uns aos outros lá em casa, mas encarrilou bem e já não vai para a cama sem me vir dar 2.
- Tratam-se todos pelo nome.
Pois, e como explicar a nossa mariquice dos diferentes tratamentos do tu, você, Dr., Eng.º e afins? Não foi fácil de explicar... Até na escola chamam os professores pelo primeiro nome (na maioria, embora alguns tratem por Mr.XX).
-Na comida...
* a sopa é normalmente de pacote, daqueles que se junta água a ferver e já está. Daí que a minha M. ande deliciada com as nossas sopas. Eles têm apenas 2 ou 3 tipos de sopa em que juntam uns ingredientes (estranhos ara nós) e água, e já está.
* comem maioritariamente peixe, mas cozido. E ainda não percebi como o cozem, porque no domingo almoçámos Dourada grelhada e ela nunca tinha visto tal peixe, muito menos grelhado.
* não comem Lulas nem Polvo nem outros moluscos, e tais bichos metem-lhe muita impressão (pois, para quem nunca experimentou aquilo tem um ar estranho mesmo).
* têm apenas uma refeição quente por dia, que é o jantar. No entanto este é tomado por volta das 16h30, hora a que saem dos empregos e escolas. As restantes refeições - pequeno almoço, almoço, e ceia são à base de sandes e uma espécie de tostas com queijo, tomate, peixe, etc por cima (tipo as tapas, pelo que percebi e por fotos que me mostrou). Há também as batatas, que comem quase sempre cozidas (com a casca, que é entretanto retirada à mão), mas na maior parte das vezes frias a acompanhar as tapas.
- Na escola.
* os nossos alunos são muito mais participativos nas aulas, enquanto lá nem por isso e nem os professores gostam muito.
* estranhou mesmo muito não poder ter o computador nas aulas pois lá é instrumento imprescindível. Aliás, não utilizam a calculadora mas sim o PC.
* os livros escolares e restante material são totalmente gratuitos e fornecidos pelas escolas até ao 10º ano (incluído), e quando lhe falei nos custos que os pais cá têm com os filhos no dito ensino gratuito, ficou obviamente espantada.
* também têm cantinas, mas servem basicamente pizzas, cachorros e fast-food. A maioria dos alunos leva uma caixinha com as suas tapas já preparadas para todo o dia.
- Dormem de janela aberta.
Sim, é verdade que muitos dormem de janela aberta, mesmo no inverno. Ainda não percebi se há alguma razão particular para isto, mas o que sei é que usam algo a que a M. chama de blanket (pode dar para edredon ou para cobertor, por isso fico na dúvida), com uma grossura de uns 25cm, e que é muito quente. Assim, como estão quentinhos lá por baixo, podem ter a janela aberta que não faz mal. Ok...
- Horários.
Começam nas escolas e trabalhos às 8h00, e saem entre as 16h e as 16h30.
- Shopping.
O maior centro comercial de Tromso (a maior cidade do norte da Noruega) tem umas 5 lojas no máximo. E nada de lojas especializadas em electrodomésticos como a nossa Worten... Cada uma vende uma coisa apenas, e são genericamente bem mais pequenas que as nossas.
Actualizações na medida do possível e quando forem surgindo...