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quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

hospitais, paciência, e cada um é para o que nasce

Fui, há uns anos valentes, a Alcoitão (ao hospital mesmo). Tenho uma ideia muito vaga disso.
Tenho um amigo que teve um gravíssimo acidente de bicicleta (sim, acontece!) quando tínhamos os dois 14 anos, e que passou lá uns meses em recuperação. Nunca o visitei nessa altura (ele não queria), mas sempre falou dessa instituição com muito carinho.
Conheci entretanto mais 3 ou 4 pessoas que por lá passaram. E que hoje têm vida autónoma graças à estadia ali.

Neste último ano fui diversas vezes e por razões diferentes, ao hospital distrital da zona onde moro. Sempre testemunhei, por horas e horas, a forma como médicos, enfermeiros e auxiliares tratam as pessoas.
Há gente bruta, que a há. Há médicos que mal olham para nós, doentes, que os há.
Mas, se tivesse de fazer um balanço, diria que ali as pessoas (e na sua maioria são pessoas de idade avançada) são bem tratadas. Tratadas com humanidade, com carinho até.

Estou há uma semana a ir à fisioterapia a um hospital conceituado em ortopedia, aqui na zona. Há pessoas (poucas) que como eu vão tratar problemas "menores" como um pulso ou um pé partidos, mas há muitas pessoas, regra geral de idade avançada, que ali estão para recuperarem a tal mobilidade que a idade ou doenças várias lhes tiram. Há "jovens" como eu que apresentam graves deficiências por causa de acidentes. Há crianças que nasceram com problemas. Há de tudo...

Tenho tido tempo para ir observando o funcionamento da coisa. As pessoas.
Dou por mim a emocionar-me (porra, que ando super-lamechas) com a forma carinhosa com que os terapeutas tratam todos. Como realizam tratamentos, transportam, conversam, conhecem muitos há alguns anos e trocam histórias. Como os abraçam, beijam, acarinham (sim, é verdade!!!). 
E os voluntários? Os voluntários andam num reboliço a transportar cadeiras de rodas do internamento ou dos cuidados continuados até ao ginásio e vice-versa. 
Em todos, mesmo, um sorriso no rosto, uma palavra amiga, um conforto.
Não tratam ninguém como "coitadinho", mas com o respeito e a dignidade que todos os seres humanos merecem.

E tudo isto faz-me pensar.
Diz-se tanto e tantas vezes, mal destes locais. Porque se espera muito, porque nem sempre ouvimos aquilo que queríamos, porque não olhamos para eles com a devida atenção.
Eu, que tantas vezes me levantava de mau humor e quando chegava ao escritório nesses dias todos percebiam que não se deviam atrever a dirigir-me a palavra nos primeiros minutos. Eu podia dar-me a esse luxo.
Médicos, terapeutas, enfermeiros, podem? Não, não podem. Porque nós exigimos sempre ser bem tratados, exigimos bom humor e um sorriso. Esquecemos tantas vezes que do outro lado está um ser humano como nós, que também tem problemas e dias menos bons.

Costumo dizer que Educadores e Professores são profissões que gabo, porque a mim dinheiro algum me pagaria ter de aturar as más-criações dos filhos dos outros. E continuar a sorrir e a tratá-los bem.

Hoje (ando há muito para escrever isto, hoje foi o dia) acrescento estas profissões a essa "lista". 
Médicos, Enfermeiros, Terapeutas, Auxiliares de Acção Médica.
Porque embora nem sempre nos sorriam, tratam-nos com todo o seu ser, dão de si, dão-nos de si e não desistem de nós, mesmo quando nós desistimos de nós mesmos.

Porque cada um é para aquilo que nasce, e eu gosto de enaltecer profissões que eu dificilmente conseguiria ter e a quem devo muito.
Obrigada.

quarta-feira, 24 de abril de 2013

11 anos sem pisar ovos

26 de janeiro de 2002.
A F fazia 1 ano, e seguindo as indicações da Pediatra, estava na altura de introduzir a clara de ovo cozida.
Pouco tempo depois do jantar, descobrimos da pior forma que tinha ocorrido uma alergia - a cara, as orelhas, o pescoço e as mãos tinham duplicado de tamanho e estavam disformes.
Sempre tive sangue frio nestas ocasiões, e o raciocínio imediatamente me levou a associar ao novo alimento. Um telefonema e uma rápida ida à farmácia resolveram o assunto.
Iniciamos a partir daí uma odisseia que não sabíamos na altura vir a ser tão prolongada.
Ao longo do tempo, dois episódios de choque anafilático (sem consequências de longo prazo, felizmente), consultas e testes regulares de Imuno-alergologia, um imenso rol de alimentos proibidos.
Essencialmente, ela não podia de forma alguma ingerir Ovo, Frutos Secos, Amendoim, Sementes diversas.

Foram anos de preocupações; de idas ao supermercado para fazer listas de ingredientes e de alimentos e marcas proibidas e permitidas; foram receitas inventadas e alteradas; encomendas internacionais de substitutos de ovo que permitissem cozinhar coisas "mais normais"; bolos de aniversário "normais" que eram feitos com muito carinho a centenas de km de distância; familiares, amigos, vizinhos e pais de colegas da escola que faziam sempre algo especial para que ela pudesse comer nas respetivas festas; foi o apoio incansável no(s) colégios onde andou; foram as brigas nas escolas; foram as seringas de Anapen que felizmente nunca utilizámos; foram os escuteiros com ementas alternativas; foram as inúmeras pessoas que conheci na blogosfera e que deram receitas, partilharam anseios, dicas e truques; foram as inúmeras vezes que ela chorava por não poder comer o mesmo que os outros; foi o ter aprendido, com UM ano de idade, a perguntar a qualquer pessoa que lhe oferecesse algo para comer: "isso tem ovo? se tem não posso comer", e repetir essa questão incansavelmente, vários milhões de vezes; foi o Dia de S Martinho passado nas urgências do hospital depois de um choque anafilático severo, a cantar e a brincar ao spider man; foi tanta, mas tanta coisa ao longo destes 4.097 dias de privação total deste alimento...

Após os resultados do RAST, chegou o grande dia.
Às 9h30 estávamos pontual e ansiosamente na Cuf, munidas da mousse de chocolate feita com 2 ovos crus.
Testes cutâneos ok.
Observação ok.
De uma forma quase sádica (para nós, obviamente), a primeira colher de café de mousse foi ingerida com expectativa. Tudo correu bem, e a dose foi aumentando.
Às 15h00 teve "alta". Com distinção.
Caiu-me a ficha nessa altura... e a Dra. Susana quase teve de me dar um calmante a mim, tal era a sensação de alívio, felicidade e quebra da adrenalina que tinha sentido ao longo de todo o dia.
O Ovo pode, a partir de hoje, passar a ser inserido na sua alimentação como na de qualquer outra pessoa.
Uma vez que continua a apresentar um IGE muito alto, continua com alguma prevenção, mas pode ingerir sem receios de algo grave.

OBRIGADA a todos os que connosco partilharam estes 11 anos.
A todos os que ajudaram a prevenir, a procurar alternativas. 
A todos os que connosco dela cuidaram com tanto amor e carinho. 
A todos os que leram ingredientes vezes e vezes sem conta.
A todos os que sempre me apoiaram, aturaram as minhas crises existenciais e fases de desalento.
Valeu a pena!

Testes cutâneos

Sai mais uma colherada de mousse

Jantar comemorativo.
"O que queres comer? Ovos estrelados..."

NOTAs:
1. Continua estritamente proibida de comer frutos secos, amendoim, castanhas, pistacios, e sementes de qualquer espécie - a Anapen continua a ser necessária e essencial na sua vida.
2. Se há coisas/doenças piores? Infelizmente há. Mas felizmente a nós calhou-nos "apenas" esta.

terça-feira, 12 de julho de 2011

12 de Julho de 2011

Hoje foi um dia que ficará para sempre nas nossas memórias.
Hoje foi o dia pelo qual a luta de 9 anos rendeu finalmente os primeiros frutos, pelo qual valeu a pena brigar com tanta gente, contra a ignorância, com os olhos tristes da F. quando via que não podia comer qualquer coisa que os outros à sua volta tanto gabavam. 
O dia de hoje fez valer a mudança de hábitos alimentares que tivémos de fazer, as receitas que inventei ou alterei, os milhares e milhares de rótulos que li (lemos), as listas de ingredientes que decorei, as listas de alimentos permitidos e proibidos que fiz e que constantemente tinha de alterar, a procura de alimentos "normais", a busca e encomenda do exterior dos substitutos para o ovo que só se encontravam na internet, os bolos que nós não comíamos para sermos solidários com ela que não podia comer, o levar bolos e sobremesas para as festas de amigos para que ela tivesse alguma coisa doce que pudesse comer com os outros, e tantas outras coisas menos boas que passámos por causa desta alergia tão grave que ela tinha desde que nasceu.

A ansiedade dela e o meu medo de que as coisas não corressem como esperávamos fizeram-me não pregar olho durante a noite. 
Mas de manhã bem cedo saímos de casa e às 8h30 estávamos no hospital prontas fazer a Prova de Provocação da Clara.
Começámos com uns testes a outros alimentos a que ela também é alérgica (e que continuam a confirmar-se), e estando tudo bem avançámos. Bocadinho a bocadinho, lá foi ingerindo a clara do ovo cozido que eu tinha levado, foi fazendo análises, a tensão, o corpo e a auscultação cuidadosamente verificados.
Às 14h15, e sem nada de anormal entretanto, veio o diagnóstico final.
Aprovada com distinção para incluir o ovo na sua alimentação, desde que muito bem cozinhado. Continuamos a excluir todos os alimentos onde isto não se verifique: ainda não há mousse de chocolate, salame de chocolate, bacalhau à brás, farófias, maionese, etc. Mas em compensação há pasteis de nata, bolos "normais", empadão (com algum cuidado), quiches "normais", ovo cozido, ovos mexidos, croquetes, rissois, pasteis de bacalhau, etc.

Não pude cumprir a minha promessa de irmos comer pasteis de belém, pois a Dra. Angela disse que para 1º dia não convinha comer mais ovo. Mas amanhã vingamo-nos!

Hoje deu-se uma grande melhoria na variedade da alimentação dela, eu posso baixar um bocadinho a guarda em relação às refeições que ela faz fora de casa, e ela tem todo um mundo novo de sabores para descobrir.

Ela está em autêntico extase, e eu só tenho vontade de chorar de alegria e alívio...

Obrigada a todos os que nos acompanharam e apoiaram nestes 9 anos.
Obrigada por terem nas vossas festas coisas diferentes para a F.
Obrigada por me pedirem receitas para fazerem para ela.
Obrigada por ajudarem a que ela não se sentisse tão diferente.
Obrigada por terem aturado os meus dias de desespero, preocupação e frustração.
Obrigada! Valeu a pena!

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Otites

Na nossa família, férias não seriam férias se não tivéssemos de ir com um ao hospital.
Desta vez coube à F. estrear a novíssima Clínica Fórum do HPP Algarve, no Fórum Algarve*.

Diagnóstico: uma otite e uma recomendação/ordem de irmos visitar o otorrino brevemente, por causa dos adenoides.

Mais umas férias com tampões, antibióticos e sem mergulhos...






* Para quem tem seguro de saúde ou pode pagar. Atendimento rápido e de excelente qualidade, instalações novas e com vários meios auxiliares de diagnóstico ali disponíveis para as consultas em SAP de Pediatria. No Fórum Algarve, em Faro, junto à zona infantil exterior.

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAH

Conhecem aquelas piadas masculinas todas sobre enfermeiras boazudas?

AH AH AH AH AH

Está aqui um enfermeiro a tratar do senhor da cama do lado... UIIIIIIIIIII
'Bota BOM nisso!!!
Como se domina a ansiedade de tantas horas de espera?
O mail já está gasto, o messenger não me apetece, a tv não me anima, o telemóvel não pára e os sms têm sido incontáveis.
É assim que se vê como os amigos são importantes nestas alturas... obrigado a todos!
Por esta hora, eu que devia mas era ir pastar em vez de estar aqui a escrever (chamar-me-ão louca alguns), estou aqui sozinha no quarto sem cama, numa cadeira que já viu melhores dias, a comer chocolates atrás de chocolates e a tentar acalmar-me a mim mesma.
Não sei quem estava esta manhã com mais medo: se eu ou ele. Mas os dois ocultámos o medo um ao outro (como se isso fosse possível...), e foi como se fosse um beijo de "até amanhã" via telefone.
Agora aguardo ainda que as 4 horas previstas (e que já vão em 4h30...) passem, e alguém me venha dizer quecorreu tudo bem.
...
Um reparo importante.
A equipa médica é excelente (dito por quem sabe e quem os conhece), pelo que assisti e pelo que me têm aturado a equipa de enfermagem e auxiliares também são bons e muitíssimo simpáticos, os auxiliares e administrativos também...
No entanto, e para quem tem ouvido falar tanto do Hospital da Luz, e para quem há um ano foi operada na Cuf Infante Santo (ou seja... o mais antigo da Cuf), as instalações deixam muito a desejar.
Quarto duplo e com pouquíssimo espaço - se quisesse um individual teria que ter feito a marcação com 2 meses de antecedência (ou seja, mesmo antes de ter marcado a cirurgia), pois são poucos e estão todos ocupados.
Cadeiras para os acompanhantes... bem, tenho uma cadeirita e um banco quadrado tipo "cubo" que tenho de dividir com os acompanhantes do paciente da outra cama...
WC grande mas "despido", chuveiro sem poliban.
Vale um écran TFT para cada cama, que dispõe de tv, net, telefone e intercomunicador. No entanto, a imagem é má - da tv claro, a net está com teclado para uma outra linguagem e portanto não se consegue escrever (sim, já tentei de tudo, mas as configurações estão todas bloqueadas).
Ou seja, a malta paga, e nem sequer tem direito a boas instalações!
Para a próxima (xiça...), não volto cá!!!