Tenho um amigo que teve um gravíssimo acidente de bicicleta (sim, acontece!) quando tínhamos os dois 14 anos, e que passou lá uns meses em recuperação. Nunca o visitei nessa altura (ele não queria), mas sempre falou dessa instituição com muito carinho.
Conheci entretanto mais 3 ou 4 pessoas que por lá passaram. E que hoje têm vida autónoma graças à estadia ali.
Neste último ano fui diversas vezes e por razões diferentes, ao hospital distrital da zona onde moro. Sempre testemunhei, por horas e horas, a forma como médicos, enfermeiros e auxiliares tratam as pessoas.
Há gente bruta, que a há. Há médicos que mal olham para nós, doentes, que os há.
Mas, se tivesse de fazer um balanço, diria que ali as pessoas (e na sua maioria são pessoas de idade avançada) são bem tratadas. Tratadas com humanidade, com carinho até.
Estou há uma semana a ir à fisioterapia a um hospital conceituado em ortopedia, aqui na zona. Há pessoas (poucas) que como eu vão tratar problemas "menores" como um pulso ou um pé partidos, mas há muitas pessoas, regra geral de idade avançada, que ali estão para recuperarem a tal mobilidade que a idade ou doenças várias lhes tiram. Há "jovens" como eu que apresentam graves deficiências por causa de acidentes. Há crianças que nasceram com problemas. Há de tudo...
Tenho tido tempo para ir observando o funcionamento da coisa. As pessoas.
Dou por mim a emocionar-me (porra, que ando super-lamechas) com a forma carinhosa com que os terapeutas tratam todos. Como realizam tratamentos, transportam, conversam, conhecem muitos há alguns anos e trocam histórias. Como os abraçam, beijam, acarinham (sim, é verdade!!!).
E os voluntários? Os voluntários andam num reboliço a transportar cadeiras de rodas do internamento ou dos cuidados continuados até ao ginásio e vice-versa.
Em todos, mesmo, um sorriso no rosto, uma palavra amiga, um conforto.
Não tratam ninguém como "coitadinho", mas com o respeito e a dignidade que todos os seres humanos merecem.
E tudo isto faz-me pensar.
Diz-se tanto e tantas vezes, mal destes locais. Porque se espera muito, porque nem sempre ouvimos aquilo que queríamos, porque não olhamos para eles com a devida atenção.
Eu, que tantas vezes me levantava de mau humor e quando chegava ao escritório nesses dias todos percebiam que não se deviam atrever a dirigir-me a palavra nos primeiros minutos. Eu podia dar-me a esse luxo.
Médicos, terapeutas, enfermeiros, podem? Não, não podem. Porque nós exigimos sempre ser bem tratados, exigimos bom humor e um sorriso. Esquecemos tantas vezes que do outro lado está um ser humano como nós, que também tem problemas e dias menos bons.
Costumo dizer que Educadores e Professores são profissões que gabo, porque a mim dinheiro algum me pagaria ter de aturar as más-criações dos filhos dos outros. E continuar a sorrir e a tratá-los bem.
Hoje (ando há muito para escrever isto, hoje foi o dia) acrescento estas profissões a essa "lista".
Médicos, Enfermeiros, Terapeutas, Auxiliares de Acção Médica.
Porque embora nem sempre nos sorriam, tratam-nos com todo o seu ser, dão de si, dão-nos de si e não desistem de nós, mesmo quando nós desistimos de nós mesmos.
Porque cada um é para aquilo que nasce, e eu gosto de enaltecer profissões que eu dificilmente conseguiria ter e a quem devo muito.
Obrigada.
