Mostrar mensagens com a etiqueta escuteiros. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta escuteiros. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

verdadeiramente "back"

Hoje vou acampar. 
Com as minhas "novas crianças". 
Vou apanhar frio (tanto frio que vai estar à noite), andar km de mochila às costas, dormir num abrigo que vamos construir (dormir portanto praticamente ao relento - pouco e mal), cozinhar no fogo, cantar à volta da fogueira (se eles não se perderem no raid que será durante a noite), ensinar aquilo que aprendi ao longo dos anos, aprender a lidar com estes teens que me assustaram ao início mas que já acho adoravelmente desafiantes, amigos, trabalhadores, empenhados e complicadinhos como a idade implica.

E tudo isto (que sei faz muita confusão a alguns dos leitores aqui do tasco...), faz-me TÃO FELIZ como não imaginam.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

i'm back!

Regressei ontem à ação!
(bem, ainda foi só um CG... o verdadeiro regresso será sábado)

Depois de vários anos fora, começava a ressacar da falta de contacto com o escutismo "real".
Não acredito em escutismo adulto, e os miúdos, as atividades, os acampamentos, as próprias chatices inerentes estavam a fazer-me muita falta...
Assim, nova etapa.
Totalmente fora da minha zona de conforto, é certo. Mas é um desafio que aceito com todo o entusiasmo.
Tecoree, Rock in Scouts, Acareg, vai ser um ano em grande!

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

As minhas pessoas

Nos primórdios da internet (generalizada, entenda-se), os new-mother/baby-fóruns trouxeram-me uma pessoa que ainda hoje mantenho como amiga. Partilhamos coisas das nossas filhas, das nossas vidas, de tudo.
 
Os escuteiros trouxeram-me amigos que fiz na infância, e que hoje mantenho, que estão lá para mim, cujas famílias são amigas da minha família. Trouxeram-me, já adulta, outros amigos que guardo na mesma gaveta do meu coração. Uns com quem partilho atividades, vários que me leem, que me ajudam nas minhas loucuras. Outras que comigo vão beber um café sem café, mas com muita conversa e uns scones deliciosos, feitos com muito carinho.
 
A blogosfera trouxe-me novos horizontes, novas pessoas que fui conhecendo pela sua escrita, que fui aprendendo a gostar, a acompanhar. Trouxe-me a escrita (aquela que não guardo em pedaços de papel), a partilha, a interação num canal onde podemos ser nós ou inventar personagens. E algumas dessas personagens passaram para a vida real. A minha vida.
 
O Facebook trouxe-me de volta colegas de escola com quem não tinha contacto há anos. Trouxe-me um grupo de amigas - algumas delas bloggers que já conhecia (ou antes, lia). Que se tornaram peças fundamentais na minha vida. Pedras basilares dos meus momentos bons, mas acima de tudo os ombros amigos dos tantos momentos menos bons que tenho tido nestes últimos meses. Ali falo tudo, de tudo, com todas e sem receios. Ali falo, oiço, aconselho e sou aconselhada. Choro e rio com as tristezas ou conquistas de cada uma.
E se tenho alternado estas duas coisas!!!
Ali tiramos fotos de looks banais, fotos de desafios loucos, partilhamos roupas, livros, receitas e dietas, falamos de filhos, maridos, namorados, aventuras, desventuras. Tão depressa nos amparamos como na hora certa e necessária damos o devido raspanete a alguma, para a fazer voltar à razão.
E isso faz-me tão bem...
O Facebook trouxe-me também causas. Causas que abracei e abraço sem pensar muito no tempo que me vão consumir. Sou pessoa de convicções e não me custa fazer opções, tomar atitudes, agir de acordo com elas. Fazer agir, fazer acontecer.
 
Outras tecnologias trouxeram-me novas pessoas, novos grupos, novos horizontes.
Gente de todo o mundo que em comum tem o gosto por uma marca. Aventuramo-nos em explorar, partilhamos, levamos ao limite, rimos, brincamos, zangamo-nos e fazemos as pazes.
Uma fase em que apostei em algo que me magoou, mas que ultrapassei e curei. Com cicatrizes, mas curei bem curadinho.
Outras pessoas que vou conhecendo a cada dia um pouco melhor. Afinidades? Sim, acredito que sim. Costumo ter um sentido apurado para "sinalizar" logo quem me inspira ou não confiança.
Com uns começou por possíveis oportunidades de trabalhos conjuntos, outros por apoio nessa mesma tecnologia, um grupo que se gerou em volta de uma marca.
Com outros começou porque sim. E esses nem sei definir. Andam no limbo. Não me são indiferentes mas não me criam laços que julgo virem alguma vez a serem duradouros.
 
Com outra pessoa começou por uma simples foto. Um estado de espírito menos bom. Um comentário a partir do qual começaram a surgir conversas. Ao início, breves. Aos poucos foram-se tornando maiores, mais profundas, mais nossas. Confiança. Relatos de vida. Afinidades. Tantas coisas comuns e outras tantas tão distintas. Mas uma grande afinidade acima de tudo. Entendimento, desabafos, conselhos, partilhas. A necessidade de contar ao outro uma novidade boa do dia, do fim de semana.  
Horas de conversa que passam depressa demais (demais!!!) e sem dar conta, perdidos no meio de tantos assuntos e histórias que surgem naturalmente, sem esforço, com total naturalidade, com à-vontade. O sorriso, o abraço, o olhar. Um olhar profundo, terno, desinteressado e amigo.
Alguém que comigo partilha a simplicidade e honestidade, a quem me agrada contar o que me vai na alma. Que sei que me escuta de coração, e tem partilhado também muito (tanto...) de si.
Faz falta alguém assim, que dá, que recebe, que não exige nem cobra.
 
Posso dar-me por contente.
Tenho pessoas, as minhas pessoas.

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

ano novo...

O novo ano letivo está à porta.
Este ano, aparentemente, não vou ter a briga que tive no ano passado... pelo menos, as turmas já estão afixadas na escola (nova!!!) desde a semana passada, e na net... nada! Ando a considerar se "compro" outra briga (esta agora mais política que outra coisa), ou não.

Para ele temos tudo.
Para ela, ainda ando a percorrer os Bancos de Livros. No ano passado saímo-nos bem. Conforme isto, assim "brigo" ou nem por isso.

Sei que vou estar em estado de ansiedade até se saber como ficou a questão da professora de inglês. Se o pedido dos EE não resultar, vamos ter de investir tempo e dinheiro numa escola exterior. É triste, mas esta é uma disciplina nuclear, e eu não quero arriscar que ela tenha uma má preparação logo nesta fase inicial.
Sei que com os outros professores estou descansada, e com a DT ainda mais. Resta-nos agora a "nós" trabalharmos em casa e atingir os objetivos que traçámos para este ano letivo.

Ela vai estrear (outra vez) uma escola. Ampla, arejada, salas amplas (pelo menos as dos 5º/6ºs anos), equipamento novo e do melhor que há. Salas de estudo, salas multimédia, e tudo e tudo. Está contente por isso, e eu também. Ter aulas nos contentores não foi "mau", mas também não foi uma coisa muito boa...
Sei que vou ter mais uma briga: a segurança no controle de entradas/saídas, mas dessa não vou abdicar. Assim como assim, de "chata", "incómoda", "exigente", "picuinhas", "manias de lisboeta" e outros adjetivos que nem me lembro já, já não passo. Por isso, siga!
Vou tentar convencê-la a ter também aulas de viola - pelo menos para experimentar. Como já faz tanto exercício físico, preferia isso ao ballet. Mas não sei se ela vai nisso, e não a quero/posso obrigar.


Ele vai continuar com a mesma professora também. Sabe que tem de trabalhar mais a caligrafia (as linhas existem por uma razão...), e tem de começar a perceber que "só" o charme não resolve tudo. Mas melhores notas é impossível pedir-lhe. Apenas que as mantenha.
Este ano vamos inscrevê-lo numa escola de percurssionismo (não sei se é assim que se chama). O miúdo tem um sentido rítmico que impressiona, e de tudo ou em tudo transforma em batuque. (no Natal vou oferecer-lhe um djambé ou um bombo - conforme as aulas derem).

Eu?
Eu estou um pouco indecisa quanto ao que vou fazer com o meu "tempo livre". As coisas aqui não me agradam. Vou manter-me no projeto que iniciei em Maio, mas quando esse acabar não sei o que faça. Não gosto de compadrios, não gosto de "meninos queridos" e os outros. Não gosto de malta que não sabe/não quer/não confia para delegar funções e depois anda constantemente a queixar-se de excesso de trabalho e falta de tempo. E obrigar os outros a reunir/fazer as coisas em cima da hora por causa disso. 
Ainda por cima este ano é ano de Regional, e o meu instinto faz-me crer que ainda me vou aborrecer com isso - esta malta faz de tudo uma tempestade num copo de água, e uma simples atividade transforma-se num projeto "gigantesco" carregado de problemas e coisas que se resolveriam mais facilmente se as pessoas desligassem mais o descomplicómetro. (gostava de os ver a organizar/pensar sequer numa atividade tipo o II Acanuc - ver Tag "Acanuc") (um estágio no Oriental fazia bem a muita malta daqui).
Não quero sair do Movimento, mas como estou não me satisfaz, não me completa, não cabe no meu conceito. Sem falsas modéstias, sinto-me "desaproveitada". E com falta de atividade, que tanta falta me faz*.
Nisso, fazer parte do GI vai dar-me gozo. Já está a dar. Pena estar longe de Lisboa, ou seria ainda mais e melhor. 

Bem, mas de qualquer forma acho que me vou dedicar à escrita "a sério", e a projetos profissionais mais arrojados. Ou diferentes, pelo menos. (a conjuntura atual e dos próximos 6 meses vai ditar muita coisa)

Como uma amiga me disse há poucos dias, o verão "acabou", o Natal está mesmo aí à porta...




*Taizé não está esquecido... mas não consigo ainda saber como vou estar por essa altura, sim?

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Acanac (last) / Acagrup

Voltou felicissima, sujíssima e cansadíssima.
Eu já tinha as malas feitas e o jantar pronto. Foi chegar a casa, tomar banho por 3 tshirts dela e os calções a lavar (e secar), comermos, meter tudo no carro e rumarmos a Troia.
Ela veio de um acampamento... para outro acampamento.
Os primeiros 5 minutos de viagem contou coisas sobre o que fez (e começou a contar as coisas "menos boas", depois aterrou de tal forma que ao cheguei ao acampamento, tirei tudo do carro, montei a tenda, e só a consegui empurrar tipo zombie para cima do saco cama (descalcei-a, apenas).
Foi divertido, foi cansativo, foi diferente.
Muita coisa mudou em 25/27 anos.

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

(ainda) Acanac - IV

Continua a descrever a atividade como "brutal mãe, brutal mesmo!", e a cada dia que passa sinto na sua voz uma alegria maior.

Uma coisa que me encheu de orgulho foi o facto de, uma vez que não têm sopa na ementa de campo, e pelos vistos salada muito pouco, a Patrulha dela resolveu juntar o dinheiro que cada uma levou e comprar salada para comerem com as refeições "normais".

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Acanac - III

Mesmo sem a ter visto (pelo menos, ainda) na tv, tenho estado para aqui a chorar que nem uma madalena arrependida (again).
E recordando a conversa que tive com ela ontem, não posso deixar de partilhar isto aqui.
Sei que são gostos individuais, e opções de cada um.
Sei que um número como 17.100 pessoas todas juntas assusta quem não conhece a organização brutal que tudo tem, e a responsabilidade dos adultos que lá estão.
Sei, porque já estive em grandes atividades, que muitas vezes a comida atrasa algumas horas, ou que é menos do que se esperava. Que por vezes eles se perdem nos jogos e dizem que querem vir embora porque estão assustados. Que as horas de sono nem sempre são as desejáveis para uma vida "normal". Que os acidentes acontecem a qualquer um, e a minha não é exceção.
 
Falamos de aproximadamente 14.000 crianças e jovens entre os 6 e os 22 anos de idade, acompanhados por cerca de 3.000 voluntários adultos, que deixam as suas casas, as suas famílias, tiram dias de férias, para ali estar. E que os voluntários (tal como os profissionais) também se cansam, também se enganam...

Mas sei que experiências como esta marcam para uma vida, e que nos bons e nos maus momentos ela vai retirar desta semana recordações e ensinamentos que farão dela uma jovem e adulta preparada e ativa na sociedade.
Mesmo não estando lá, orgulha-me muito fazer parte de um Movimento que tem esta capacidade de mobilização, de organização e de educação.
Porque Escuteirar é Educar para a vida!

Acanac - II

Tem ligado ou enviado sms todos os dias, como combinámos.
Diz que tem saudades, mas quando lhe perguntamos se está a gostar, a resposta é invariavelmente "é brutal!!!".
Que a Abertura foi fenomenal, que jantar com os "vizinhos" do Algarve foi estranho, que os duches ao ar livre são um espetáculo e uma animação.

Também já foi à enfermaria, mas afinal não era nada de grave.
Já houve um incêndio* em campo, que rebentou uma botija proque alguém a deixou ao sol, que uma amiga da outra Expedição do Agrupamento já teve de ir para casa porque adoeceu, que outros tantos estão internados no hospital de campo, "mas não é nada de grave mãe, é só por precaução". 
Contou-nos isto tudo com uma voz rouquíssima e quase impercetível, ao que lhe perguntei: "apanhaste frio, foi?". Riu-se muito. "não mãe, é de gritar muito nos jogos".


Parece que hoje foram filmados pela RTP1. Estejam atentos, portanto. Se virem uma miúda gira com um lenço verde ao pescoço, é a minha!









*Pequenino, e prontamente apagado pelos Exploradores e Dirigentes que lá estavam.

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Acanac

Feliz da vida, ela foi para o grande ACANAC
Fui deixá-la às 8h, fiquei a vê-los até às 8h30. Não fiquei para o embarque no autocarro. 
Soube entretanto que chegaram e que está tudo bem.

Mas, sabendo que tudo vai correr bem (quase sempre, que nestas grandes atividades há sempre coisas que correm mal), sabendo que se vai divertir muito (algumas vezes pode até chorar e dizer que se quer vir embora, mas faz parte), estou um bocadinho apreensiva.
Sempre são 17.000 pessoas no total.
5.500 são da idade dela, a fazer as mesmas atividades e a competir pelo Grande Jogo.

Pronto, no fundo tenho um bocadinho de inveja. Em 27 anos de escuteira, nunca estive numa atividade desta dimensão.

sábado, 5 de maio de 2012

Habemus Lobito

Da melhor vontade

Para ele é hoje um grande dia!
Preparou-se, "estudou". Venceu medos, saudades, secou lágrimas e cresceu.
Ontem quando finalmente vestiu o uniforme oficial, não cabia em si de contente. Quis experimentar o lenço e corou de alegria quando se viu assim.

Passou a vigília com um ar muito compenetrado, senhor do seu papel.





Ficou lá esta noite, a última noite de campo como Pata Tenra... Quase se deixou vencer pelas lágrimas, mas olhou-me nos olhos e disse "um Lobito não chora mãe".
Por vezes um Lobito chora, sim, pensei eu. Mas entendi o que queria dizer e limitei-me a concordar com esta sua demonstração de valentia.

Daqui a nada vamos buscá-lo para almoçar e uniformizar-se de novo, e sei que vai trazer outras tantas recordações. Sei que vai trazer o sorriso aberto e o coração cheio. Sei que vai estar ansioso pela noite, que vai ter pressa em fazer tudo e em voltar para lá.

Como é que eles crescem e saem de nós tão rápido?

quarta-feira, 2 de maio de 2012

finally!

Quase 4 anos depois de ter iniciado o CAF - e quase 2 anos depois de o ter terminado, finalmente recebi as 3 contas!

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

kidless

E não é que dentro de 1h30 vai ter início o meu fim de semana kidless?????

Yup! As crianças vão para um acampamento, e só voltam no domingo.
(para quem não tem com quem deixar crianças por 2 horinhas para ir ao cinema, há lá melhor que um acampamento de escuteiros??)

domingo, 12 de fevereiro de 2012

-5º C

Tinha-me comprometido a estar presente neste fim de semana de formação, mas um imprevisto do pai veio trocar-me as voltas. 
Já pouco havia a fazer (o resto do pessoal tinha já compromissos também), e eu tinha mesmo de ir.
Fazer o que aos miúdos???
Só havia uma solução. irem comigo...
O tempo esteve frio, mas frio. As atividades eram para adultos, acampamento mas formação, e eu tinha responsabilidades em cima.
Ainda em casa, tivemos uma conversa. Expliquei-lhes ao que iam, e que não podia estar assim muito "ocupada" a dar-lhes atenção. Expliquei-lhes que tinham de se portar bem, e que podiam brincar à vontade mas sem perturbar as coisas dos crescidos, que estavam a aprender.

Os meus filhos são impecáveis!!!
Aguentaram-se ali o tempo todo, brincaram com toda a gente, estiveram a pé ao frio (ok, havia a fogueira) até todos nos irmos deitar.
Adorei passar a minha primeira noite de campo em família, estar na tenda com eles, rir, conversar e brincar dentro dos sacos-cama enquanto esperávamos pela hora do silêncio.
Dormimos quentinhos, mas a aragem do lado de fora era gélida.
De manhã, quando às 8h00 saí da tenda, estavam uns amenos -5ºC.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

uma noite com a Comunidade Vida e Paz II

e acima de tudo esta certeza:

"Ninguém está livre de um dia ser sem abrigo"...

ao Vasco, ao Abdul, ao Miguel, ao António, ao Pedro* (looooooongo)

e a todas as outras Pessoas Sem Abrigo que conheci na noite de sábado




Eu saí de casa com a certeza de que iria participar numa atividade que me ia encher as medidas, quaisquer que fossem os desígnios de fazer ou não a volta.
Levava também a convicção - envergonho-me agora (mesmo, mesmo muito) de o dizer, que se eu fosse fazer a volta, o que me iria custar mais era mesmo o contacto direto com aqueles Sem Abrigo. É para mim triste ter de reconhecer (e aqui publicamente) que tinha receio do cheiro, do cumprimentar, da minha reação**.

Enganei-me redondamente.
A reportagem que vimos, as coisas que o Carlos nos disse, tudo aquilo criou em mim uma expectativa oposta.
Na carrinha, o Manuel e a Júlia*** foram falando connosco, foram-nos dando indicações e conselhos sobre o que iríamos ver e ouvir. De local em local "apresentavam-nos" as pessoas que ali iríamos encontrar antes mesmo de parar a carrinha. Mostravam um bom conhecimento dessas pessoas e isso punha-nos mais à vontade.
As coisas foram-se desenrolando com toda a naturalidade...

Conheci gente e situações absolutamente inesperadas face ao que eu, na minha profunda ignorância, esperava.
O Vasco, bem vestido, barba feita nessa tarde, cabelo cortado recentemente, de discurso fluido, coerente e bem falante, que me contou do seu Natal com as irmãs e as sobrinhas.
O António, doente bipolar, que se aproximou de nós devagar e muito a medo por não reconhecer a carrinha, que nos saudou efusivamente e falou tanto da sua admiração pelos escuteiros.
O Joel, indiano a quem morreu recentemente o filho, e que nos recebeu a chorar na sua morada suja e sem condições.
Tocou-me muito o Ricardo, que na sua casa de cartão estava a consumir e nos avisou disso para não nos aproximarmos e não vermos. Que pediu ao Manuel para voltar - voltar sempre, que ele um dia há-de deixar a rua e as drogas.
Tocaram-me duas pessoas que dormiam quando lá chegámos, mas tinham tido o cuidado de deixar do lado de fora cada um uma garrafa de plástico vazia e o recado: 
"Deixe o leite na garrafa se faz favor". 
Se faz favor!!!


Quando falávamos com o Joel e com o Mário, aproximou-se um cão doméstico, que fazia as suas necessidades. Alguns de nós fizeram-lhe festas, principalmente o Mário, que parecia encantado com o animal. Um tempo depois, ouviu-se um assobio e apareceu o dono, que olhou para o nosso grupo com desdém. Dissemos boa noite, mas ele arrancou o animal dali com maus modos, sem dizer uma palavra ou voltar a olhar para nós. Chocou-me esta atitude, que nem consigo classificar.
Há pessoas muito ignorantes, muito mal educadas, muito mal formadas...
Comentei com o grupo "há pessoas que nem para terem animais servem", ao que o Mário me respondeu "é porque vocês estão connosco", e tirou-me a fala...



No Saldanha vimos a verdadeira "confusão" de gente que ali acorreu. Mais histórias, mais homens de bem que caíram em desgraça, mais pessoas que se servem da sua condição de sem abrigo para reivindicar coisas (sim, porque obviamente também os há). Pessoas que exigiam roupas - e de marca de preferência, pessoas que recusaram meias (limpas e em ótimo estado) por não trazerem etiqueta. Pessoas bem vestidas que tentavam, enganar os voluntários e levar mais sacos de comida do que aqueles que precisavam ou teriam direito.

As três pessoas que encontrámos deitadas bem juntinhas, e que nos imploraram um cobertor. A quem deixámos o tal cobertor, calças, os sacos das sandes e um pacote de leite. O olhar agradecido quando estendemos o cobertor...
.
.
Podia descrever aqui a minha Noite com uma precisão muito rigorosa...
Conheci várias pessoas que, se me tivesse cruzado com elas noutra circunstância, nunca diria que eram sem abrigo. Tal era o seu aspeto cuidado, as roupas arranjadas, a forma corretíssima como falavam e as palavras que utilizavam.
Conheci outras em circunstância degradantes, imundas, ao frio, à fome, sob efeito de substâncias como álcool ou drogas.
Em praticamente todas vi um ponto comum: a alegria com que nos recebiam, a educação e o respeito com que nos tratavam, a forma afável com que nos tratavam e nos cumprimentavam como se cumprimenta um amigo que recebemos para um café, o olhar agradecido por lhes darmos o muito que temos e a que não estão habituados: respeito, educação, atenção e tratamento igual.


Ao pousar a cabeça para dormir, senti-me inquieta.
Recordei os momentos que vivi horas antes, e percebi o quão tola, fútil e insensível tinha sido nessa manhã. Estava a pensar só em mim... Naquela altura em que eu me aconchegava na minha colchonete que me protegia do chão frio, quando me enrolava no meu saco-cama quentinho, vieram-me à memória o Vasco, o Abdul, o Miguel, o Manuel, o António, o Pedro e todos os outros. Os que me deram a oportunidade de ver a outra realidade, e que nessa altura se estavam a aconchegar no chão frio, que se estavam a tentar tapar com mantas...

Acordei no dia seguinte com a cabeça a doer-me da "ressaca".
Estas coisas moem-me não só o físico mas acima de tudo o espírito. 
Mas havia ainda coisas a fazer, e nem deu tempo para pensar bem em tudo o que tinha vivido na noite anterior.

No caminho de regresso a casa é que me "caiu a ficha" sobre tudo o que tinha passado. Apercebi-me de como foram fúteis os meus receios iniciais. Apercebi-me de como é tão natural cumprimentar uma pessoa que não conheço e que está suja e que vive no meio da rua, mas que me recebe calorosamente, me conta a sua vida, me pergunta por mim como se me conhecesse de longa data. 
Apercebi-me da profundidade do trabalho da CVP, quando ouvi uma dessas pessoas dizer: "Eu vou esperar pelos X, que dão sopa quente, mas fico aqui ao pé de vocês porque convosco posso falar um bocadinho"

Mas qual cheiro???? Não é nada disso que trouxe desta Noite e que guardo comigo.
Guardo os olhares. Guardo os apertos de mão bem apertadinhos quando nos despedíamos.
Guardo a certeza de que quando disse a cada um "foi um prazer conhecê-lo", estava a dizê-lo do fundo do meu coração.
Guardo a certeza de que nunca mais vou olhar para uma pessoa que mora na rua da mesma forma mais ou menos indiferente como até ontem.


E afinal, é só isto que as Pessoas Sem Abrigo pedem: um pouco da nossa atenção, um agasalho, um pouco de comida se possível. Mas acima de tudo, pedem para serem tratados como PESSOAS.



TODOS OS NOMES PRÓPRIOS MENCIONADOS NESTE POST SÃO FICTÍCIOS


* nomes fictícios
**eu, que sou conhecida e reconhecida por ter um faro infalível e minhoquinhas
*** nomes fictícios dos Voluntários da Comunidade Vida e Paz

domingo, 22 de janeiro de 2012

SPR

E agora, enquanto fazia a viagem de regresso a casa, é que me "caiu a ficha"...

A outra noite

Ressacar desta noite lisboeta é bem diferente de ressacar da Noite comum.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

felicidade

Pois que como se esperava voltou com um sorriso de "orelha-a-orelha" e um impagável brilho nos olhos.
Dormiu pouco, andou muito, divertiu-se mais ainda.
Veio orgulhosa porque o chefe E. lhe disse que "esteve muito bem".
A felicidade pura estampada em todo o seu ser.

Foi difícil ficar acordada para conseguir fazer os tpc (eram 5 da tarde...), mas lá despachou tudo a tempo de tomar banho, comer qualquer coisa e ir dormir.


Daqui por 3 semanas há mais, e ela já está ansiosa.

(e há quem não goste disto...)

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Acampamento volante


Conforme indicações, fui deixá-la à sede às 20h00, já jantada.
Vinha recomendado roupa quente e confortável, na mochila só o indispensável para a atividade e condições climatéricas, pois embora de apenas dois dias, esta vai ser uma atividade volante e vão andar sempre de mochila às costas.
Confesso, estou aqui que nem posso.

Estão agora (21h20) 6ºC, e está a cair uma neblina tal, que antes de me vir embora recomendei que colocasse a cobertura impermeável na mochila.
Foi bem protegida e equipada, tem uma Guia de Patrulha à maneira, e tenho plena confiança nos Dirigentes. Mas ao vê-los na parada, não pude deixar de pensar... 
É tãaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaao mais difícil ser mãe de escuteiro do que ser Chefe de escuteiros...

Ela? ficou feliz e encantada da vida, pois claro!
E sei que no domingo quando a for buscar vem com um sorriso de orelha a orelha, cheia de novidades, aventuras e belíssimas recordações desta 1ª atividade com os "grandes".




(e eu cada vez mais contente pela mudança que fiz)