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sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Livros

Inicialmente por uma questão financeira (até tenho vergonha de dizer quanto gastei só este ano em livros, para mim e para ela), depois por uma questão prática, e finalmente por saudosismo, fui ontem tratar do meu Cartão de Leitora da bibliteca municipal cá da zona.

Aos anos que eu não entrava numa biblioteca!
As saudades... as estantes cheias de livros a chamarem por mim... as cadeiras e as mesas antigas... o cheiro daquele lugar que é o cheiro igual a todas as biblitecas (as antigas).
Se não estivesse com alguma pressa, tinha-me perdido ali, logo no primeiro dia, mas hoje não dava mesmo.
Ainda assim, no tempo que lá estive senti-me tão bem, tão "em casa".

Em conversa com a senhora que tratou do meu cartão, descobri que gostamos dos mesmos autores (pelo menos os portugueses), e trouxe comigo logo um livro, que já andava a namorar. Ganhei uma aliada, pois prometeu que me guardava os outros dois livros daquele autor que eu quero ler ainda! (eheheh)

Sempre fui fã de bibliotecas.
Comecei numas férias, no Sítio da Nazaré. Durante a pausa da praia, na hora do almoço, e não havendo televisão no apartamento onde passávamos férias, o meu pai levou-me a uma bibliteca de verão. O edifício ficava perto de casa, a zona de leitura (não havia empréstimo) era um pátio fresquinho, com umas cadeiras super agradáveis e uma sombra acolhedora para as tardes de verão. Não sei quantos livros li ali, no primeiro verão, mas foram muitos mesmo.
Quando regressei a casa resolvi espreitar a biblioteca local. Foi uma experiência muito boa, enquanto o horário escolar o permitiu...

Entretanto descobri para que servia o pequeno autocarro vermelho que por vezes via estacionado em pleno jardim da Câmara Municipal do Cartaxo* - era uma Biblioteca Itinerante.
Fiquei encantada com o espaço, e com o senhor Fernando (nunca me hei-de esquecer dele), o motorista-bibliotecário-conselheiro-e-amigo, que nos recebia sempre com um enorme sorriso. Sabia sempre que livros eu iria gostar (e nunca falhou!), mostrou-me novos géneros literários, abriu novos mundos no meu horizonte de leitura.
Naquele pequeno autocarro cabiam tantos e tantos livros, para todas as idades. As estantes, que ocupavam todo o espaço das paredes, estavam sempre arrumadíssimas e cobertas de estórias, histórias e contos diversos. O estreito corredor por onde nos movimentávamos tinha o espaço suficiente para caberem umas 3 pessoas de cada vez, mas com a saberdoria do sr. Fernando nunca precisávamos de nos demorar muito por lá. Belos tempos, estes!

Quando regressei a Lisboa perdi o hábito de frequentar bibliotecas. A vida mudou e fui preferindo comprar os meus livros - gosto de os ter sempre comigo, de os reler quando me apetece, de tomar notas a lápis, sublinhar, torná-los ainda "mais meus".
Ontem regressei à biblioteca, e foi como se nunca tivesse saído de lá. É pena que não abra ao sábado, pois quero muito criar nos meus filhos este hábito que considero tão saudável. Quero ensiná-los a amar estes espaços repletos de letras, palavras, livros que chamam por nós.

Já sei em que actividades os vou colocar nas férias do Natal!






*Sim, eu morei no Cartaxo durante 3 longos anos da minha vida, para quem não sabe...

terça-feira, 2 de novembro de 2010

21 anos depois

Graças ao Facebook, reencontrei muita malta que não via há imensos anos...
Principalmente o pessoal que andou comigo na ESA (Escola Secundária dos Anjos), e que eu deixei de conseguir contactar há precisamente 21 anos.
Bem, reencontrei-os, recomecei a falar com alguns, marcámos um "mini-cafézinho ESA" num centro comercial, e lá fomos.
Como diz a Teresa, foi um "mini mesmo mini", mas de facto foram poucas e boas.
Neste sábado revi a Teresa, a Rita e a Elsa...
Não sei explicar bem o que senti. Muito mais do que alegria, muito mais do que emoção, muito mais do que saudades.
...
Tinhamos marcado às 15h30, no Parque Infantil. Mas chovia, e o parque estava todo molhado. Fiquei lá por perto com os filhotes, e entretanto liguei a confirmar se estaria mesmo no sítio certo. Estava, o resto do pessoal é que ainda não tinha chegado.
Chegámos "todas", arranjámos uma mesa, lá conseguimos que nos vendessem os cafés, as águas e os chupas.
O tempo passou a correr e pusémos parte da escrita em dia. Pelo menos, a versão curta do "o que tens feito estes anos todos", em que cada uma explicou mais ou menos sucintamente por onde tinha andado este tempo e o que fazia agora.
...
Apercebi-me que deixei esta malta sem dizer nada, abruptamente.
Foi no ano em que os meus pais resolveram mudar-nos de Lisboa para o Cartaxo. Foi no ano em que a minha adolescência e os meus amigos de longa data foram cortados quase pela raiz. Foi na época em que deixava 8que remédio tinha eu) a minha mãe interferir com essas amizades, o que fez com que eu deixasse de falar com grande parte das minhas amigas, com que nem uma explicação lhes desse na altura.
Espero agora ter explicado a situação.
Foi tudo tão de repente, saí de lá tão contrariada, tão revoltada, tão triste...
...
Uma vez mais, e embora a conversa não tenha tido tempo para evoluir muito para além do que já atrás referi, foi muito bom confirmar que os anos não apagam a cumplicidade da amizade. Ao fim de 21 anos, voltámos a falar e a brincar com o mesmo à-vontade que tinhamos antes.
Cada um foi para seu curso, cada um está em seu lado do país, mas continuamos a ter algo em comum, algo tão simples e tão forte como o termos feito parte de uma escola mal-afamada mas magnífica, unida, em que alunos, professores e funcionários se conheciam a todos.
Neste reencontro partilhámos episódios das nossas vidas actuais, e eles continuam a reforçar os laços que estabelecemos antes.
No que depender de mim, não vai ficar por aqui.
Gostei muito de vos voltar a ver, e quero muito voltar a fazer parte do grupo.
Quero muito recuperar o tempo que não estive convosco.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Jardins da Fundação Calouste Gulbenkian



Há tantos, tantos anos que não ia aos Jardins da Gulbenkian...
Foi tão relaxante a escassa hora que lá passámos.
Foi tão maravilhoso ver que tudo está igual: os percursos por entre arbustos, a possibilidade de inventar histórias em florestas labirínticas, a relva verdinha, o lago com os patos, as travessias da água por entre as lages de pedra.
Ele gostou de conhecer, eu adorei revisitar.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Sim ou Não?

Um passeio por alguns sites das novas redes virtuais fez-me voltar ao passado longínquo, aquele dos meus 18/19 aninhos e mais alguns, recordar caminhos e escolhas.
Essas escolhas que vamos fazendo ao longo da vida e que condicionam não só o imediato como todo o nosso futuro, e que de uma forma ou de outra, mesmo que não nos arrependendo delas, nos fazem depois questionar " e se...?".
Recordo hoje um filme que fui ver ao cinema Nimas - sala conhecida por ter sempre um tipo de cinema alternativo e por vezes mesmo muito estranho. Eu achava alguma piada por vezes, embora nem semore tivesse paciência para assistir a cenas muito maradas mesmo e que me faziam chegar ao fim das apresentações com a sensação de ter estado a dormir o tempo todo, uma vez que não conseguia perceber patavina do possível nexo que aquilo teria. Adiante.
Na época fui a reboque de uma amiga de faculdade, que por sua vez foi influenciada por um outro amigo e conterrâneo, ele sim reconhecidamente conhecido pelos seus gostos peculiares e nada convencionais sobre música, cinema, etc.
O filme em questão era francês (blhaaaarg) e chamava-se "Oui-Non".
Na verdade este filme eram dois filmes, ou seja, para vermos a história toda tinhamos de ir lá duas vezes assistir aos dois filmes, e consequentemente pagar dois bilhetes.
A ligação entre o primeiro parágrafo e o resto é que o filme mostrava precisamente a vida de uma familia, baseada na escolha que um dos personagens principais fazia logo na primeira cena. Já não recordo bem como era, mas sei que tudo partia do facto de ele aceitar (Oui) ou não (Non) fumar um cigarro que alguém lhe oferecia.
A partir desta primeira escolha, toda a vida daquela familia seguia numa direcção ou noutra, dando assim origem aos tais dois filmes completamente distintos que nós fomos ver.
Sem darmos conta, aquele filme 2-em-1 é um retrato fiel do que é e do que poderia ter sido (ou ser) a nossa vida.
A todo o momento, as nossas opções, as nossas respostas, as nossas reacções dão origem a acontecimentos que condicionam aquilo que vai acontecer de seguida. E é assim que se constroi uma vida, um destino, vários destinos.
O truque, se é que ele existe, passará talvez por agir em conformidade com aquilo que somos e no que acreditamos. Acredito também que seremos mais felizes (ou menos infelizes) se não estivermos sempre a olhar para trás e a pensar no "e se...".
Para recordar.

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Recordações de infância

Fui recentemente “forçada” a recordar a minha infância. Se foi feliz, se brincava na rua, quem eram os meus amigos, o que fazia.
Dei por mim sem saber muito bem o que responder, pois tanto haveria para contar... Claro que foi uma infância feliz. Amigos? No centro de Lisboa, ou tínhamos amigos no mesmo prédio (ou eventualmente rua), ou não havia muito disso até se entrar na escola primária.

Tive a sorte de ter o M. no mesmo prédio que eu. Brincadeiras de miúdos, fins de semana no Casal, as mil e uma coisas que inventávamos juntos para passar o tempo.

Da minha infância o que recordo melhor são as idas diárias com a minha mãe à praça, com a sua cesta de palhinha. Passar no peixe, na fruta, nos legumes. O Ambiente daquele mercado tinha um cheiro muito especial. Ali vivia-se de tudo, comprava-se de tudo.
Passávamos pela Flamingo para espreitar os jornais, no Tebas para um café e para a minha mãe comprar a Tele-culinária ou uma lotaria, passávamos no sr. Mário (o sapateiro), e regressávamos a tempo de colocar na mesa o almoço, sempre às 12h30, pois o horário de bancário do meu pai não permitia atrasos. Depois de almoço, até a pasta já estava na escova de dentes à espera dele.

Recordo com muita saudade as férias dos meus primos. Nessa altura, a minha casa transformava-se numa espécie de colónia de férias. Anualmente, a juntar às tarefas diárias da minha mãe, havia as idas ao Castelo de São Jorge, ao Miradouro da Senhora do Monte, à Piscina de Vila Franca. Lembro-me do ar admirado das pessoas, ao verem-na desfilar com umas 6 crianças atrás, todas de idades muito semelhantes, e da célebre pergunta/brincadeira a propósito de um anúncio muito em voga na altura: “Terá casado aos 15?”. Quando éramos só as meninas, as “brigas” eram por causa da cama e do sofá. Tínhamos de tirar à sorte para ver quem ficava no sofá – era a parte mais divertida, pois dormiam ali sempre 2, e além disso poderiam ter o privilégio de ver tv um pouquinho até mais tarde.

Naquela casa que hoje parece minúscula (actualmente seria considerada um T2), cabiam nas festas de anos, baptizados e outras festividades, as cerca de 35/40 pessoas que compunham a família e amigos chegados. E não faltava espaço, ninguém se queixava. Cantávamos, brincávamos, fazíamos gravações no velhinho gravador de cassetes, que ainda guardo não sei bem onde. Havia gente por todas as divisões da casa, mas para nós o importante era mesmo estarmos juntos.

Na minha infância, entrei no Lisboa Ginásio Clube aos 3 anos de idade (passei por inúmeras modalidades entretanto), na escola primária, na catequese e na natação aos 6, e nos escuteiros aos 11. E nunca perdi um ano lectivo, nem faltei a nada para estudar…

Lembro-me de comprar “estalinhos” de carnaval e com o meu pai tentarmos assustar as pessoas que nos visitavam, lembro-me da visita mensal do senhor do Círculo de Leitores que, a partir do momento em que entrei para a escola primária, passou a ser uma visita de extrema importância, pois trazia sempre algum livro para mim.

Com o meu pai os passeios eram diferentes. Ensinou-me a ler os seus livros antigos – foi daí que herdei o gosto pelos clássicos, lia comigo e depois falávamos sobre eles. Anualmente tínhamos uma verba destinada a ser gasta na Feira do Livro, que percorríamos Parque Eduardo VII acima e abaixo. Anualmente íamos os 2 aos Santos Populares, calcorreando os bairros antigos e bailando onde havia um pezinho de dança.

A entrada na escola foi pacífica. Fiz os 4 primeiros anos na escola 26, segui depois para a Preparatória Nuno Gonçalves. Aí passei talvez os melhores anos da minha vida escolar. Amizades, as aulas de Educação Física e Trabalhos Manuais, o começar a ir e vir sozinha para casa, os feriados passados na belíssima biblioteca que a escola tinha. Já a passagem para a Secundária foi mais drástica. Embora a 2 minutos de casa, era um edifício velho, quase sem pátio, sem ginásio, e com um bar que pouco mais servia que uns papo-secos com salsichas quentes lá dentro banhadas em mostarda. Mas aqui foram também os tempos das primeiras revoluções escolares, com uma turma de “caloiros” do 7º ano a rebelar-se contra uma professora. Foram os tempos das primeiras baldas, das descobertas, das amizades “estranhas”, da fase do passa-não passa de ano.

a minha Escola nº26


As férias eram passadas em parques de campismo, no nosso atrelado. Primeiro as Azenhas do Mar (ai…), depois o Sobreiro (ai ai…). Depois de novo as Azenhas mas agora nos apartamentos da Alzirinha, com os seus gansos que me faziam correr de medo, gatos, galinhas e coelhos. O “Pão-por-Deus” que nos levava de porta em porta até á Praia das Maçãs. As idas aos caracóis, que o meu pai fazia divinalmente bem, os passeios pelas falésias Janas, a Praia da Maçãs, a Praia Grande. Depois veio a era Nazaré. As cantorias (com as minhas primas) em cima do poço, imitando as coreografias da Joia do Nilo, o café dos “quadradadinhos”, a boite aranha, o fulano todo jeitoso que nós galávamos à distância, o jogo do Quando o Telefone Toca já deitadas na cama. Os pic-nics na vinha do primo Zé Manel, os banhos no tanque, a fruta comida directamente das árvores, o leite bebido acabadinho de ser mugido, quente e gorduroso (blhaaaarg).

Eu, Miradouro das Azenhas do Mar, há uns 28 ou 29 anos


Os Natais, passados com toda esta família gigantesca, normalmente no Cartaxo. A hora das prendas e as brincadeiras que imploravam que essa hora chegasse mais cedo. Dormirmos todos em colchões no chão, rindo e brincando até cairmos de cansaço. Os cozinhados das minhas tias, as cusquices e as brigas que tinham, os doces na mesa, a lareira acesa, a primeira tv já com muitos canais (que na altura de nada serviam). As saudades que tenho destes Natais…

Foi isto, muito resumidamente, a minha infância.
Era uma infância assim alegre que gostava de dar aos meus filhos. Aos meus primos pequenos e grandes. Porque é que agora somos forçados a ter famílias tão pequenas?

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

Foi bom regressar




às Azenhas do Mar, terra e praia onde passei uma parte muito bonita da minha infância!

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

Ouvi pela primeira vez esta história em Dezembro de 1988, no Parque de Campismo das Azenhas do Mar, acampamento de Natal dos Exploradores Séniores (actuais Pioneiros), contada na noite do Fogo de Conselho pelo Juan Francisco.
O Juan tinha o Dom da Palavra, e prendia-nos a tudo o que dizia. Foi um dos meus primeiros Chefes e sempre foi dos que mais cativou. Ensinou-nos a ouvir, a falar, a abrir o coração aos mais pequenos pormenores de cada história, de cada parábola.
Naquela noite, em que a tradicional fogueira ao redor da qual costumávamos sentar-nos a celebrar o fim de mais um dia ou actividade fora substituída pela lareira de chão da sala de convívio do Parque, sentámo-nos a ouvir em silêncio a história daquela boneca que tinha procurado o mar sem saber bem porquê, e descobriu que afinal só seria ela própria se fosse ele, se fosse mar, se se deixasse transformar em algo maior.
Nunca mais a esqueci.
Interrogo-me muitas vezes se teria a coragem da boneca. Se a tenho em mim.
Por vezes acho que sim, pois costumo entregar-me a fundo em tudo aquilo em que me meto. Outras alturas acho que não, acho que estou a perder essa coragem, esse espírito de entrega. São fases, espero.
Por instinto a Boneca entrou, confiou. Aquilo não seria a sua morte, mas sim o começo de uma nova vida. Ali era o seu mundo, a sua casa.

terça-feira, 6 de novembro de 2007

2 anos depois

2 anos depois da mudança para a casa nova, a garagem ganha aspecto de garagem.
Passo a explicar.
2 semanas antes da mudança, o local onde tínhamos todos os nossos bens sofreu uma inundação. Foi uma situação horrível, mas que já passou e não importa agora ao caso. Isto serve agora para justificar o facto de haver diversos caixotes que mal tinham sido abertos, outros que tínhamos tirado as coisas lá de dentro para poderem secar e não se estragarem mais, mobilias que entraram na garagem e lá ficaram, por não fazerem parte daquilo que pretendíamos para a nova "decoração".
Por outro lado, o facto de termos de andar à procura de coisas que entretanto faziam falta, de literalmente atirarmos com sacos, caixotes, novas compras, etc, lá para dentro, fazia com que um espaço com uns 30m2 se tornasse quase impenetrável e de difícil acesso.
Enfim, 2 anos depois fartámo-nos de esperar pelas estantes caras que gostaríamos de comprar, e há umas 3 semanas atrás resolvemos arrumar tudo mesmo assim.
Claro que esta arrumação resultou num reencontro com diversas coisas que há muito não víamos. Livros, roupas, utensílios e utilidades, e principalmente fotografias...
Uma vida em conjunto de 8 anos ali se encontrava perdida, esquecida.
As primeiras fotos. As primeiras férias, os primeiros dias, os passeios, as escapadinhas às escondidas, nós jovens e elegantes, o namoro, o casamento, todos esses bons momentos do nosso crescimento.
As fotos da Filipa.
O primeiro dia, a primeira fralda mudada, o primeiro banho, a primeira sopa, a primeira papa.
Voltar a vê-la a crescer, recordar que esta menina grande e crescida já foi pequenina, já foi bebé.
Lindo lindo LINDO!
Resolvi uma coisa. Vou digitalizar tudo. TUDO.
E já comecei. Nestas 3 semanas já digitalizei cerca de 400 fotos, das mais diversas ocasiões.
E os livros... reencontrei os meus livros! Juntei todos num caixote, limpei-os, olhei-os com o carinho de quem reencontra velhos amigos, velhas histórias. Também já comecei a reler alguns.
É bom, muito bom remexer em boas recordações...

sexta-feira, 26 de outubro de 2007

Miradouro das Azenhas do Mar, eu, há muitos muitos anos atrás...

sexta-feira, 12 de outubro de 2007

domingo, 15 de julho de 2007

Aos poucos, as fotos de familia vão tendo cada vez mais imagens que se explicam aos mais novos que "eram" pessoas que eles não chegaram a conhecer...

quarta-feira, 27 de junho de 2007

ainda numa de recordações...

Eu e os meus meninos "pequenos", Outubro/96, Costa da Caparica

Eu e os meus meninos "grandes", Março/2000, na belíssima Alvoco da Serra

Eu, talvez em 95 ou 96, Cabeço de Montachique

segunda-feira, 25 de junho de 2007

porque 20 anos é muito tempo...

1985
1986
1986 1987
... vale a pena recordar bons e velhos tempos!

sexta-feira, 22 de junho de 2007

2 anos!!!

Pois é, já lá vão 2 anitos desde que me rendi a esta coisa da blogosfera!
Parabéns a mim (sem falsa modéstia), parabéns e muito obrigada aos que me lêm, pela sua santa paciência em me aturar, por me "ouvirem",
por me acompanharem nos bons e nos menos bons momentos!

segunda-feira, 14 de maio de 2007

14.05.2005

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2007

recordações

Estive a reler este post... e parti-me a rir com ele e com os comentários:

http://naodiariodesofes.blogspot.com/2006/05/conversa-da-engorda.html

domingo, 18 de fevereiro de 2007

:(

Presa a memórias, a recordações com anos e anos, numa juventude longínqua e perdida, verdadeira, de medos que me impediram de avançar e me fizeram tomar opções. Boas, más, quem sabe...
Presa nos "e se eu tivesse...", "se eu não...", "se antes..."
Pior é não ter com quem partilhar, ninguém compreenderia, ninguém saberia responder ou ajudar. Há coisas que não se podem contar, que não seriam entendidas, ou seriam mal entendidas. Nada de mal, claro, mas as pessoas não costumam perceber certas dúvidas.
Já tentei há uns tempos, desabafar estas inseguranças. Não tenho com quem, agora. Aliviei na altura, serenei e regressei ao presente. Mas num clique agora tudo regressou. Um clique dessa maravilha da internet onde o anonimato é quase impossível, onde todos se encontram, querendo ou não. É, a internet...
Felicidade? O que é a felicidade? Sou feliz? O que é ser feliz?
Não sei se acredito nesse conceito, pois nem sequer o sei definir. Logo, não sei responder a estas questões que me atormentam.
E se as coisas tivessem sido diferentes?
Em conversa, disseram-me um dia que não se era feliz. Pelo menos por inteiro. Que a felicidade de uma pessoa se media pela diferença dos somatórios dos momentos felizes e dos infelizes. O que pesasse mais, ganhava.
Não sei como fazer essas contas. Acho que talvez ganhe o lado bom... embora às vezes, em momentos menos bons, pense o contrário.
Os ultimos dias encheram a minha cabeça de recordações, de dúvidas, de sentimentos de culpa por causa dessas mesmas recordações.
Olho-me ao espelho e não me reconheço no que vejo. Procuro aquela jovem de aventuras, ideais, paixões e objectivos, mas não a encontro.
Mergulho no fundo dos meus olhos e vejo o passado, tento perscrutar o futuro e descobrir o que me aguarda, adivinhar as melhores opções a tomar, tentar não cair nos mesmos erros.
Será que foram mesmo erros? Não sei, nem isso sei...
Sei que preciso de me encontrar, reencontrar o meu caminho, o meu futuro, esquecer a angústia que me invade agora e prosseguir.
Todos seguem a sua vida, e isso é uma verdade inquestionável. Irremediável.
E se...

quinta-feira, 23 de junho de 2005

Memórias de infância I

A primeira recordação que tenho de mim mesma, nem sei quantos anos tinha, mas eram poucos de certeza. Estava na cama de grades, no quarto dos meus pais, a atirar os brinquedos para fora da cama. Não me lembro de mais nada, nem sequer de quem os estaria a apanhar, decerto não muito contente com a situação. J

Lembro-me de ter “nascido” e crescido sempre no mesmo bairro, o MEU bairro, bem no centro de Lisboa.

Todos os dias ia com a minha mãe à praça. Íamos sempre à mesma senhora comprar o peixe, pois ali era sempre fresquinho, à mesma banca comprar a fruta, a outra banca, mas também quase sempre a mesma, comprar batatas e outros legumes.

Perto da praça havia uma mercearia “das finas”, onde se comprava bolachas e bolinhos secos a granel, para as festas. Uns anos mais tarde, era lá que a minha avó gostava de comprar a tapioca… huuuuum que bem que ela fazia tapioca!

No regresso passávamos na leitaria Ucal para comprar o leite do dia, na mercearia para comprar fiambre ou aquelas fabulosas alheiras de Mirandela (as verdadeiras). Lembro-me de passar na drogaria do senhor Luís, só para lhe dizer bom dia. De passar na oficina do senhor Mário, o sapateiro, que até há poucos anos ainda lá resistia, continuando um ofício já tão raro nos dias que correm. Na mesma rua havia uma papelaria, a Flamingo, onde a minha mãe comprava pequenas lembranças para a família, ou livrinhos para os meus primos, os kalkitos (lembram-se dos kalkitos???) para mim, nos dias de “festa”, mais tarde comprava também algum material escolar.

A meio da minha rua, no cruzamento, havia (e ainda lá está) uma padaria. Por vezes a minha mãe deixava-me ir lá buscar o pão sozinha… que orgulhosa eu ficava por ser incumbida de uma tarefa tão importante! O pão era embrulhado em papel, daquele absorvente que depois se guardava numa gaveta, para absorver o óleo quando fritávamos batatas. Outras vezes levava um saco, de pano.

Do outro lado ficava uma loja de meias, lãs e outras utilidades. Era lá que a minha mãe e a minha avó mandavam remendar as meias de vidro. Sim, porque naqueles tempos as meias eram caras, e havia quem as sabia recuperar na perfeição… agora vão simplesmente para o lixo!

O nosso carro, um Peugeot 104 azul – de um azul que já não se usa, estava sempre estacionado na nossa rua, pois havia imensos lugares. Quando saíamos de carro, os meus pais iam meter gasolina à garagem mesmo ali pertinho, que ficava dentro de um prédio – coisa impossível de imaginar nos dias de hoje!!! Esse carro foi comprado no ano em que eu nasci. Durou 18 aninhos! Muito chorei eu por o ver partir sem nunca ter tido oportunidade de o conduzir…

Morei 15 + 5 anos naquele bairro… ainda hoje, sempre que vou a Lisboa, lá passo para matar saudades!

(15 mais 5 não significa necessariamente que foi até aos 20 anos… mas essa história fica para depois)