sexta-feira, 26 de março de 2010

M., ou como eu me tornei mais tolerante em 6 meses

As ultimas semanas com a M. não têm sido fáceis.
Sinto-me como numa espécie de BigBrother, em que nos primeiros dias se faz um esforço comum por agradar, mas à medida que se esquecem da presença das cameras, vão deixando cair a "pintura".
Sim, a minha paciência vai sendo pouca, e os limites da tolerância são cada vez menores. Mas que ninguém se iluda, sou hoje mais tolerante do que era há 6 meses atrás. Pelo menos não expludo no primeiro ímpeto...

À pergunta que me é recorrentemente feita sobre se estou arrependida de me ter metido nisto ou não, a resposta é Não.
À pergunta sobre se me vou meter noutra um destes dias, digo, Talvez, mas daqui por uns anos.

Não estou arrependida, e gosto da miúda.
Simplesmente é uma questão de feitios, de hábitos e de maturidade. Nem sequer é uma questão de diferenças culturais, porque o que mais me irrita nela não tem tanto a ver com a cultura do país propriamente dito, mas com a sua personalidade (fraca...) e com a falta de preparação que uma jovem de 17 anos tem para a vida.

A M. é educada e simpática. Nesses campos, não tenho qualquer questão a apontar-lhe.
Acata genericamente bem o que lhe dizemos, e quando contesta fá-lo de forma educada, embora geralmente sem argumentos muito pensados, nem sempre válidos e completamente desadequados ao que se esperaria de alguém com a sua idade.

Mas tem laivos de uma coisa que eu definiria como "maníaco-depressiva", pois quando encasqueta uma coisa na cabeça, nada a demove de tal. E faz isto principalmente com a comida, que é uma coisa onde eu não dou qualquer margem para brincadeira lá em casa. A ninguém.

Por exemplo ela diz que não gosta de tomate.
Eu aceitava, não fosse ela adorar sopa de tomate, molho de tomate na pizza e na carne e arroz de tomate.

No outro dia num restaurante, quis comer uma omelete de queijo. Comeu, mas deixou no prato uma fatia de queijo. Dizia ela que não gostava de comer o queijo assim, só na omelete. Mas os pequenos almoços dela são invariavelmente fatias de pão com bocados de queijo em cima.

Aliás esta é outra das suas características que me leva ao rubro. Quando descobre uma coisa de que gosta, apenas come daquilo. Esteve semanas a comer cerelac. E tive de deixar de comprar para ela se convencer.

E tantos, tantos outros exemplos...

Outra das coisas que me faz muita confusão é a falta de sociabilidade dela.
Após 6 meses de aulas, não tem amigos. Quer dizer, fala com alguns colegas de escola, mas não tem amigos, daqueles que vão ao cinema, que vão beber um café ao fim de semana.
Quando vamos a algum lado em familia, ela coloca-se sempre atrás de nós, tipo cachorro abandonado. Se vamos ao café, põe-se ao balcão à espera que eu ou o Z. lhe perguntemos se quer alguma coisa, ou fica a olhar para os empregados à espera que lhe perguntem o que quer pedir. Quando alguém pergunta, baixa os olhos, entrelaça as mãos uma na outra (tipo autista quase), e responde num tom de voz muito baixinho, obrigando-nos quase sempre a pedir-lhe para repetir.
Ao fim de 6 meses, não é capaz de entrar numa loja lá onde moramos e pedir que lhe mostrem alguma coisa.

Ora, e eu que estou longe de ser uma super-mãe mas que educo os meus filhos para serem autónomos, que os ensino a falar com as pessoas, a respeitarem a comida que têm na mesa e a comerem de tudo, faz-me muita confusão.
E claro está que tem gerado algumas conversas mais acesas, inclusive com o Z., que é o oposto de mim: ponderado e cuidadoso, e a quem ela faz também saltar a tampa com relativa facilidade.
Por exemplo com tudo o que envolva dinheiro.
Não vou agora dissertar aqui sobre isso, mas tenho a certeza que ela pensava que lá em casa nós éramos ricos. Tirei-lhe isso da cabeça este fim de semana, depois de mais umas brigas.

E isto, são só alguns exemplos...

2 comentários:

Anónimo disse...

Faltam-lhe escuteiros ...e talvez alguns problemas se esfumassem!

S disse...

Eu diria que lhe falta mais um cérebro... mas isso sou eu que tenho mau feitio...