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segunda-feira, 26 de maio de 2008

(in)decisões, compras, comportamentos, alturas, leituras

Há uns 7 ou 8 anos atrás (já nem me lembro quando foi), fomos à Moviflor mais perto de casa comprar uns sofás baratuchos que remediassem a situação até haver tempo para comprar uns melhores e mais resistentes. Esses mesmos sofás resistiram a 1 inundação em que um deles ficou totalmente submerso e o outro por metade, uma mudança de casa, 7 anos de Filipa e 3 de André. Um deles partiu-se de vez entre o ultimo Natal e a passagem de ano (o que lhe valeu uma ida directa para o contentor mais próximo de casa, e para o Bóris umas forras novas para a casota), e o sobrevivente está ainda na sala, assente em não-sei-quê para não partir o resto, até que haja tempo para comprar outros sofás, provisórios ou não.
Diversas situações levaram a que entendêssemos que era tempo de fazer o esforço definitivo de comprar agora os ditos, e já fizémos diversas incursões a diversas lojas paraos tentar comprar. Entre outras coisas, deparamo-nos com diversas questões que nós, os 2 adultos e decisores lá de casa, não consigamos chegar a uma conclusão sobre uma aquisição tão importante: o plafond disponível não é muito, os nossos gostos não são iguais neste campo (aliás, são até bastante diferentes), os tamanhos: compramos 2+2 ou 3+2?, cores, pele ou tecido, etc etc etc.
Bem, isto tudo para relatar o facto de este sábado termos saído de casa de manhã para uma vez mais procurarmos os ditos. Fizémos um brevíssimo regresso para almoçar, e acabámos em Lisboa, a percorrer as mesmas lojas do mês passado.
No meio disto tudo, os miudos, sempre connosco e a delirarem com aquela correria: senta aqui senta ali, não mexas nos candeeiros, não põe os pés em cima dos sofás de pele sff, não se atirem para cima dos puffs, párem de correr pelas lojas para não vos perdermos de vista, etc etc etc. Ao estacionar o carro ao pé de cada uma, sempre o mesmo raspanete à Filipa, sempre as mesmas promessas do André: Eu porto-me bem mãe, não corro e não ponho os pés nos sofás.
Eis que chegamos à ultima loja do dia, a abarrotar ainda mais do que as outras (cadê a crise?????): o Ikea.
"Boa", pensei eu, "Aqui podem ficar no parque infantil... sempre ficamos um bocadinho mais descansados"
Lá vamos nós preencher os papeis, pega 2 caixotes, tira sapatos, tira BI, vai para a fila. O André começa a olhar entusiasmado para as brincadeiras lá de dentro, e impaciente para entrar. Mas tínhamos ainda umas 4 crianças à nossa frente, e a lotação estava quase esgotada. No meio disto, ainda me disse: "Mãe, vou para ali brincar com a mana mas tu ficas aí a ver-me, sim?" Pois...
Ao chegar a nossa vez, o rapaz diz-nos meio aliviado que temos sorte, pois ainda tem 2 vagas. "Pode entrar o menino".
"Sim, mas são os dois mesmo..."
"Os 2? huuuum, olha, encosta-te ali àquela parede" (para a Filipa)
Encostou-se. Passava uns 3 ou 4 dedos da altura máxima. Um cartaz dizia: para crianças entre os 85 e os 125cm.
"Pois, excede o limite, a menina não pode ficar"
"Se a Mana não fica eu também não" exclama logo o André.
Desilusão estampada nos nossos 4 rostos, cada um pelos seus motivos.
Lá vamos nós, direitinhos aos sofás - também só íamos ver mesmo isso, não havia de ser assim tão mau... A não ser... Todas as centenas de pessoas que estavam naquela tarde no Ikea e que se acotovelavam para passar, mexer, ver tudo, que nos impediam de irmos direitos apenas e só ao nosso objectivo. Mas lá chegámos.
Aquelas instruções todas que tínhamos passado o dia a incutir-lhes? Esqueçam lá isso.
A Filipa já sabe ler...
O magnífico Ikea tem cartazes espalhados pela loja, que incitam precisamente as pessoas a experimentar, a deitarem-se nas camas, nos colchões, nos sofás. Só falta mesmo dizer: Saltem aqui em cima à vontade, isto não parte mesmo!
Não, não foi assim tão mau. Como me disse a empregada da primeira loja a que tínhamos ido, há crianças verdadeiramente mal comportadas, e até nem é o caso dos meus. Modéstia à parte, são muito irrequietos, mas não posso apelidá-los de mal-comportados. Mas no mínimo foi...
- cansativo, desgastante, repetitivo estar sempre a dizer as mesmas coisas um dia inteiro (pela nossa parte)
- bestial, super-divertido, o máximo andar aos saltos naqueles sofás todos em que os senhores tinham lá escrito que podíamos experimentar à vontade todos os artigos (pela parte deles, em especial a Filipa).
No fim?
No fim não comprámos (ainda) os sofás. Mas comprámos finalmente os toalheiros que estavam esgotados há 2 anos e ainda fomos jantar a casa dos primos.
Para eles? Um dia em grande.
Para nós? Mais um dia frustrante sem chegarmos a conclusão nenhuma, mas que após um jantar-surpresa em casa dos primos E. nos trouxe a casa pelas 00h30, cansado mas divertidos.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Numa livraria num shopping de Lisboa

(empregada da livraria) – Posso ajudá-la?
(eu) – Não sei bem... ando à procura de um livro para ler.
- Que livro procura?
- Não sei. Um bom. Para ler hoje. Não sou muito esquisita...
- Mas que livro procura? Gosta de que género de livros? Romance, poesia, história, técnico...?
- Romance, talvez. Ou ficção.
- Pois, assim é difícil.
- Deixe, eu procuro sozinha.
(adoro folhear livros numa loja para decidir o que comprar)
(mas a senhora insistiu...)
- Mas gosta de que autores? Se me disser o nome posso ajudá-la. Assim é mais rápido.
- Gosto de muita coisa. Deixe estar que eu procuro. (farta da conversa)
- Mas diga lá. Concerteza tem algum autor favorito.
- Olhe, já lhe disse que gosto de muitos géneros de escrita. Mesmo muitos. Gosto de Nicholas Sparks, Isabel Allende, Graham Greene, Paulo Coelho, Dan Brown, JK Rowlings, Agatha Christie, Miguel de Sousa Tavares, gosto muito daquele autor de “O meu pé de laranja lima”, e recentemente li o “As velas ardem até ao fim”. Pode mesmo ajudar-me???
- Ah pois... (exitante) Se calhar é melhor ver a senhora...
No fim, acabei por não comprar.
Recebi um telefonema a dizer que afinal eu não tinha de esperar mais umas horas por boleia para casa.
eh eh eh