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quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Em directo

Assisto em directo às reportagens e ao resgate do 21º mineiro do Chile.
Não consigo evitar a tremenda emoção que sinto...
É tão complicado imaginar sequer a angústia daqueles homens, a 700 metros de profundidade, no escuro, quase sem contacto com o exterior.
É igualmente complicado imaginar a angústia daquelas familias, o medo, a saudade, o desespero de não saber o desfecho desta odisseia.
Eu, que ficava apavorada de cada vez que o Z andava de avião... Que ficava em suspenso, com um medo inexplicável enquanto não o ouvia do outro lado a dizer "cheguei, estou bem".
O engenho humano é fabuloso.
A capacidade de ajuda, quando os Homens querem, é fantástica e imesurável.
A resistência, a capacidade de sobrevivência, a capacidade de lutar e de se adaptar às maiores diversidades, a Fé...

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

solidariedade

Faz hoje 9 dias que ocorreu o sismo no Haiti.

Ouve-se falar disso em todos os noticiários, em todos os jornais, na internet, as conversas no café, onde quer que se juntem 2 pessoas... Cá em casa temos por hábito jantar às 20h00, e temos a tv da cozinha acesa para vermos as notícias.

Isto tudo para dizer que, por muito que alguém quisesse, não conseguia escapar à notícia.

...


Na passada 3ª feira (1 semana após a catástrofe, portanto), a Lady resolveu perguntar:

"o que aconteceu, porque é que chamam àquilo catástrofe? Porque estão sempre a mostrar aquilo?"


Até o A. ficou admirado com a pergunta. Sem perceber de início se ela estava a perguntar aquilo a sério ou se estava a brincar - brincadeira de muito mau gosto mas enfim, eu ainda me atrevi: "tás a gozar comigo, não estás?"

Não estava.

"Ó M., mas tu não prestas atenção ao que se está a passar à tua volta? Temos a tv ligada em todos os telejornais, só se fala nisso, e tu perguntas porque é que chamam catástrofe a um sismo daqueles?"

Com o ar mais frio do mundo, ela responde:

"Sim, eu sei que houve um sismo, mas já passou"

...

Claro, quem se passou fui eu, e muito, da cabeça. Como é possível que uma miuda de 17 anos falasse de um sismo daqueles, com a quantidade de mortos, feridos, desalojados, desaparecidos, e tudo o mais que por ali prolifera, com tanto desprendimento e tanta frieza???

Depois de lhe dizer meia dúzia de coisas, larguei o assunto, pois não adiantava muito...

...

Ora, hoje estávamos de novo a ver as tristes novidades sobre o mesmo Haiti, já terminada a refeição mas ainda com toda a familia à mesa. A Lady, de costas para a tv, dá uma espreitadela e comenta, com uma gargalhada: "Que engraçado, vocês estão todos com um ar tão sério a ver aquilo, ah ah ah".

O Z, pessoa de muita calma e paciência, passou-se completamente.

Depois de muita argumentação, de lhe tentarmos explicar a importância da solidariedade, o sentimento de impotência de pessoas como nós, que estão longe, e dos que para lá foram ajudar mas que não têm meios para chegar a todos os haitianos, ela continuava impávida e ainda sem perceber porque é que tanta gente assistia triste ao desenrolar dos acontecimentos, e muito menos porque é que tantas outras pessoas acorreram para lá, estavam a ajudar nas buscas, nos hospitais improvisados, na distribuição de comida.

Sim, um ar de completa admiração pelo nosso sentimento de compaixão, pelo desgosto que sentimos e demonstramos ao ver as terríveis imagens que passavam na tv.

O Z. disse-lhe, que as pessoas gostam de ajudar, que se sentem bem com isso, que sentem natural compaixão por um povo que está a sofrer de uma forma atroz com uma catástrofe natural, que nós portugueses, somos um povo naturalmente solidário. Mas nada...

Ainda disse, com naturalidade "Pois, mas a Noruega é um país rico. Nós temos muito dinheiro, mas não gostamos de dar muito. Eu acho que a Noruega deu dinheiro, mas de certeza que deu pouco dinheiro, porque não gostamos de dar muito do nosso dinheiro. É assim, é a verdade." E ainda achou que se devia justificar: "Mas eu acho que quando eu tiver o meu próprio dinheiro eu vou dar um pouco a quem precisa".

Fiquei tão triste... tão desiludida, tão frustrada...
É-me incompreensível ver como uma rapariga com 17 anos é assim tão... insensível, tão fria, tão desprendida de sentimentos pelo sofrimento alheio.
Pela primeira vez em 4 meses, quase me senti arrependida de a ter acolhido. É mau dizer isto, mas foi o que senti naquela altura. Depois pensei, não será também esta uma oportunidade de lhe mostrar o outro lado? Não estará aqui um pedacinho da minha missão, em tentar mudar um pouquinho desta personalidade egoísta?

sexta-feira, 24 de julho de 2009

A criança teria entre os 5 e os 6 anos, nem mais, nem menos.
Assim que cheguei à praia, o aparelho branco de marca Acer estava em cima de uma cadeira, daquelas que se levam para a praia para sentar, mas não lhe liguei.
Toalhas, protector, banhos.
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Quando regressei da água, uma melodia familiar ouvia-se à distância...
Assim que me aproximei, reparei que a "Leopoldina e o mundo encantado dos brinquedos" soava do pequeno computador dos vizinhos do lado, estridentemente. Correcção, não era dos vizinhos, mas sim da criancinha, porque ela não deixava que nenhum dos avós tocasse no seu computador.
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Quem me conhece, calcula como fiquei entusiasmada com tal espectáculo, que ainda melhorou...
Após ouvir aquela música umas 7 ou 8 vezes (pelo que a criança, de seu nome Camila, dizia aos avós, era a sua preferida e por isso queria ouvir muitas vezes para não se esquecer), lá o avozinho conseguiu convencer a sua estremosa neta a chegar-se para perto da água.
Mas o meu descanso durou breves instantes, até S. Exa. se apreceber que para chegar à água tinha de andar, e que o Avô não a iria levar ao colo (não sei como ele conseguiu resistir).
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Regressados, ela sentou-se de novo na sua cadeira, e queria brincar aos castelos.
Submisso, o Avô querido foi buscar um balde de água do mar à netinha. Mas o azarado do senhor colocou o balde 2 palmos mais ao lado do que a Camilinha queria, e ela desatou num pranto.
Atenção, que quando digo "pranto", é um daqueles a sério, com direito a baba, ranho, pontapés na areia, e no respectivo balde (que para lhe pregar um pontapé ele afinal estava mesmo a jeito).
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Ao ver a minha cara horrorisada, a Avó ainda ficou amofinada, e exclamou "estas pessoas são tão enjoadas que até mete dó", mas com medo de levar um pontapé da menina eu nem respondi...
Claro que esta cena terminou apenas quando o Avô foi buscar outro balde cheio de água, porque a menina se assim não fosse não se calava.
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E nas 2 horas que eles estiveram na mesma praia que nós, aquela criança fez pelo menos 3 birras, nunca saiu da sua área de conforto - entenda-se, a que estava protegida pelo chapéu-de-sol, e no fim lá carregou tudo em cima dos avós para irem para casa porque ela estava cansada.
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Bem, tudo isto para dizer que esta história, por incrível que pareça, é verídica.
Passou-se esta manhã na Praia do Alvor, em Portimão.
Não sei se tenho mais pena da criança ou dos pais.
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Depois disto, restam-me as saudades dos tempos em que ia para a Costa da Caparica de barco e autocarro, e ao nosso lado se instalavam gigantescas famílias com o belo do Rádio de Pilhas em altos berros o dia todo...

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Crise

Angustia-me ver os noticiários.
Angustia-me ler os jornais, o que é ainda mais penoso, não fosse o facto de a minha primeira tarefa diária na empresa ser precisamente... ler os jornais do dia.
Porra pá, será que têm de estar sempre a falar na crise???
Sim, eu sei que ela existe.
Aliás, todas as pessoas que trabalham (e principalmente as que estão desempregadas) sabem que a crise está aí. Sei disso quando vejo o meu saldo bancário, sei disso quando vou ao supermercado, sei disso quando sei que tenho um marido em casa, a enviar dezenas ou centenas de CVs por semana.
Mas...
A crise não vende jornais, certo?
Não acredito que falem disso para serem sensacionalistas, pois se é um tema mau e triste para TODOS, duvido que alguém compre ou veja qualquer jornal ou programa de Tv por causa dela.
Então... para quê falar disso com tanta insistência?
Porquê estar sempre a reforçar e a relembrar ao pessoal que o dinheiro já não chega para tudo, que temos de optar entre a carne de vaca ou carne de frango, entre a pescada ou o salmão, se nós já o sentimos na carteira?
Deprime-me fortemente estar constantemente a ver a desgraça geral escarrapachada na TV, o reforço constante da pobreza daqueles a quem não se pode ajudar, o olhar de quem não tem mais hipóteses, mais recursos, mais forças para lutar.
Sou egoísta por não querer ver?
Talvez seja. Talvez esteja a tentar não ver certas coisas.
Estou a enterrar a cabeça na areia?
(acho que isto é TM, deixem lá)

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Ia em trabalho com um colega, quando nos cruzamos com um grupo de crianças de um qualquer jardim de infância, que seguia em filinha, a ver a feira onde estávamos. Não teriam mais de 2/3 anos.
Delicio-me sempre que vejo grupinhos destes, pois lembram-me os meus, e a alegria com que contam as aventuras ao chegar a casa depois de uma "visita de estudo" semelhante.
O meu colega, também ele pai de um menino de uns 16 meses, comentou a rir-se: "olha um grupo de baixinhos! Ó baixiiiinhos!!! (agora a falar alto para os meninos)"
Mandei-o calar-se, pois as educadoras podiam não achar graça estar a chamar baixinhos aos seus meninos - embora, claro, o tom fosse carinhoso e não depreciativo.
Seguimos o nosso caminho e eles lá continuaram, na sua filinha ordenada, espreitando tudo com ares que iam do admirado, curioso, contente ou meramente distraído.
Umas voltas depois, voltámos a vê-los.
Reparo num menino com o cabelo tão loiri que era quase branco. Uns olhos azuis quase transparentes. Aqueles tipo catálogo, entendem?
Passámos por eles e este menino olhou para mim e sorriu. Um sorriso gigante, como se eu fosse a "mãe natal".
Sorri-lhe de volta e fiz-lhe uma festa na cabeça.
"Pára de te rir para o miudo, ó!", avançou logo o meu colega.
"Então porquê, que disparate é esse? Não estou a fazer mal, o miudo riu-se para mim..."
"Ora, se te ris assim para ele, ele vai pensar que quando crescer o mundo é bom e feliz. Não o queres desiludir aos 3 anos de idade pois não?"
(...)

quarta-feira, 1 de agosto de 2007

Acabei de ficar

muito agradavelmente surpreendida!
Não é que acabei de conseguir marcar uma consulta externa num hospital público...


... já para a próxima semana???
Quando a funcionária me disse se queria ir no dia 09 de agosto, ainda perguntei meio a medo se seria deste ano ou do próximo, ao que ela, surpreendida e aparentemente sem perceber a brincadeira, confirmou que era já para a semana.
Parece que há coisas que até funcionam.

terça-feira, 24 de julho de 2007

retirado daqui:

Preto vs. energia
Quando o monitor está todo branco (uma página do Word, por exemplo), o computador consome cerca de 74 watts. Quando está todo preto, utiliza, em média, 59 watts.
Partindo deste princípio, há alguns meses atrás, Mark Ontkush escreveu um artigo sobre a economia que poderia ser feita se a página do Google possuísse um fundo preto em vez de branco.
Levando em conta a altíssima popularidade do site, seriam economizados, segundo os cálculos de Mark, cerca de 750 megawatts/hora por ano.
Em resposta ao post, o Google criou uma versão toda escura do seu search engine chamada Blackle.com que funciona exactamente igual à versão original mas consome menos energia.
http://www.blackle.com/
Para mais informações podem consultar a página acima.

Por isso, e porque não custa mesmo nada, mudámos de "roupinha", e de homepage.

segunda-feira, 19 de setembro de 2005

o post da treta

Regresso às aulas.
Regresso dos dias mais curtos.
Regresso (quase) do outono.
"Regresso das novas" grelhas de TV.

Confesso que vi o 1º Big Brother do princípio ao fim (aquele do Marco e da Marta, do Zé Maria e da loirinha).
Confesso que nestes ultimos meses fiquei fã das novelas "Ninguém como Tú" e "Mundo Meu".

Agora, ter de ligar a TV nos poucos tempinhos livres, e levar em TODOS os canais com pretensos reality shows, onde uns mariconços (atenção que nada tenho contra homossexuais) tentam disfarçar homens... onde outros tentam transformar heterosexuais em mulheres, e ainda outro onde uns quantos pretensos famosos brincam às tropas??????
NÃO HÁ QUEM AGUENTE!
Fazem-me aguardar ainda mais tempo pelas novelas do que quando davam episódios repetidos dos Batanetes ou do Prédio do Vasco... Lá terei de me deitar ainda mais tarde se quiser ver o destino da Rita, para saber se a tia que afinal é mãe dela sempre lhe vai confessar a verdade.

Aiiiiiiiiiiiiiiiiii
Isto porque o Z. não gosta de ver séries tipo CSI, Donas de Casa desesperadas, Ficheiros Secretos ou Pretender...
Cheguei a uma (entre outras) conclusão: na casa nova vou ter uma TV daquelas que dá para ter no mesmo écran 2 canais ao mesmo tempo.


(confesso ainda outra coisa: lembram-se do Pedro do 2º BB? Aquele "craneo" de informática, com um MBA tirado nos EUA, que casou com a loira Lara? Pois esse craneozinho da informática agora anda a vender... químicos para ETARs! Sei isto porque me apareceu porta adentro no outro dia e as meninas lá da empresa ficaram de olhos esbugalhados a admirar "o" Pedro do Big Brother. OK, ele É um giraço!!! mas é baixinho... De que lhe serviu o BB?)

quarta-feira, 7 de setembro de 2005

Dormir?

São 4h06.
Não consigo dormir. Tenho algum sono, não muito, mas há umas 2 horas que ando às voltas na cama sem conseguir pregar olho.
Não sei porquê. Nenhum problema novo nem agravado, além dos já existentes, e esses já me habituei a dormir com eles...
Vim para a sala, liguei a TV, percorri os 49 canais e nenhum me interessa.
Resolvi vir dar uma espreitadela à blogosfera, coisa que não tenho conseguido fazer durante o dia.
Fui visitar amigos, deixei comentários, respondi a outros.
É giro andar por aqui. Uns dias mais do que outros, mas gosto de visitar vários blogs e de escrever neste, ainda que nada de muuuuito importante ou com grande nexo, como está a acontecer agora.
Deve ser da hora tardia (ou madrugadora, conforme o ponto de vista).

Vem-me à cabeça algumas notícias que ouvi ao de leve durante o jantar. Coisas más... infelizmente.

Como o caso de uma, mais uma, criança que morreu devido a maus tratos por parte da mãe e do padrasto. Um puto de 16 anos era padrasto de 3 ou 4 crianças... a que morreu tinha 6 anos, salvo erro. Nem ouvi a idade da mãe, mas devia com certeza ter idade para ter juízo. Vislumbrei a avó materna da criança (com várias deficiências e surda-muda de nascença) dizer com a maior cara de pau que o neto caía muitas vezes devido à sua deficiência, e por isso tinha sempre várias nódoas negras. Besta da "avó", que encobre uma "mãe" destas...

Como o caso do Ministério da Educação que, servindo de exemplo para as empresas privadas, dá emprego a "n" pessoas a coberto dos famosos recibos verdes durante anos, e manda para o olho da rua 30 pessoas sem sequer um aviso, sem sequer direito a indemnização, sem sequer direito ao subsídio de desemprego...
Uma delas, por sinal minha amiga, está grávida de 6 meses! Quando é que esta mãe, a 3 meses de ver nascer a sua criança, vai conseguir emprego seja onde for? E como vai aguentar esses 3 meses, mais os 4 necessários ao bebé para que seja aceite por um infantário, para poder ir à procura de emprego, entrevistas, etc? Beijinho grande para ti R.!

Enfim, os meus problemas diminuem logo assim que penso nestes.

quarta-feira, 24 de agosto de 2005

terça-feira, 23 de agosto de 2005

Amanhecer


Hoje Évora amanheceu assim, enfumarada.

Falámos com os Bombeiros.

Não é cá... é o vento que trás o fumo dos fogos que lavram no Centro do país.

(não falo mais disto, recuso-me. A não ser que haja boas notícias...)

sexta-feira, 19 de agosto de 2005

...

Este ano já morreram em Portugal em incêndios florestais
pelo menos 11 pessoas,
oito das quais bombeiros
17.08.2005 - 21h40 Lusa, PUBLICO.PT

Sem palavras

Poucas horas depois de ter publicado o último post, oiço que reacendeu.
Sem palavras.
Sem comentários.

Ardeu... simplesmente

Pampilhosa da Serra ardeu.
Qualquer incêndio me aflige, mas este, pelas suas gigantescas proporções e pelo sítio, afligiu-me em particular. Daí que só esteja a escrever sobre isso hoje, uns dias (poucos) depois.
Escrevo "com teclas", mas sem Delete, sem Backspace, só com aquilo que me vai no coração.

Foi há 15 anos que lá passei 15 dias acampada, junto à Barragem de Santa Luzia, apenas ao atravessar da estrada de alcatrão.
Era um acampamento de Agrupamento, e nós - Exploradores Séniores - tínhamos ido uma semana antes para fazer as montagens gerais e capinar o mato para os mais pequenos.
Tomávamos banho na barragem todos os dias à tardinha, para refrescar que o calor era muito e sabia bem depois de um dia a trabalhar no campo.
Para as lavagens tínhamos o apoio de um motor emprestado pelos Bombeiros para puxar a água da barragem para os balneários que construímos, para não deitar a água com sabão na barragem.

Não sei bem ao certo quantos dias depois de lá termos chegado, deflagra um incêndio a vários km de distância, mas que à noite parecia estar mesmo ali. Era numa montanha "ao lado", e aumentou a proporção a uma velocidade vertiginosa. Que não tivéssemos medo, disseram os Bombeiros, o fogo estava longe e não chegaria ali. Estávamos seguros.
O fogo realmente não chegou ali, mas chegou a outros lados, aumentou muito, durou dias a fio, e os mais velhos (os Chefes) foram ajudar os Bombeiros no auxílio às populações.
O Carlos G, então Dirigente, que apanhou em flagrante um suposto incendiário, que o entregou à polícia (foi custoso não o deixarem bater-lhe, soubemos disso mais tarde), que o soltou de seguida...
O motor que bombava a água esteve ligado dias inteiros, 24/24h, para encher os autotanques, e éramos nós que fazíamos isso. Ao menos ajudávamos como podíamos. Fazíamos turnos para haver sempre 2 ou 3 de nós lá. Demos-lhes o nosso leite para ajudar a alimentar e a não deixar desidratar aqueles corpos cansados, demos--lhes sandes e fruta, demos o que podíamos.
Não esquecerei nunca aquelas caras exaustas mas sem desistir, sem deixar de voltar uma e outra e outra vez para abasrtecer. Dias inteiros sem irem a casa, sem se deitarem, sem comer algo substancial, sem comer algo sequer.
Foi finalmente extinto, não me lembro quanto tempo durou.
Retomámos as nosssas actividades, entre as quais estava un Raid que passava por localidades que tinham estado em perigo. É incrível a força daquelas pessoas. Rostos cobertos de rugas, marcas de uma vida no campo, pessoas que viram os seus lares, os seus animais, as suas culturas em perigo. Mas ali estavam, assim tiveram ainda um sorriso para nos receber, para nos contar a história da sua terra, para dizer que ali ficariam sempre, mesmo que o perigo voltasse, pois ali era o seu lugar.

Toda a zona onde estive, grande parte dos locais que percorri, tudo isso ardeu. Tudo isso é agora uma mancha cinzenta, gigantesca.
Chorei ao ver essas imagens na SIC.
Não consegui ver mais.
Já não consigo ver mais, doi muito. Sei que é uma atitude egoísta, mas neste momento não aguento ver mais.
Tenho o coração apertado e também ele em chamas, ou já cinzento sei lá

sábado, 13 de agosto de 2005

Diferenças à distância de uma ponte


Vila Real de Santo António vs. Ayamonte

Código da Estrada

Acho que tenho de tirar mais umas lições de código...
... Não sei o que este sinal quererá dizer!!!

segunda-feira, 11 de julho de 2005

Miguel... e os "Migueis que por aí há"

Que fique bem claro (aliás, acho que ao longo do texto isso se vai perceber perfeitamente) que eu não entendo NADA de futebol. Tenho um clube de preferência, mas acho que isso se deve apenas ao facto de que toda a gente tem um... não é?
Faz-me por isso (por não perceber de futebol) muita, mas mesmo muita muita MUIIIIIIIITA confusão esta história que anda nos noticiários, na net, nos jornais desportivos, acerca do "Caso Miguel".
Vejamos: há uns dias atrás, ouvia-se que os clubes FCP, SLB e SCP (não percebo porque é que não falam dos outros...) regressavam ao trabalho, para os treinos de preparação, e para a pré-época. Acho esta expressão "pré-época" linda! Começou aqui a ouvir-se dizer que o Miguel não se tinha apresentado ao serviço. Estaria atrasado? Teria ficado retido nalguma estância balnear? Ninguém sabia dele.
Uns dias depois, o Sr. Luis Filipe Vieira - este sei quem é, de tanto ouvir falar nele - vinha à TV dizer que havia rumores de que o Agente do Miguel o queria tirar do Benfica, fazia insinuações acerca do mesmo agente - que já tinha tentado fazer o mesmo com outros jogadores e por isso mesmo não representava quase ninguém agora, etc etc. Dizia que o Miguel havia de regressar aos treinos, que seria um mal entendido, que conhecia bem o Miguel e ele não fazia coisas destas, que o Miguel estava a ser mal aconselhado pelo tal agente... Aqui comecei a ficar com pena do dito Miguel. Coitadinho, estava nas mãos de um Agente ingrato e mau conselheiro, logo, estava a gastar mal o pouco dinheirito que ele ganha como jogador de futebol.
A novela continuou durante vários dias. Até vieram alguns jogadores dizer que sim, o Miguel vai ser bem recebido quando voltar, ele é um dos nossos, ele faz parte da equipa, vem Miguel, nem sequer podemos dizer "volta, estás perdoado" porque não fizeste mal algum, viva o Miguel!
Ontem, o Miguel deu uma entrevista, dizendo que não iria voltar ao Benfica. Não me lembro dos argumentos, porque o pouco que sei desta história já me chega, mas retive isto - Não volta nem quer voltar porque não há condições (falta definir "condições" - será que o estádio da Luz mudou de sítio? A relva ficou azul? Alguém destruiu os balneários?...). Retive também o Sr. Luis Filipe Vieira a ver a reportagem em que o Miguel proferia estas declarações, e a dizer que aquilo assim não podia ser, que o assunto seria tratado pelos advogados, porque não acreditava naquilo, o Miguel é tão boa pessoa, está mal aconselhado, ainda tem um contrato de mais 3 épocas para cumprir, não, ele vai voltar...
Hoje continuam a falar disso, mas já nem liguei ao que disseram.

Pergunto o seguinte: um jogador de futebol não está sujeito a um contrato de trabalho? Não está sujeito a regras, a Leis, a tempos determinados de férias? Não tem de negociar, independentemente de ser através de agentes, advogados ou outros, as condições e alterações que pretender fazer a esse contrato de trabalho?

Se eu for de férias, e não voltar no dia marcado, o que é que me acontece? Nãaaaa, não tou a ver o meu chefe, que até é uma excelente pessoa (e isto NÃO é graxa, porque ele não faz ideia da existência deste Blog), a deixar-me baldar assim, sem dar notícia alguma, sem me ligar para o telemóvel a pedir explicações, a ter comigo uma reunião quando regressasse para me dar alguma reprimenda ou represália, ou a mandar-me uma carta para casa rescindindo o contrato por justa causa se essa ausência fosse demasiado grande e/ou eu não atendesse aos seus telefonemas...

O que é que este "Miguel" tem de especial para ser alvo de tão grande novela? É assim tão bom jogador? Ainda se falássemos de um Jardel, que na época anterior ao seu "desaparecimento" tinha sido o maior goleador do campeonato... mas mesmo assim achei essa história nojenta.

Porra para os "Migueis", porra para esses fulanos que ganham milhões e fazem o que lhes apetece, e ainda por cima olham para os outros como se fosse um grande favor eles estarem ali aos chutos a uma bola.
Porra para a Comunicação Social, que dá cobertura a estas m***** sem interesse nacional, local ou qualquer outro.

Sabem quem é o esperto??? (um prémio a quem adivinhar)

segunda-feira, 4 de julho de 2005

Quando...



Quando acabarão os incêndios?

Quando acabarão os incendiários?

Quando vão começar a punir os incendiários, que quase sempre são dados como "incapacitados" (só se for mesmo para...)?

Quando vamos ter meios aéreos, terrestres, humanos, a tempo e horas?

Quando vão ser os proprietários obrigados de verdade a manter limpos os seus terrenos?

Quando vai o Estado dar o exemplo e limpar ele mesmo os seus terrenos?

Quando vão as empresas de celulose deixar de lucrar com a madeira ardida?

Quando vão os infortunados que sofrem perdas (as materiais, que as feridasocultas e as mortes não se pagam) ser indemnizados por isso?

Quando vamos dar o devido valor aos corajosos Homens, que já tive oportunidade de ver e apoiar de perto, que arriscam e muitas vezes dão a sua própria vida para combater esses incêndios?


Uma sincera Homenagem aos Bombeiros, profissionais e voluntários...

quinta-feira, 23 de junho de 2005

Pena de morte, Sibéria, Tortura...

Começou hoje o julgamento de um homem, um "pai" que há cerca de um ano fez desaparecer a sua filha, então com 2 anos de idade. O dito "pai" terá dito que não tem medo de ir para a prisão, pois sabe que a sua "filha" Sofia Catarina está bem e em segurança. Há um ano que não o revela...

Pergunto: isto, este ser abjecto, é um Pai? Nem respondo...

Há um ano também, sabia-se do desaparecimento da Joana. Apareceu inicialmente na TV uma "mãe" de aspecto suspeitosamente (des)preocupado, perguntando pela sua "filha". Foram-se descobrindo alguns pormenores, aos poucos. Começou por se descobrir que tinha sido uma tia da criança a instigar a mãe a colocar cartazes e a ir à polícia em busca da criança. Descobriu-se que tinha sido a própria mãe e um tio a... não se sabe o quê. Ainda gozaram com a PJ, levando-os a fazer escavações nos mais diversos locais, com pistas falsas. Hoje, continuando sem se descobrir do que ao certo lhe aconteceu, pensa-se que tenha sido morta, por essa mesma "mãe" e por um "tio". Há um ano que não revelam o que fizeram...

Há uns meses (não sei precisar quantos) descobriu-se o caso da Vanessa, criança que faleceu devido a maus tratos por parte do pai e da avó. Terá, entre outras atrocidades, sido atirada para uma banheira com água a ferver...

Há o célebre caso Casa Pia, cujos contornos continuam obscuros, e que, na minha modesta opinião, por envolverem demasiada "gente graúda", nunca se vai deslindar ao certo. Quem não se safa decerto é o Bibi, mas é injusto que seja só ele...

Estes são apenas alguns casos, infelizmente há muitos e muitos mais.

Como mãe, afectam-me particularmente por envolverem crianças.

Que adulto consegue maltratar um ser indefeso, um ser que nasceu de nós, que confia em nós, que não entende o que lhe estão a fazer, e muito menos o porquê?

Não concordo com a pena de morte. Nem aqui, nem em nenhum outro tipo de crimes.
Acho um castigo demasiado leve para quem é capaz de cometer atrocidades inimagináveis.

Que regressem os campos da Sibéria!

Que regresse a tortura da PIDE, do Hitler, dos Romanos! A ver se depois de alguns "tratamentos" não pediam para poder dizer e confessar tudinho!

A violadores/pedófilos, que sejam torturados, mutilados lentamente a sangue frio, que sofram em dobro aquilo que fizeram sofrer. Mas que sejam mantidos conscientes, para que se apercebam bem e sofram ainda mais.

A morte é demasiado fácil... demasiado rápida... demasiado indolor...

Pelas Sofias Catarinas, pelas Joanas, pelas Vanessas deste mundo!