terça-feira, 17 de novembro de 2009

vidinha de mãe que só arranja mais lenha para se queimar

Os dias vão correndo, e mal demos conta que já passaram 2 meses desde que a M. chegou.
Sim, de facto parece que sempre cá esteve, não fossem as "pequenas" diferenças culturais entre nós.

Confesso que não sei avaliar bem se essas diferenças se devem aos países, se às familias, se a ela própria. Isto porque muitas vezes ela está a contar-nos alguma coisa que para nós é perfeitamente estranhíssima, e depois remata dizendo "ah... mas isso é na minha casa, mania dos meus pais".
Exemplo? Ok.
Eles têm a mania da comida "de pacote". Chama-se mesmo assim, um bag food é uma saqueta que contém comida. Assim tipo as nossas sopas Knorr, uns spaguettis que é só juntar água e ferver, etc, sabem quais são não sabem? Pronto. Mas eles têm nos supermercados esta comida e a "normal" na proporção inversa ao que nós temos por cá. Ou seja, num escaparate inteiro, eles terão 1/4 de prateleira com comida por fazer (seja esparguete seja arroz por exemplo), e o resto com comida pronta a juntar água e ferver. Até aqui nada de especial, não fosse o facto de terem imensas coisas que nós chamaríamos de sobremesa, e que eles chamam de refeição.
Ora, os pais enviaram-lhe há umas semanas uma caixa cheia de coisas daquelas, para ela matar saudades e para nós provarmos, e ela já fez algumas.
Há então uma dessas coisas (felizmente "só" enviaram 2 pacotes disso), e que se chama Risen Grot, e que ela fez há uns dias. Dizia ela que aquilo era uma refeição quentinha e fantástica, super saborosa e que todas as crianças adoram.
Pois, claro, viu-se logo o porquê de todas as crianças adorarem aquilo. Era realmente muito bom, e por cá gostámos muito.
Afinal o que era, perguntarão vocês? Na nossa terra, aquilo chama-se de Arroz Doce!!! Assim mesmo, um pacote a que se juntou leite e foi ao lume por 10 minutos após deitar fervura, de onde surgiram bagos de arroz, ficou cremoso, e no final coloca-se nos pratos, cobre-se de açúcar e canela e come-se assim, quentinho, docinho, para o jantar!
Outra coisa que me tem feito confusão e que está a ser menos fácil de entrar nos eixos é a higiene.
Tomar banho é coisa que ela faz nos dias em que tem ginástica na escola, e uma ou duas vezes cá em casa. Eu andava a evitar de a mandar tomar mais banhos - embora depois de um dia de ginástica, de andar a pé pela vila, de uma aula de sevilhanas e de outra de ballet, e ela sem querer tomar uma banhoca, tive de a obrigar.
Ainda este sábado, quando às 22h pediu para ir ao café com amigos, assim que dissémos que podia ir, saltou para dentro da banheira. Pois com o A. a dormir no quarto ao lado...
Claro que tive de lhe chamar a atenção, pois aquela hora, e antes de uma saída à noite, não me pareceu nada normal, ainda para mais quem não tomava banho há uns 4 dias. Quando lhe perguntei porque o tinha feito, disse que se sentia suja. "e se tivesses ficado em casa, ias dormir assim?"
...
Olhou para mim com cara de daaaah, claro!
Não vou detalhar o resto da conversa, mas não foi muito agradável.
Tirando estas coisas - e aqui ficaram apenas 2 exemplosinhos pequeninos, até é uma rapariga porreira e atinada, muito meiga e que acata o que lhe dizemos - mesmo que muitas vezes não concorde e volte depois a fazer nova tentativa (afinal, é uma adolescente). Procura integrar-se, e faz um grande esforço por ser igual a nós.

Sem comentários: