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segunda-feira, 7 de abril de 2008

Pagar para Adoptar?????

Fui confrontada, num grupo de discussão que sigo, com a seguinte informação:
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"Pelo Decreto-Lei n.º 34/2008, a partir de 1 de Setembro, quem requerer uma adopção terá de pagar taxa de imediato. Como o valor fixado para este tipo de acção se situa nos 30 mil euros, a taxa corresponde a 576 euros."
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Ver a notícia completa AQUI.
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"É evidente que se alguém me perguntasse, não seriam os 576 Euros que me impediriam de adoptar, mesmo que tivesse de pagar muito mais, eu continuaria a adoptar, aliás, há pessoas que pagam muito mais que isso por ir adoptar a Cabo Verde, ou a outro pais donde seja possível a adopção internacional desde Portugal. Mas há coisas que não fazem mesmo sentido, num pais donde abortar é gratuito, que sentido faz pagar por uma adopção?, segundo o governo, estes 576 Euros são para pagar uma parte do processo judicial... vamos lá ver, quanto custa um parto numa maternidade do estado?.. e por que não pagam as mães a mesma percentagem pelo parto?... e já agora, quanto custa um divorcio litigioso?, porque não pagam os casais uma percentagem disso logo quando se casam?... afinal, vale tudo!
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Não deixo de olhar para isto, e pensar que o estado quer obrigar as pessoas que querem adoptar, que passem a pagar pelos seus filhos, .. algo assim como comprar os filhos ao estado.
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Esta lei não tem ponta por donde se lhe pegue, vai obrigar as famílias que querem adoptar a um sacrifico extra, que vai somar ao facto de os processos serem longos, complicados, angustiantes,... os casais vão passar a pagar 576 Euros para ficarem anos à espera, para passar por um processo complicado e muitas vezes angustiante."

Texto retirado do Blog "O que é o jantar", com a devida autorização.
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Confesso que estou estupefacta.
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Vario entre a indignação, a incredulidade, a esperança de haver algo nesta Lei que foi mal interpretada, sei lá mais o quê.
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Votei a favor da liberalização do aborto. Por várias razões que não são agora para aqui chamadas, mas a principal prende-se com o facto de achar que há mães que realmente não o deveriam ser, e por isso devem ter a oportunidade de interromper uma gravidez não desejada. Criar uma criança contra-vontade, sem qualidade de vida, sem amor... para quê???
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Mas neste momento questiono:
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- Uma mulher (e desculpem-me a linguagem, mas estou quase quase incontrolável e quem me conhece sabe como reajo nestas circunstâncias) resolve dar uma ou mais "quecas" sem pensar nas consequências e nos cuidados que deveria ter (contraceptivos e de saúde, obviamente), engravida. Umas semanas depois descobre que está grávida e vai ao hospital para fazer o aborto a que agora tem direito. Ninguém lhe pergunta nada, ninguém lhe pede dinheiro.
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- Quantos pais e mães (leiam-se "progenitores") maltratam gratuitamente os seus filhos, atiram com eles para os hospitais por maus tratos e saem impunes. Recebem subsídios de sobrevivência e abonos de familia, que gastam nos seus vícios pessoais, sem ninguém lhes pedir qualquer justificação ou devolução de dinheiro.
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- Uma criança (como as há aos milhares neste país) foi fruto de uma gravidez indesejada, foi vitima de maus tratos e retirada à sua familia, foi abandonada pela mesma, está orfã, seja lá qual for a razão, está numa qualquer instituição estatal, sem familia. Recebe carinhos que são divididos pelas outras tantas e tantas crianças que residem com ela na mesma instituição, que são rotativos consoante os funcionários que lá trabalham. Uma familia, por infertilidade ou desejo de adoptar, está de coração e braços abertos para a receber. Reune as condições consideradas necessárias pela Segurança Social. e tem de pagar 576 euros para dar colo, amor, carinho e familia a essa criança?????
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Efectivamente, querendo adoptar, não seria pelo valor que deixava nunca de o fazer. Afinal, paguei mais pelos partos que fiz num hospital privado. Mas uma vez mais, o que conta é a intenção. E a intenção de adopção é um acto de amor... nunca um acto egoísta que possa ser medido em dinheiro. Nunca um acto em que o Estado deva cobrar a quem apenas quer dar uma familia a crianças que não a têm. E os anos de espera dos casais e das crianças? Quem lhes paga a uns e outros pelos danos morais, e mesmo físicos desse tempo desgastante?
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Existe uma petição online para o fim desta lei parva, que pode ser assinada aqui
Por Favor, Assinem!