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terça-feira, 24 de janeiro de 2012

ao Vasco, ao Abdul, ao Miguel, ao António, ao Pedro* (looooooongo)

e a todas as outras Pessoas Sem Abrigo que conheci na noite de sábado




Eu saí de casa com a certeza de que iria participar numa atividade que me ia encher as medidas, quaisquer que fossem os desígnios de fazer ou não a volta.
Levava também a convicção - envergonho-me agora (mesmo, mesmo muito) de o dizer, que se eu fosse fazer a volta, o que me iria custar mais era mesmo o contacto direto com aqueles Sem Abrigo. É para mim triste ter de reconhecer (e aqui publicamente) que tinha receio do cheiro, do cumprimentar, da minha reação**.

Enganei-me redondamente.
A reportagem que vimos, as coisas que o Carlos nos disse, tudo aquilo criou em mim uma expectativa oposta.
Na carrinha, o Manuel e a Júlia*** foram falando connosco, foram-nos dando indicações e conselhos sobre o que iríamos ver e ouvir. De local em local "apresentavam-nos" as pessoas que ali iríamos encontrar antes mesmo de parar a carrinha. Mostravam um bom conhecimento dessas pessoas e isso punha-nos mais à vontade.
As coisas foram-se desenrolando com toda a naturalidade...

Conheci gente e situações absolutamente inesperadas face ao que eu, na minha profunda ignorância, esperava.
O Vasco, bem vestido, barba feita nessa tarde, cabelo cortado recentemente, de discurso fluido, coerente e bem falante, que me contou do seu Natal com as irmãs e as sobrinhas.
O António, doente bipolar, que se aproximou de nós devagar e muito a medo por não reconhecer a carrinha, que nos saudou efusivamente e falou tanto da sua admiração pelos escuteiros.
O Joel, indiano a quem morreu recentemente o filho, e que nos recebeu a chorar na sua morada suja e sem condições.
Tocou-me muito o Ricardo, que na sua casa de cartão estava a consumir e nos avisou disso para não nos aproximarmos e não vermos. Que pediu ao Manuel para voltar - voltar sempre, que ele um dia há-de deixar a rua e as drogas.
Tocaram-me duas pessoas que dormiam quando lá chegámos, mas tinham tido o cuidado de deixar do lado de fora cada um uma garrafa de plástico vazia e o recado: 
"Deixe o leite na garrafa se faz favor". 
Se faz favor!!!


Quando falávamos com o Joel e com o Mário, aproximou-se um cão doméstico, que fazia as suas necessidades. Alguns de nós fizeram-lhe festas, principalmente o Mário, que parecia encantado com o animal. Um tempo depois, ouviu-se um assobio e apareceu o dono, que olhou para o nosso grupo com desdém. Dissemos boa noite, mas ele arrancou o animal dali com maus modos, sem dizer uma palavra ou voltar a olhar para nós. Chocou-me esta atitude, que nem consigo classificar.
Há pessoas muito ignorantes, muito mal educadas, muito mal formadas...
Comentei com o grupo "há pessoas que nem para terem animais servem", ao que o Mário me respondeu "é porque vocês estão connosco", e tirou-me a fala...



No Saldanha vimos a verdadeira "confusão" de gente que ali acorreu. Mais histórias, mais homens de bem que caíram em desgraça, mais pessoas que se servem da sua condição de sem abrigo para reivindicar coisas (sim, porque obviamente também os há). Pessoas que exigiam roupas - e de marca de preferência, pessoas que recusaram meias (limpas e em ótimo estado) por não trazerem etiqueta. Pessoas bem vestidas que tentavam, enganar os voluntários e levar mais sacos de comida do que aqueles que precisavam ou teriam direito.

As três pessoas que encontrámos deitadas bem juntinhas, e que nos imploraram um cobertor. A quem deixámos o tal cobertor, calças, os sacos das sandes e um pacote de leite. O olhar agradecido quando estendemos o cobertor...
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Podia descrever aqui a minha Noite com uma precisão muito rigorosa...
Conheci várias pessoas que, se me tivesse cruzado com elas noutra circunstância, nunca diria que eram sem abrigo. Tal era o seu aspeto cuidado, as roupas arranjadas, a forma corretíssima como falavam e as palavras que utilizavam.
Conheci outras em circunstância degradantes, imundas, ao frio, à fome, sob efeito de substâncias como álcool ou drogas.
Em praticamente todas vi um ponto comum: a alegria com que nos recebiam, a educação e o respeito com que nos tratavam, a forma afável com que nos tratavam e nos cumprimentavam como se cumprimenta um amigo que recebemos para um café, o olhar agradecido por lhes darmos o muito que temos e a que não estão habituados: respeito, educação, atenção e tratamento igual.


Ao pousar a cabeça para dormir, senti-me inquieta.
Recordei os momentos que vivi horas antes, e percebi o quão tola, fútil e insensível tinha sido nessa manhã. Estava a pensar só em mim... Naquela altura em que eu me aconchegava na minha colchonete que me protegia do chão frio, quando me enrolava no meu saco-cama quentinho, vieram-me à memória o Vasco, o Abdul, o Miguel, o Manuel, o António, o Pedro e todos os outros. Os que me deram a oportunidade de ver a outra realidade, e que nessa altura se estavam a aconchegar no chão frio, que se estavam a tentar tapar com mantas...

Acordei no dia seguinte com a cabeça a doer-me da "ressaca".
Estas coisas moem-me não só o físico mas acima de tudo o espírito. 
Mas havia ainda coisas a fazer, e nem deu tempo para pensar bem em tudo o que tinha vivido na noite anterior.

No caminho de regresso a casa é que me "caiu a ficha" sobre tudo o que tinha passado. Apercebi-me de como foram fúteis os meus receios iniciais. Apercebi-me de como é tão natural cumprimentar uma pessoa que não conheço e que está suja e que vive no meio da rua, mas que me recebe calorosamente, me conta a sua vida, me pergunta por mim como se me conhecesse de longa data. 
Apercebi-me da profundidade do trabalho da CVP, quando ouvi uma dessas pessoas dizer: "Eu vou esperar pelos X, que dão sopa quente, mas fico aqui ao pé de vocês porque convosco posso falar um bocadinho"

Mas qual cheiro???? Não é nada disso que trouxe desta Noite e que guardo comigo.
Guardo os olhares. Guardo os apertos de mão bem apertadinhos quando nos despedíamos.
Guardo a certeza de que quando disse a cada um "foi um prazer conhecê-lo", estava a dizê-lo do fundo do meu coração.
Guardo a certeza de que nunca mais vou olhar para uma pessoa que mora na rua da mesma forma mais ou menos indiferente como até ontem.


E afinal, é só isto que as Pessoas Sem Abrigo pedem: um pouco da nossa atenção, um agasalho, um pouco de comida se possível. Mas acima de tudo, pedem para serem tratados como PESSOAS.



TODOS OS NOMES PRÓPRIOS MENCIONADOS NESTE POST SÃO FICTÍCIOS


* nomes fictícios
**eu, que sou conhecida e reconhecida por ter um faro infalível e minhoquinhas
*** nomes fictícios dos Voluntários da Comunidade Vida e Paz

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Ontem assisti/participei numa cena

que me fez pensar no melhor e no pior que há dentro de nós.

Estava numa farmácia, à espera da minha vez.
De repente ouvem-se gritos, pessoas a correr. Inicialmente, e ao ver o "tipo" da maioria das pessoas que corriam, por uma questão de etnia (...) pensei que tivesse havido um assalto (muitos deles era ciganos). Poucos segundos depois percebo que não. Tinha havido um atropelamento.

O meu instinto inicial foi semelhante ao de todas as pessoas presentes - as que passavam na rua, as que comigo estavam na farmácia, mesmo os familiares da vítima - virar a cabeça para não ver. Do sítio onde estava podia ver que alguém estava debaixo da viatura, mas nada mais. A cena aparentava o pior. A mãe da criança (descobri depois) gritava sem se mexer. Todas as pessoas que assistiam gritavam, comentavam, mas ninguém fazia nada.
Nada.

Afligi-me com o que poderia ter acontecido e com o estado em que a criança aparentava estar. O meu primeiro instinto foi, confesso, virar a cabeça de horror. Peguei no telemóvel que tinha na mão e liguei o 112. À minha volta toda a gente gritava, chorava, mas ninguém se chegava ao carro nem à criança.
Até que um dos farmacêuticos sai detrás do balcão e dirige-se à viatura. A falar com o INEM, fui atrás dele sem pensar, e ainda arrastei litaralmente comigo um jovem que estava ao meu lado.
Os três conseguimos tirar o menino de 4 anos debaixo da viatura, praticamente ileso, que chorava convulsivamente. Visível, apenas um grande hematoma na cabeça.
Só nessa altura a mãe se aproximou e tomou a criança nos braços.
Informei o 112 do estado da vítima, acalmei a mãe, deixei-lhe as instruções básicas até à chegada da ambulância, e retomei a minha vez na espera na farmácia.

Tudo isto se passou num espaço de 10/12 minutos.
Não sei o que teria acontecido àquele menino se o farmacêutico não tivesse tomado a iniciativa de lá ir. Havia umas 20 pessoas ou mais a assistir, e nenhum deles sequer se aproximou para ajudar. Nenhum pegou no telemóvel para chamar a ambulância, nenhum ajudou a remover a criança, nenhum dos familiares agradeceu ao farmacêutico que tomou a iniciativa.

Acabou em bem, felizmente.
Mas a inércia e a cobardia daquelas pessoas, onde eu inicialmente me incluí, assustaram-me imenso.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Férias - dia 5 (parte 1)

Bem, o dia hoje foi, diferente.
Saímos de casa um pouco mais cedo que nos dias anteriores (10h00 talvez), e como estava estipulado, rumámos à praia para uma aula de surf.

Pelo caminho, vejo uma autocaravana atascada. Ligo à L., vou deixar os miudos na praia, e volto para a minha BA (Boa-Acção) do dia.


Antes de regressar, vejo um carro também ele atascado, e bem pior. Atravesso a estrada, engato as mudanças, e ofereço gentilmente:

"Posso ajudar?"


Agora imagine-se a cena: um Seat Ibiza com 4 homens, entre os 20 e os 40 anos talvez, completamente enfiado na areia. Eles eram pás, eles eram pranchas de desatascamento, eles cavavam, tudo menos tirar dali a viatura. Eis que chego eu, mocita rechonchuda mas desenrascada e ainda jeitosita, num jipe semi-artilhado, páro na maior ali na mesma areia onde eles estavam, saio do jipe com o meu vestidinho de praia e havaianas, e ofereço ajuda.


Resposta pronta deles?
"Não obrigada, isto está quase"


Pois, estava quase... a chegar areia aos vidros do carro! Mas pronto, eu ainda insisti, mas como macho que é macho não aceita ajuda de gaja armada em simpática, e eles lá continuaram numa de cava, prancha, anda 50cm, atasca de novo, cava, prancha, etc.


Resolvi gozar o prato. Engatei as lentas, dei uma voltinha ao jipe (ali, bem no meio da areia solta e fininha que teimava em afundar ainda mais o Ibiza), coloquei-me numa posição onde via bem a cena dentro do meu carrito com AC, e aguardei.


Passados nem 5 minutos, abri a janela e perguntei de novo:
"Têm a certeza que não querem ajuda? É que eu em 2 minutos tiro-vos daí... e escusam de esforçar ainda mais o carro"

Gera-se uma discussão entre eles. Uns queriam ajuda, outros nem por isso (o dono do carro, pelo que percebi, e o mais novo do grupo). É que ainda faltavam uns 7 metros para chegarem a terra firme. Lá ganhou o sim.


Saquei do cabo, coloquei-me em posição, ainda tive de os ensinar onde estava a argola para rebocar o carrito, e em 2 minutos (com estas manobras incluídas), o Ibiza estava no alcatrão.

E não é que me queriam pagar?
Bimbos do caraças!


O puto (o tal dono do carro) queria porque queria que eu aceitasse uma nota de 5€. Tive de brigar (verdadeiramente) com ele. E no fim disse-lhe que, quando eu fosse à terra dele, também gostava de encontrar alguém que me ajudasse numa situação difícil. A contragosto, lá aceitou que ainda há pessoas que ajudam só pelo gosto de ajudar (as parvas como eu).

Pois adivinhem de onde eram os indígenas? Do nuorte, carago! (Desculpa Isabel, eu gosto muito de vocês, e sei que o Nuorte é uma naçóuen, mas realmente são todos uns castiços do pior quando desatam a falar assiem).


Bem, com a autocaravana foi mais pacífico, um simpático casal na casa dos 60 ficou agradecidíssimo com o gesto, e só não me obrigaram a almoçar ali com eles porque eu os ameacei com as nossas 4 crianças sempre esfomeadas, e depois de uma aula de surf... ainda mais comeriam.

Adivinhem de onde eram eles?
Pois nem é preciso dizer né? Carago, que eles andem aí...

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Amanhã...

“PELO DIREITO A UMA FAMILIA”
PETIÇÃO PARA INSTITUIR O DIA NACIONAL DA ADOPÇÃO




A Bem Me Queres – Associação de Apoio à Adopção – em parceria com o Grupo Nós-Adoptamos, irá amanhã entregar à Assembleia da República uma Petição para instituir o Dia Nacional da Adopção de Crianças.

Amanhã, dia 26 de Novembro de 2008 pelas 11h30, em audiência com o Presidente da Assembleia da República Dr. Jaime Gama, representantes da Associação Bem Me Queres e do Grupo Nós-Adoptamos irão efectuar a entrega de uma Petição para instituir o Dia Nacional da Adopção de Crianças em 10 de Maio, com início já em 2009.

Com o objectivo de promover o debate na sociedade civil, e em simultâneo sensibilizar as autoridades competentes para a situação dramática de incerteza em que vivem as mais de 11.000 crianças institucionalizadas, a Bem Me Queres, em parceria com o grupo de cidadãos Nós-Adoptamos, promoveu a assinatura de uma Petição para requerer à Assembleia da República a instauração do dia 10 de Maio como o Dia Nacional da Adopção de Crianças.

Esta Petição excedeu todas as expectativas, já que no curto espaço de um mês atingiu cerca de 5.000 assinaturas, mais 1.000 do que as necessárias para que a Assembleia da República leve este assunto a discussão.

A todos os que por aqui passaram e assinaram, OBRIGADA!

sexta-feira, 10 de outubro de 2008



Olá a todos!

Venho pedir a vossa colaboração para assinarem uma petição online. Esta petição é proposta por um grupo onde estou inserida (Nós-Adoptamos), e pela Associação Bem-me-Queres – associação de apoio à adopção.


Pretende-se recolher 4.000 assinaturas, que irão possibilitar a inserção em debate parlamentar da criação do Dia Nacional da Adopção.


Achamos este Dia necessário, porque a Adopção em Portugal é um tema muito esquecido, porque há mais de 11.000 crianças “fechadas” em instituições, para um número de aproximadamente 800 candidaturas a pais adoptantes, porque a Segurança Social tem um número insuficiente de pessoas a trabalhar nas equipas de adopção, etc etc etc.



Queremos mudar esta situação, e queremos pôr este assunto na discussão pública. A criação de um Dia Nacional da Adopção é um primeiro passo para que tal aconteça.


Não custa nada, basta apenas aceder ao site, inserirem o vosso nome e número do Bilhete de Identidade (este último fica oculto).


Peço ainda que divulguem isto pelos vossos amigos… necessitamos das assinaturas antes do dia 10 de Novembro.


A petição está online, vão lá assinar por favor, é aqui:

http://www.peticao.com.pt/dia-nacional-adopcao



Obrigada!!!


(estou disponível para prestar mais esclarecimentos em particular)


Sofia



Texto da Petição

Destinatário: Assembleia da República

Petição para instituir Dia Nacional da Adopção de Crianças

Ex.mo Senhor Presidente da Assembleia da República:
PETIÇÃO PARA INSTITUIR O DIA NACIONAL DA ADOPÇÃO DE CRIANÇAS EM 10 DE MAIO DE 2009

Considerando que:
• a adopção de crianças é uma realidade no nosso país;
• existem 11.362 crianças/jovens institucionalizados (dados referentes a 2007 explanados no Plano de Intervenção Imediata do Instituto da Segurança Social);
• é de extrema importância a promoção de um dos direitos fundamentais das crianças – direito a uma família;
• que foram adoptadas, no referido ano, apenas 417 crianças;
• é importante promover a consciencialização da sociedade para o facto de crianças que estão a crescer sem família estão a ser privadas daquilo que de mais importante existe para a sua formação, desenvolvimento e crescimento – o afecto, os laços, a conquista de um colo;
• a adopção pode representar um projecto de vida alternativo à institucionalização;
• que cada criança que seja adoptada é uma criança que, ainda, encontra o seu tempo de ser criança;
vem, desta forma, a Bem Me Queres - Associação de Apoio á Adopção de Crianças, NIPC 507705050, sediada na Rua Santa Justa 265, 2º 4200-479 Porto nos termos do artigo 52.º da Constituição da República Portuguesa, da Lei n.º 43/90, de 10.08, com as alterações introduzidas pelas Leis n.ºs 6/93, de 1.03, 15/2003, de 04.06 e 45/2007, de 24.08, conferir aos cidadãos a possibilidade de exercerem os seus direitos constitucionais de entrega de assinatura da presente petição a submeter à Assembleia da República para que seja instaurado em 10 de Maio de 2009 o DIA NACIONAL DA ADOPÇÃO DE CRIANÇAS, com os seguintes fundamentos:

a) Promover o debate na sociedade civil;
b) Consciencializar a sociedade para esta realidade;
c) Difundir junto das entidades competentes a dramática situação em que vivem as milhares de crianças institucionalizadas;
d) Sensibilizar o poder judicial para uma celeridade dos processos.

A presente petição vai assinada pelos cidadãos abaixo-assinados que aderiram à proposta apresentada pela Associação requerente.

Porto, 9 de Outubro de 2008

Os Peticionários

terça-feira, 20 de maio de 2008

dos Anjos...

Caseiro, delicioso, e por uma boa causa!
Aceitam-se encomendas...

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Pagar para Adoptar?????

Fui confrontada, num grupo de discussão que sigo, com a seguinte informação:
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"Pelo Decreto-Lei n.º 34/2008, a partir de 1 de Setembro, quem requerer uma adopção terá de pagar taxa de imediato. Como o valor fixado para este tipo de acção se situa nos 30 mil euros, a taxa corresponde a 576 euros."
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Ver a notícia completa AQUI.
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"É evidente que se alguém me perguntasse, não seriam os 576 Euros que me impediriam de adoptar, mesmo que tivesse de pagar muito mais, eu continuaria a adoptar, aliás, há pessoas que pagam muito mais que isso por ir adoptar a Cabo Verde, ou a outro pais donde seja possível a adopção internacional desde Portugal. Mas há coisas que não fazem mesmo sentido, num pais donde abortar é gratuito, que sentido faz pagar por uma adopção?, segundo o governo, estes 576 Euros são para pagar uma parte do processo judicial... vamos lá ver, quanto custa um parto numa maternidade do estado?.. e por que não pagam as mães a mesma percentagem pelo parto?... e já agora, quanto custa um divorcio litigioso?, porque não pagam os casais uma percentagem disso logo quando se casam?... afinal, vale tudo!
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Não deixo de olhar para isto, e pensar que o estado quer obrigar as pessoas que querem adoptar, que passem a pagar pelos seus filhos, .. algo assim como comprar os filhos ao estado.
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Esta lei não tem ponta por donde se lhe pegue, vai obrigar as famílias que querem adoptar a um sacrifico extra, que vai somar ao facto de os processos serem longos, complicados, angustiantes,... os casais vão passar a pagar 576 Euros para ficarem anos à espera, para passar por um processo complicado e muitas vezes angustiante."

Texto retirado do Blog "O que é o jantar", com a devida autorização.
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Confesso que estou estupefacta.
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Vario entre a indignação, a incredulidade, a esperança de haver algo nesta Lei que foi mal interpretada, sei lá mais o quê.
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Votei a favor da liberalização do aborto. Por várias razões que não são agora para aqui chamadas, mas a principal prende-se com o facto de achar que há mães que realmente não o deveriam ser, e por isso devem ter a oportunidade de interromper uma gravidez não desejada. Criar uma criança contra-vontade, sem qualidade de vida, sem amor... para quê???
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Mas neste momento questiono:
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- Uma mulher (e desculpem-me a linguagem, mas estou quase quase incontrolável e quem me conhece sabe como reajo nestas circunstâncias) resolve dar uma ou mais "quecas" sem pensar nas consequências e nos cuidados que deveria ter (contraceptivos e de saúde, obviamente), engravida. Umas semanas depois descobre que está grávida e vai ao hospital para fazer o aborto a que agora tem direito. Ninguém lhe pergunta nada, ninguém lhe pede dinheiro.
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- Quantos pais e mães (leiam-se "progenitores") maltratam gratuitamente os seus filhos, atiram com eles para os hospitais por maus tratos e saem impunes. Recebem subsídios de sobrevivência e abonos de familia, que gastam nos seus vícios pessoais, sem ninguém lhes pedir qualquer justificação ou devolução de dinheiro.
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- Uma criança (como as há aos milhares neste país) foi fruto de uma gravidez indesejada, foi vitima de maus tratos e retirada à sua familia, foi abandonada pela mesma, está orfã, seja lá qual for a razão, está numa qualquer instituição estatal, sem familia. Recebe carinhos que são divididos pelas outras tantas e tantas crianças que residem com ela na mesma instituição, que são rotativos consoante os funcionários que lá trabalham. Uma familia, por infertilidade ou desejo de adoptar, está de coração e braços abertos para a receber. Reune as condições consideradas necessárias pela Segurança Social. e tem de pagar 576 euros para dar colo, amor, carinho e familia a essa criança?????
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Efectivamente, querendo adoptar, não seria pelo valor que deixava nunca de o fazer. Afinal, paguei mais pelos partos que fiz num hospital privado. Mas uma vez mais, o que conta é a intenção. E a intenção de adopção é um acto de amor... nunca um acto egoísta que possa ser medido em dinheiro. Nunca um acto em que o Estado deva cobrar a quem apenas quer dar uma familia a crianças que não a têm. E os anos de espera dos casais e das crianças? Quem lhes paga a uns e outros pelos danos morais, e mesmo físicos desse tempo desgastante?
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Existe uma petição online para o fim desta lei parva, que pode ser assinada aqui
Por Favor, Assinem!

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

ajudar ou ser ajudado?

Esta tarde, enquanto esperava no carro mal estacionado, por um colega, avisto mais à frente no meio da rua, um senhor já com alguma idade que fazia uns sinais muito vagos aos automóveis que desciam. Fazia sinais como se os quisesse mandar parar. No entanto, nenhum o fez.
Perdida nos pensamentos menos fáceis que estava a ter, fruto da conversa que tinha deixado a meio no PC no escritório, não me apercebi bem ao princípio do que se passava. Via, embora sem ver, o que se derenrolava a apenas uns escassos 30 metros de mim.
Mas chamou-me a atenção aquele homem, bem-parecido, vestido com um fato bem arranjado, boina na cabeça. Andava com alguma dificuldade e por vezes quase se desequilibrava.
Os carros continuavam a passar um após o outro, abrandando quando chegavam perto dele, mas nenhum parou.
O homem virou-se na direcção em que eu estava e começou a subir a rua a custo, lentamente. Fiquei na dúvida se vinha de facto ter comigo ou se era por acaso. Confesso que por momentos preferi que não me visse, preferi passar despercebida, preferi que se dirigisse a outro qualquer. Mas não. Abeirou-se do carro, apoiou-se no cimo da minha porta e dirigiu-se a mim:

- A senhora desculpe, mas onde está o condutor deste carro?
(reconheço agora que cheguei a sentir algum receio deste homem frágil)
- O condutor foi ali aos correios, precisa de alguma coisa? Posso ajudar? Sente-se bem?
- Sabe, é que eu tive uma trombose há alguns meses, e tenho uma certa dificuldade a andar. Vim dar um passeio aqui debaixo dos arcos mas senti-me mal e sentei-me no passeio. Não me sinto com forças para voltar para o Lar. Poderá levar-me ao Lar onde moro?

Senti-me então tremendamente envergonhada por antes ter receado tal pessoa. Tudo o que me disse foi num tom calmo, amável, vindo de um homem de bem que apenas procurava ajuda. Apenas ajuda... Pior fiquei ainda, quando reparei que tinhamos vindo num carro comercial, de apenas 2 lugares. Mas não, aquilo não podia ficar assim. Peguei no telemóvel para ligar ao meu colega a dizer o que ia fazer. Assim que marco o número, ele chegou. Afastei-o dali e contei-lhe o que se passava. Perguntei-lhe se o importava de ir levar o senhor, enquano eu aguardava ali que ele me viesse buscar. O meu amigo J. é uma excelente pessoa, e assim fizémos.
Ao saber que o Lar ficava a apenas 3 ruas dali, eles partiram enquanto eu ia descendo essa mesma rua, para poupar ao J. uma imensa volta de carro para me apanhar.
Enquanto entrava a custo no carro, o gentil senhor agradeceu-me.
Senti-me bem. Senti-me feliz.
Ao descer a rua pensei muito na cena que acabava de acontecer. A mim também me fez bem ajudar um pouquinho alguém naquele momento, neste dia emocionalmente complicado.

Agora que, mais sossegada em casa, volto a visualizar a cena, penso em qual de nós terá sido mais ajudado. Qual de nós os dois saiu a ganhar mais, ficou mais rico. Qual de nós estava mais necessitado, a precisar de sentir outro alguém, outras coisas, outros problemas, despojar-se de si para ser para o outro, com o outro, no outro.
Fui eu, garantidamente.

domingo, 30 de setembro de 2007

"Cozinhar sem ovos"

Nasceu hoje um novo blog.

A minha filha mais velha - Filipa, agora com 6 anos e meio, é altamente alérgica ao ovo e aos frutos secos (5 na escala RAST). Descobrimos isso no dia em que completou 1 ano de idade.
Desde então, tem sido algo complicado encontrar receitas - de bolos principalmente, compatíveis com esta alergia. Imaginem uma criança desta idade numa vulgar festa de anos dos seus amiguinhos, de familiares, a sua própria festa...

Não é felizmente das piores doenças que existem, mas exige muitos cuidados, muita atenção à composição daquilo que se compra, muito cuidado quando vamos a alguma festa, e mais ainda quando a deixamos numa festa. É complicado fazer perceber a uma criança tão pequena porque é que não pode comer as mesmas gulodices dos outros meninos, ou porque é que por vezes tem de ter uma comida diferente na cantina da escola. Em suma, é preciso aprender a viver com isto e com os pequenos truques que entretanto vamos aprendendo ou mesmo inventando.

Desde esse dia que passo mais tempo que o normal nos supermercados, pois tenho de ler a lista de ingredientes para ver se estes contam lá. E acreditem que mesmo sem ser nas bolachas, há imensas coisas que têm ovo na sua composição. Mesmo muitas! (os famosos caldos Knorr, por exemplo)
Pesquiso muito na net, mas nem sempre é fácil encontrar receitas. Porque não se encontram num só local, porque as pessoas não chamam à atenção para este facto, por imensas razões. Mas conto com a ajuda de amigos nesta tarefa, e conto também com o meu engenho na cozinha. Já transformei diversas receitas "normais" com ovo, em coisas igualmente boas sem este ingrediente.

Assim, lembrei-me de compilar num só local as receitas que já tenho, as que entretanto fui inventando ou alterando, as que entretanto me forem enviando. Não colocarei aqui nada que não experimente primeiro, e vou tentar daqui em diante tirar fotos ao resultado final, para melhor ilustrar aquilo que mostro. Nasceu o "Cozinhar sem ovos"

Conto com a ajuda desta blogosfera para aumentar o meu livro de cozinha...
Mandem as vossas receitas para: sofia.fs@gmail.com

Obrigada!

quarta-feira, 26 de setembro de 2007

Petição online... assinem por favor

Porque acompanho um caso bem de perto, porque considero injusto que pessoas com necessidades especiais tenham de pagar 2€ e 3€ por um pedaço de pão "especial" (dado que não podem comer farinha de trigo), quase 5€ por 250gr de esparguete, etc, sem terem qualquer ajuda ou pelo menos benefícios fiscais, divulgo aqui este apelo de uma amiga e colega minha, e da Associação Portuguesa de Celíacos:

"Como muitos já devem saber, foi-me diagnosticado há pouco tempo a doença celíaca (não tolerância ao glúten). Neste momento estou inscrita na APC (Associação Portuguesa de Celíacos) que está a organizar a 1ª Petição Online da APC, com o intuito de recolher assinaturas para a Assembleia da República.
O tema é a inclusão das nossas despesas na declaração de IRS. O objectivo é conseguirmos mais de 8000 assinaturas para que este assunto seja debatido no plenário, incluído em Diário da República e dependendo do nº de assinaturas, será mencionado pela comunicação social.
Para assinar basta inserir o nome completo e o nº do BI (incluindo o nº que se encontra mais à direita). Qualquer pessoa pode participar, daí pedir a V/ colaboração.

Toda a informação necessária encontra-se neste site: http://www.celiacos.org.pt/ "






Obrigada

terça-feira, 24 de julho de 2007

retirado daqui:

Preto vs. energia
Quando o monitor está todo branco (uma página do Word, por exemplo), o computador consome cerca de 74 watts. Quando está todo preto, utiliza, em média, 59 watts.
Partindo deste princípio, há alguns meses atrás, Mark Ontkush escreveu um artigo sobre a economia que poderia ser feita se a página do Google possuísse um fundo preto em vez de branco.
Levando em conta a altíssima popularidade do site, seriam economizados, segundo os cálculos de Mark, cerca de 750 megawatts/hora por ano.
Em resposta ao post, o Google criou uma versão toda escura do seu search engine chamada Blackle.com que funciona exactamente igual à versão original mas consome menos energia.
http://www.blackle.com/
Para mais informações podem consultar a página acima.

Por isso, e porque não custa mesmo nada, mudámos de "roupinha", e de homepage.

segunda-feira, 12 de setembro de 2005

Moral da história

Isto fez ainda ressaltar umas coisas com que me tenho desleixado:

- Rever a caixa de 1ºs socorros e pô-la dentro do Toy (ToyoTTa)
- Revalidar o curso de 1ºs socorros
- Pôr a caixa com as cintas, manilhas, luvas, lanterna e pá dentro do Toy (de nada serve ter um jipe se não tiver estes utensílios para qualquer ocorrência)
- Antes de começar a conduzir, colocar sempre o telemóvel acessível e com o auricular ligado

Ah, todas as pessoas que entretanto pararam no local se lembraram do triângulo. Sabem quantos se lembraram do colete?
NENHUMA (e era de noite)

Outra moral, que a mim não serve, mas pode ser útil a alguém: se enganar o seu marido/mulher, tenha especial atenção à condução... nunca se sabe se pode ser apanhado num acidente a vários km do local onde deveria estar!