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quarta-feira, 31 de agosto de 2011
sexta-feira, 26 de agosto de 2011
quinta-feira, 18 de agosto de 2011
Dia 4
A seguir àquela grande actividade... o que mais se poderia esperar.
Pois tinhamos ainda a Via Ferrata, outro desafio gigantesco para mim. Não sabia grande coisa sobre ela, à excepção de fotos que tinha visto do reconhecimento (e que me fizeram ficar assustadissima), e que era muito alta.
Na ida para o hike tinha abordado o HD sobre isso, mas pouco conseguimos aprofundar. Deu-me no entanto pistas que se revelaram valiosíssimas durante o meu percurso.
Uma vez mais, fiquei para os lugares do fim.
Durante o tempo que aguardei, fui observando o que os outros iam fazendo, e a breve parte do percurso que me era permitido ver, do ponto onde nos encontrávamos.
Não sei bem o que pensei naquela altura, mas lembro-me de ter raciocinado que, estando ali, tendo ido ao Monte Perdido, tendo passado por sítios perigosos e altos sem protecção, eu iria fazer a via ferrata nem que isso demorasse o resto do dia.
Iniciei a minha subida sozinha, pois dei tempo aos da frente, e atrás de mim seguia uma caminheira com tanto ou mais pânico que eu.
Fiz as primeiras duas partes relativamente bem, e fui experimentando as seguranças, a minha própria agilidade com os mosquetões, fui tentanto olhar para o chão que ficava cada vez mais longe.
A dada altura, quando a altura era já muito considerável e os apoios para pés e mãos pediam já alguma ginástica e posições menos "agarradas" à rocha, comecei a perder o controle sobre mim mesma. Sim, cheguei a uma altura em que perdi mesmo o controle. Deixei as primeiras lágrimas sairem e foi o caos.
Na altura havia lama sobre a rocha, e escorria água pela parede. As minhas lágrimas confundiam-se com a água, a lama turvava-me ainda mais a vista. Atrás de mim um precipício enorme e uma paisagem magnífica que eu não conseguia aproveitar.
Parei. Encostei a cara e todo o corpo à rocha e procurei racionalizar o meu pânico. Na minha cabeça começaram a ecoar as palavras que o HD me tinha dito 2 dias antes: se conseguires racionalizar o teu medo e se conseguires controlar o medo racional, reconheces que estás 100% segura, que não há forma de caires dali.
Parei, chorei convulsivamente, alto e bom som. Racionalizei e vizualizei o HD sentado a meu lado na camioneta a falar comigo e a explicar-me como vencer a Via Ferrata. Racionaliza.
Devagarinho, sempre encostada à rocha, espreitei lá para baixo. A altura é uma questão de hábito, disse-me o HD uma vez mais. Aos poucos, o corpo e a cabeça vão-se habituando à paisagem em altitude, e consegues vencer esse medo, habituas-te a ver-te em altitude.
Chorei, parei, olhei.
Mais à frente via a plataforma onde podíamos descansar, como me tinha dito o JM antes de iniciar a subida. (era também o início da pior parte da VF, segundo ele, mas isso agora não interessava nada) Lá estava o DN, que me observava. Só tive vontade de lá chegar para o abraçar...
Parada agarrada à rocha molhada, a água que escorria ajudou-me também a acalmar. Ainda com muito medo, mas já controlada, acalmei e segui o meu percurso.
Das partes seguintes, as que mais impressão me fizeram foi a gruta e a ponte himalaia. Estava completamente sozinha, e uma vez mais vieram-me as lágrimas aos olhos. Recordava o HD e recordava o tanto que eu já tinha conseguido ao chegar ali. Devagarinho, fui seguindo sempre em frente.
Pouco depois da ponte himalaia havia uma zona onde se podia descansar, e aguardei pela A. Vinha sorridente, "protegida" pelo JM. Seguimos juntos dali para a frente. As duas, tinhamos dado um passo gigantesco naquele dia.
A Via Ferrata foi para mim, enquanto descoberta e progresso pessoal, o ponto alto deste Acanuc. Superei um medo, um pânico que não acreditava ser capaz de superar. Superei-me.
Superei-me, cresci.
Cheguei ao fim de um obstáculo que não acreditava sequer ser capaz de começar.
Eu, fiz a Via Ferrata, e um dia vou voltar lá e vou aproveitar cada momento!!!
terça-feira, 16 de agosto de 2011
Dias 2 - 3, o Hike
A partida para o Hike.
Tinha grande expectativa, e algum receio também, perante este Hike.
Por um lado, fora-me apresentado como "a grande actividade da IVª" neste Acanuc. Por outro, a grande preparação física que me tinham dito ser necessária e que eu tinha grandes dúvidas se estaria ao meu alcance. Saí de campo portanto sem ter a certeza de que iria conseguir completar o Hike. Na viagem até Torla fui sentada ao lado do HD, que me mostrou o percurso. A serenidade que ele transmite é contagiante, bem como a confiança - sem lamechices, a serenidade e sabedoria que dele emanam... Saí daquele autocarro sem certezas, mas com uma vontade ainda maior de dar o meu máximo (de esforço físico, entenda-se, porque o outro está sempre presente).
O ES foi connosco até Ordesa, e fizémos um pequeno briefing.
Eu sabia, porque o HD assim mo tinha dito, que as primeiras duas horas iriam ser muito duras.
Sempre a subir a pique, sempre num ritmo que não deixasse ninguém para trás mas que não atrasasse os planos.
Dividimos os Dirigentes entre cada 6/7 Caminheiros, e eu era o número 5.
Quando começámos a subir, senti muitas dificuldades por causa dos bastões, com que nunca tinha andado. Essa atrapalhação, juntamente com um descontrolo da respiração, juntamente com o facto de os Camis à minha frente terem uma preparação física muito superior à minha, fizeram-me desesperar. Ainda não tinham decorrido os primeiros 20 minutos de subida, já eu estava prestes a desabar.
Sim, nesses 20 minutos passou-me tudo pela cabeça.
As forças não sei onde as fui buscar. Levei várias vezes a mão ao walkie-talkie que trazia comigo, e só pensava em chamar o HD e dizer-lhe que ficava por ali. Na minha cabeça ecoavam as palavras desistir, desistir, desistir.
Até que aconteceram duas coisas que foram determinantes para mim.
Primeiro, a imagem do ES. Era por ele que eu estava ali. Eu estava naquele Hike porque ele, que tanto esforço, empenho, trabalho e dedicação deu de si ao longo do último ano, tivera de desistir por causa do seu entorse. Por ele, eu não podia desistir... Seguidamente, oiço o HD a chamar-me, e a pedir-me que trocasse de posição com outro Dirigente e fosse para junto das minhas Caminheiras.
Eu não podia desistir...
As duas horas chegaram ao fim, e a recompensa foi de cortar a respiração. A vista do miradouro onde almoçámos e recuperámos forças é qualquer coisa de magnífico, e pela primeira vez tomei contacto com a grandiosidade e a beleza que me iriam acompanhar nos 2 dias seguintes.
O dia foi mais ou menos complicado a espaços, até que já perto do final do dia chegámos ao refúgio de Goriz.
Este refúgio é um local à parte.
Existe uma zona vasta onde os montanheiros podem montar as suas tendas, 2 contentores com casas de banho e duches, uma zona onde o helicóptero aterra (e passou o dia em viagens de abastecimento), e o edifício do Refúgio propriamente dito. Quando lá entrei (fomos beber um chá), veio-me à memória os meus anos de Pioneira e a nossa ida ao Mullacén, na Sierra Nevada.
A vista de Goriz é indescritível, não me canso de o dizer.
Montámos campo, anoiteceu, jantámos. Fazia-se tarde e pouco mais dava para fazer. Uma conversa mais séria com uma das Tribos, e tudo na cama.
Goriz tinha um céu estrelado magnífico*. A ideia que me veio à cabeça era a de um ninho. Estávamos ali, no alto do monte, mas rodeados de montes ainda mais altos que nós. Por cima das nossas cabeças, um céu estrelado magnífico, amplo, azul-escuro e muito brilhante. Um ninho, senti-me num ninho. O meu ninho de águia...Tive muita pena de não termos conseguido fazer a dinâmica dos Valores da Montanha. Tinha sido magnífico, e tinha-me sabido muito bem realizar tudo o que era proposto. Mas o adiantado das horas e o cansaço...
No dia seguinte, aqueles que iam de facto subir ao Monte Perdido tinham encontro marcado para as 7h15, hora de saída.
Tinha pensado bem nesta hipótese, mas continuava com dúvidas. Finalmente decidi: se cheguei até aqui, não é opção desistir agora... eu TENHO de subir.
Muito mais leve do que no dia anterior - na mochila apenas uma bolsa de água e o impermeável, foi no entanto a máquina fotográfica que me apoquentou. O trilho é perigoso, é necessário tomar muita atenção (nem me lembrei das vertigens), há muitas rochas a subir com a ajuda das mãos, dos bastões, de tudo, e preocupar-me com a máquina foi um esforço acrescido muito grande.
Uma vez mais, os primeiros 20 minutos foram desesperantes. Mas depois de os ultrapassar, concluí que precisava apenas de ganhar embalagem. De habituar o corpo ao esforço contínuo da subida. Foi também nesta parte que me coube transportar a Arca da Aliança.
Esta Arca transportava as intenções de cada participante no Acanuc, que o Clã se tinha comprometido a levar ao Monte Perdido, rezando por elas. Transportava também uma hóstia consagrada. A ideia era cada membro do Clã transportar a Arca durante um pouco da sua Caminhada, oferecendo assim o seu esforço e a sua oração a todo o Núcleo.
Dos 60 que partimos para o Hike, apenas 26 subiram ao Monte Perdido. Desistir não era opção.
A dada altura encontrámo-nos com aquele que seria o nosso Guia na última parte do percurso. O José Luis. Homem de 71 anos e meio (conforme nos contou), era a sua 101ª subida ao Monte Perdido. E a sua genica fazia-nos corar de vergonha pelo nosso cansaço.
A dada altura, começámos a ver que o tempo estava a piorar. Não tenho a certeza se foi este "apenas" o motivo, mas após conferência com o José Luis, o HD disse-nos que não seria possível chegarmos ao cume do Monte. Ficariam a faltar os últimos 300m de altitude. Subiríamos até ao Lago Gelado - zona muito bonita já parte do maciço do MP e derradeiro local de paragem para quem fazia a subida final. Acontece que a neblina que se estava a levantar colocava um grande risco acrescido à subida, já de si bastante perigosa. Houve no grupo um sentimento de tristeza, mas também de um certo alívio. O cansaço era notório...
Subimos ao Lago Gelado, e ali descansámos. A vista é maravilhosa, como já vinha sendo hábito.
No cimo do Lago Gelado o José Luis fez uma pequena cerimónia para nós. Ajoelhados, armou cada um dos participantes Damas e Cavaleiros do Monte Perdido.
Fizémos ainda uma pequena cerimónia com a Arca da Aliança.
Foram momentos simples, simbólicos. Foram momentos de grande significado para mim, e acredito que para cada um dos participantes. Estar ali, a 3080m de altitude, poder comungar com os meus companheiros aquele espírito, aquele esforço, aquela paz que nos era transmitida pela magnificência do espaço que nos rodeava...
Levámos connosco nesta parte o ES.
Eu tinha querido levar uma foto em tamanho natural, mas veio-me depois uma ideia melhor. Em casa, escolhi criteriosamente a tshirt que iria vestir no primeiro dia. Escolhi uma tshirt branca com o logo dos scouts em vermelho, que comprei no tempo em que eu era do Clã (muitos anos portanto). Essa tshirt simbolizou o esforço que eu fiz no seu lugar, o suor que seria ele a verter... No dia da subida ao Monte Perdido, a tshirt foi comigo na mochila, na parte de fora da mochila. Com ela, eu e os 3 caminheiros do meu Clã que subiram, tirámos uma foto. De regresso a campo, escrevemos na tshirt: ES. O E esteve no Monte Perdido., e assinámos todos.
Iniciámos a descida, para mim a parte mais difícil de todas.
Chegados a Goriz, uma pequena dinâmica com os que tinham ficado.
Partimos em direcção à Colla de Cabalo.
O meu joelho esquerdo começou a dar de si, e descer era cada vez mais doloroso. Por isso não pude partilhar mais com o resto do grupo. Comigo caminhava nesta parte o PF, também com as suas mazelas.
A Colla de Cabalo é uma cascata gigantesca, cujo formato se assemelha à crina de um cavalo, daí o nome. Linda!
A parte final do percurso ainda nos reservava várias horas de caminhada. A descer, claro. O meu joelho doía cada vez mais, e comecei a andar literalmente a passo de caracol. A dada altura, estava para trás de todo o grupo, na companhia da doce F, do NL e do O. Dividiram entre si a minha mochila e fizeram-me companhia todo o resto do caminho. Chegámos ao autocarro já era noite escura, e parte do Clã já tinha arrancado para campo.
Quando cheguei, a F estava à minha espera, e chorava. Esteve sem me ver 2 dias, e estava triste por eu não ter aparecido no primeiro autocarro. Foi a única altura em que esteve tristinha nesta actividade.
Destes dois dias guardo coisas que não consigo colocar em palavras.
Por um lado, a quantidade de montanhistas que por ali andavam, a subir e a descer. A sua simpatia, o facto de nos falarem sempre, de cederem passagem ou agradecerem a que lhes dávamos.
A limpeza do Parque de Ordesa, onde apenas numa ocasião vi um papel no chão, já no regresso (e na zona mais visitada pelos turistas).
Do nosso grupo, o espírito de entreajuda, o espírito de união que se foi fortalecendo.
Os nossos Caminheiros são malta boa, gente com sede de aprender, de crescer, de ser mais.
Das paisagens, não consigo nem falar. Lindas, enormes, a perder de vista.
Do que eu trouxe de lá? Tanta coisa que não cabe aqui... e de que eu ainda não consigo falar sequer...
O que eu aprendi ao fazer este Hike? Além do que já falei... O facto de caminhar/escalar em altitude surpreendeu-me. Notei de facto alguma diferença na respiração. Por mais que enchesse o peito, parecia que o ar não chegava para as minhas necessidades. Os meus pulmões também se fizeram notar, e tossi bastante enquanto lá estive em cima (nos 2600/3080m). Mas genericamente adaptei-me bem e consegui superar estas dificuldades.
Os limites que ultrapassei em esforço, em medos, o tão pequenina me senti ali naquele espaço tão imenso.
Acima de tudo, enquanto lá estive - na subida, no refúgio, na derradeira subida e durante a descida, senti-me agradecida. Agradecida por existirem sítios como aqueles, agradecida por eu ter a oportunidade de ir a sítios como aqueles, agradecida por...
Nas fotos, eu, Dama do Monte Perdido.
*que não consegui fotografar...
quinta-feira, 11 de agosto de 2011
dia 1
A viagem e o 1º dia foram demostrativos do que aí viria...
A chegada, o check-in, as arrumações, a Eucaristia, a cerimónia de abertura, o almoço, a partida a correr para a 1ª actividade, que para o nosso Clã seria o Barranquismo.
Aqui um primeiro desafio (o primeiro de muitos que viriam a ser cumpridos).
Rapel faço eu com "uma perna às costas", nadar também. Mas quando chegámos à parte do salto*... meu Deus! Não sei como há quem goste daquilo...
Eu seguia no final da comitiva, e observei os saltos de todos (apenas uns 3 ou 4 é que foram pelo caminho alternativo). Eram apenas 2 ou 3 segundos...
Avancei por entre as rochas, deitada, até à plataforma rochosa de onde tinha que saltar.
Parecia gigantesco!
Logo ali fiquei zonza de ver a altura real de onde era esperado que saltasse. Só pensava nos poucos segundos que tudo demorava, mas a altura era imensa.
Ainda perguntei ao Raoul (o monitor que nos acompanhava) se deveria saltar mesmo ou bastava "dar um passo". Ele brincou, dizendo que se saltasse me iria esborrachar na rocha em frente. Bastava dar um passo como se fosse a caminhar, e deixar-me cair.
Após uns minutos de medo, de hesitação (e todo o grupo a assistir à cena, incitando-me a saltar), lá me resolvi a saltar mesmo.
Pânico. Aqueles 3 segundos entre o saltar, cair na água e voltar ao de cima, pareceram-me 3 horas. Senti um frio a percorrer-me o corpo, uma sensação de vertigem horrível, como se estivesse em queda livre (e estava...).
Quando saí, estava toda a tremer, e demorei ainda um bom pedaço de tempo até recuperar.
Quando o Raoul se juntou ao grupo, perguntei-lhe a altura daquilo: 7,5m.
Se me dissessem que eu iria fazer aquilo, eu não acreditava. Consegui.
Consegui!!!
Aqui um primeiro desafio (o primeiro de muitos que viriam a ser cumpridos).
Rapel faço eu com "uma perna às costas", nadar também. Mas quando chegámos à parte do salto*... meu Deus! Não sei como há quem goste daquilo...
Eu seguia no final da comitiva, e observei os saltos de todos (apenas uns 3 ou 4 é que foram pelo caminho alternativo). Eram apenas 2 ou 3 segundos...
Avancei por entre as rochas, deitada, até à plataforma rochosa de onde tinha que saltar.
Parecia gigantesco!
Logo ali fiquei zonza de ver a altura real de onde era esperado que saltasse. Só pensava nos poucos segundos que tudo demorava, mas a altura era imensa.
Ainda perguntei ao Raoul (o monitor que nos acompanhava) se deveria saltar mesmo ou bastava "dar um passo". Ele brincou, dizendo que se saltasse me iria esborrachar na rocha em frente. Bastava dar um passo como se fosse a caminhar, e deixar-me cair.
Após uns minutos de medo, de hesitação (e todo o grupo a assistir à cena, incitando-me a saltar), lá me resolvi a saltar mesmo.
Pânico. Aqueles 3 segundos entre o saltar, cair na água e voltar ao de cima, pareceram-me 3 horas. Senti um frio a percorrer-me o corpo, uma sensação de vertigem horrível, como se estivesse em queda livre (e estava...).
Quando saí, estava toda a tremer, e demorei ainda um bom pedaço de tempo até recuperar.
Quando o Raoul se juntou ao grupo, perguntei-lhe a altura daquilo: 7,5m.
Se me dissessem que eu iria fazer aquilo, eu não acreditava. Consegui.
Consegui!!!
À noite a 1ª actividade do imaginário.
Cinema com Valores.
Notei com agrado a preparação que os Clãs fizeram de toda esta actividade. Houve empenho de todos, orgulho no seu trabalho, maturidade na organização. Nasceu aqui um bom augúrio para o que aí viria, e não estava enganada.
*Imaginem um poço. De rochas, mas um poço. Imaginem que nós estávamos numa plataforma/prancha no cimo desse poço e tínhamos obrigatoriamente de saltar lá para o fundo para podermos seguir o percurso. É o salto.
*Imaginem um poço. De rochas, mas um poço. Imaginem que nós estávamos numa plataforma/prancha no cimo desse poço e tínhamos obrigatoriamente de saltar lá para o fundo para podermos seguir o percurso. É o salto.
Chegar a El Chate e instalar-me num quarto passando os próximos 6 dias com um livro na cabeceira chamado "Projecto Felicidade" foi mais um daqueles acasos...
Não o cheguei a desembrulhar, pois já sabia que não ia ter tempo para ler nada, mas sabia perfeitamente o que a L. me tinha enviado.
Sim, como diz o anúncio, eu sabia que ali ia ser feliz, muito feliz. E assim foi.
Logo à chegada o A. disse-me que afinal iria abandonar os projectos iniciais e ficar mesmo a 100% com a IV. Fiquei contente. Como já disse, essa decisão proporcionou-me voltar a estar com uma das minhas secções favoritas, os Caminheiros, e não estar com eles apenas os dois dias do Hike.
Revivi com os meus 4 Camis, partilhei e conheci outros 50. Jovens activos, participativos, mentes inquietas, irreverentes, cheias de vontade de crescer e fazer algo de útil neste mundo, o seu mundo. Foi fantástico voltar a estar com esta malta, ver que tanta coisa mudou entretanto, mas que no fundo nada mudou e as razões que me levaram a colocar o vermelho do Serviço ao pescoço continuam tão válidas como na época.
"Lenço rubro é rumo certo
Decide tu para onde vais..."
Durante o tempo que durou esta actividade, não tive tempo, nem disposição, para escrever. Tentei algumas vezes afastar-me um pouco, mas o tempo foi sempre tão escasso, a entrega foi grande e o que restava não me deixava o sossego suficiente para me abstrair e escrever. As actividades sucederam-se a um ritmo alucinante, e eu, ali caída meio de pára-quedas no imaginário e na organização, tentava apanhar as coisas para me manter a par, ser útil e não deixar a IV, o ES e o HD sem apoio.
Em vez disso, trouxe na cabeça os posts, os textos, as memórias que trago de lá.
Parte deles já estão iniciados. Nem todos são para colocar aqui.
terça-feira, 9 de agosto de 2011
eles não entendem...
Quando hoje descansava o joelho em cima de um banquinho, o vestido que trazia deixou ver um dos diversos arranhões que trouxe do Acanuc.
Uma colega que entrou no gabinete, observou o arranhão e perguntou em jeito de brincadeira se tinha andado a meter-me com gatos.
Expliquei sumariamente que eram "feridas de guerra", condecorações obtidas na actividade onde tinha participado, e fiz questão de demonstrar que não estava nem um pouco preocupada com isso.
A reacção foi mais ou menos a esperada: espanto inicial para ver se eu estava a falar a sério, seguido de um olhar crítico em jeito de "coitada, passou-se".
As perguntas sucederam-se em catadupa. Mas o que andas tu a fazer ali? Achas que tens idade para isso? Mas afinal qual é o gozo de andares a cansar-te à torreira do sol, a dar cabo dos joelhos, dos pés e das pernas (e não viu ela as nódoas negras), para que serve trepar a um monte agarrada a uns ferros, carregar mochilas pesadíssimas, e chegares a casa cheia de olheiras de dormir pouco? Tu vens mais cansada do que foste, mulher!
Já passei a fase das explicações profundas, com pessoas que eu sei que nunca vão entender o gozo que estas coisas me dão.
Não os critico, como espero que não me critiquem a mim.
O cansaço físico é grande depois de cada actividade, de cada acampamento. Mas como me dizia hoje um amigo Dirigente, os miudos são o nosso ópio. E eu acrescento: o cansaço físico é proporcional à grandiosidade com que a nossa alma regressa a casa cheia, livre, feliz.
Uma colega que entrou no gabinete, observou o arranhão e perguntou em jeito de brincadeira se tinha andado a meter-me com gatos.
Expliquei sumariamente que eram "feridas de guerra", condecorações obtidas na actividade onde tinha participado, e fiz questão de demonstrar que não estava nem um pouco preocupada com isso.
A reacção foi mais ou menos a esperada: espanto inicial para ver se eu estava a falar a sério, seguido de um olhar crítico em jeito de "coitada, passou-se".
As perguntas sucederam-se em catadupa. Mas o que andas tu a fazer ali? Achas que tens idade para isso? Mas afinal qual é o gozo de andares a cansar-te à torreira do sol, a dar cabo dos joelhos, dos pés e das pernas (e não viu ela as nódoas negras), para que serve trepar a um monte agarrada a uns ferros, carregar mochilas pesadíssimas, e chegares a casa cheia de olheiras de dormir pouco? Tu vens mais cansada do que foste, mulher!
Já passei a fase das explicações profundas, com pessoas que eu sei que nunca vão entender o gozo que estas coisas me dão.
Não os critico, como espero que não me critiquem a mim.
O cansaço físico é grande depois de cada actividade, de cada acampamento. Mas como me dizia hoje um amigo Dirigente, os miudos são o nosso ópio. E eu acrescento: o cansaço físico é proporcional à grandiosidade com que a nossa alma regressa a casa cheia, livre, feliz.
a miuda ainda se faz...
Questionada ontem por uns amigos, sobre o acampamento (sobre o qual não se calava há já muito tempo):
- Então F., gostaste de ir passear, e as paisagens eram bonitas?
- Eu não fui passear nem fui ver paisagens, eu fui a uma ACTIVIDADE!
(toma e embrulha)
- Então F., gostaste de ir passear, e as paisagens eram bonitas?
- Eu não fui passear nem fui ver paisagens, eu fui a uma ACTIVIDADE!
(toma e embrulha)
segunda-feira, 8 de agosto de 2011
por acaso, nada é ao acaso
A minha história com o III Acanuc é uma sequência de acasos.
Começou por eu querer que a F. conhecesse outra realidade, outra forma de fazer escutismo, outras pessoas e outras vivências.
Atrás dela veio o convite, que aceitei alegremente.
Inicialmente para staff com as crianças, depois para algo incerto, depois para a comunicação.
Até que o triste infortúnio do ES criou uma necessidade específica junto do meu antigo Clã.
Cheguei ao Acanuc para fazer com eles "O" hike, mas ainda não tinha sido a abertura de campo e já estava caçada para ficar pelo resto da actividade, dando assim um apoio mais específico à secção, ao ES e ao próprio HD.
Apesar de estar disponível para qualquer necessidade do Núcleo, é inquestionável que esta solução foi a que mais me agradou. Pelas actividades também sem dúvida, mas acima de tudo por me proporcionar o voltar a estar com uma Secção, com a minha Secção, e com os meus Caminheiros.
Voltar a estar, agora num registo diferente, com a MC e a AP, reconhecer o JM e conhecer o JL, foi uma agradável surpresa. Redescobri jovens que deixei crianças, e vi com agrado que são futuros adultos de mérito, empenhados, unidos e muito amigos, que me receberam de braços abertos e se despediram de mim com saudade. Saber que um pouquinho de mim cresceu com eles desde há 7 anos atrás é motivo de um orgulho enorme que não tento esconder.
Superei nesta semana medos e limites que tinha e que julgava casos perdidos.
Estive no alto do Monte, rezei sob um magnífico céu estrelado, contei com o companheirismo de 50 Caminheiros admiráveis, partilhei alegrias e experiências com Dirigentes que não conhecia e fiz por uma semana parte de um projecto que foi fruto de um sonho gigante e que se tornou realidade graças ao empenho de uma equipa trabalhadora e empenhada.
Começou por eu querer que a F. conhecesse outra realidade, outra forma de fazer escutismo, outras pessoas e outras vivências.
Atrás dela veio o convite, que aceitei alegremente.
Inicialmente para staff com as crianças, depois para algo incerto, depois para a comunicação.
Até que o triste infortúnio do ES criou uma necessidade específica junto do meu antigo Clã.
Cheguei ao Acanuc para fazer com eles "O" hike, mas ainda não tinha sido a abertura de campo e já estava caçada para ficar pelo resto da actividade, dando assim um apoio mais específico à secção, ao ES e ao próprio HD.
Apesar de estar disponível para qualquer necessidade do Núcleo, é inquestionável que esta solução foi a que mais me agradou. Pelas actividades também sem dúvida, mas acima de tudo por me proporcionar o voltar a estar com uma Secção, com a minha Secção, e com os meus Caminheiros.
Voltar a estar, agora num registo diferente, com a MC e a AP, reconhecer o JM e conhecer o JL, foi uma agradável surpresa. Redescobri jovens que deixei crianças, e vi com agrado que são futuros adultos de mérito, empenhados, unidos e muito amigos, que me receberam de braços abertos e se despediram de mim com saudade. Saber que um pouquinho de mim cresceu com eles desde há 7 anos atrás é motivo de um orgulho enorme que não tento esconder.
Superei nesta semana medos e limites que tinha e que julgava casos perdidos.
Estive no alto do Monte, rezei sob um magnífico céu estrelado, contei com o companheirismo de 50 Caminheiros admiráveis, partilhei alegrias e experiências com Dirigentes que não conhecia e fiz por uma semana parte de um projecto que foi fruto de um sonho gigante e que se tornou realidade graças ao empenho de uma equipa trabalhadora e empenhada.
domingo, 7 de agosto de 2011
enquanto não faço a digestão...
das coisas físicas que trouxe:
- 1 joelho escalavrado
- 2 pés inchados (que não percebo porquê)*
- bolhas várias nos pés - coisa que nunca me tinha acontecido em muitos anos de escutismo
- 1.500 fotos (só as minhas), das quais pelo menos 300 têm de ser arranjadas**
- arranhões e nódoas negras por todo o corpo
- descobri músculos novos todos os dias
- consegui vencer a Via Ferrata e regressar para contar***
- consegui fazer o salto do barranquismo
- perdi 4cm nas ancas e ganhei 2kg****
* A idade não perdoa, e a falta de treino ainda menos
**Ninguém me manda ir fazer experiências com filtros numa altura destas
*** Depois de um ataque de pânico a meio, mas isso agora não interessa nada
**** Significa que ganhei massa muscular, certo?
- 1 joelho escalavrado
- 2 pés inchados (que não percebo porquê)*
- bolhas várias nos pés - coisa que nunca me tinha acontecido em muitos anos de escutismo
- 1.500 fotos (só as minhas), das quais pelo menos 300 têm de ser arranjadas**
- arranhões e nódoas negras por todo o corpo
- descobri músculos novos todos os dias
- consegui vencer a Via Ferrata e regressar para contar***
- consegui fazer o salto do barranquismo
- perdi 4cm nas ancas e ganhei 2kg****
* A idade não perdoa, e a falta de treino ainda menos
**Ninguém me manda ir fazer experiências com filtros numa altura destas
*** Depois de um ataque de pânico a meio, mas isso agora não interessa nada
**** Significa que ganhei massa muscular, certo?
sábado, 6 de agosto de 2011
cheguei
Cheguei a casa perto das 6h30 e fui directa à cama.
6 dias muito intensos fisica e espiritualmente, que ainda não consegui digerir.
6 dias muito intensos fisica e espiritualmente, que ainda não consegui digerir.
Pela primeira vez, não consegui colocar em palavras aquilo que senti durante aqueke tempo, aquilo que sinto agora, o profundo agradecimento a todos aqueles com quem vivi esta aventura.
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