Quando hoje descansava o joelho em cima de um banquinho, o vestido que trazia deixou ver um dos diversos arranhões que trouxe do Acanuc.
Uma colega que entrou no gabinete, observou o arranhão e perguntou em jeito de brincadeira se tinha andado a meter-me com gatos.
Expliquei sumariamente que eram "feridas de guerra", condecorações obtidas na actividade onde tinha participado, e fiz questão de demonstrar que não estava nem um pouco preocupada com isso.
A reacção foi mais ou menos a esperada: espanto inicial para ver se eu estava a falar a sério, seguido de um olhar crítico em jeito de "coitada, passou-se".
As perguntas sucederam-se em catadupa. Mas o que andas tu a fazer ali? Achas que tens idade para isso? Mas afinal qual é o gozo de andares a cansar-te à torreira do sol, a dar cabo dos joelhos, dos pés e das pernas (e não viu ela as nódoas negras), para que serve trepar a um monte agarrada a uns ferros, carregar mochilas pesadíssimas, e chegares a casa cheia de olheiras de dormir pouco? Tu vens mais cansada do que foste, mulher!
Já passei a fase das explicações profundas, com pessoas que eu sei que nunca vão entender o gozo que estas coisas me dão.
Não os critico, como espero que não me critiquem a mim.
O cansaço físico é grande depois de cada actividade, de cada acampamento. Mas como me dizia hoje um amigo Dirigente, os miudos são o nosso ópio. E eu acrescento: o cansaço físico é proporcional à grandiosidade com que a nossa alma regressa a casa cheia, livre, feliz.
1 comentário:
podes sempre responder: és alentejano não és? então não faças perguntas parvas sff...
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