um pouco diferente da do post anterior, mas que no fundo acaba por reflectir-se no todo que é o crescimento, a educação e a formação das nossas crianças e jovens, há muitas outras coisas que me afligem.
Algumas vezes dou por mim zangada comigo mesma, por ver a exigência que faço aos meus filhos com certas coisas. Umas dessas vezes tenho razão, outras sei que estou no caminho certo (pelo menos na minha perspectiva, claro), outras confesso que possa exagerar um bocadinho.
Mas afinal, quem não gostaria que os seus filhos fossem perfeitos em tudo?
É estafante tanto para mim como para eles - e para quem eventualmente nos ouve, estar sempre a repreender pequenas atitudes.
De facto, passar refeições interias a repetir, dia a pós dia, minuto a minuto,
"não se fala com a boca cheia"
"não se mastiga com a boca aberta"
"tira a mão da cabeça que ela não cai"
"pede-se licença antes de falar"
"não se interrompe as conversas dos adultos"
"usa o garfo e a faca, não as mãos"
"encolhe os braços, pareces um avião"
"ninguém se levanta da mesa sem todos acabarem de comer"
"a faca é que empurra a comida, não são os dedos"
"não se faz barulho a comer"
e tantos, mas tantos outros avisos que não me lembro agora, é cansativo, desgastante e por vezes frustrante.
Mas o que é certo, é que eu sei que os meus filhos dificilmente me vão fazer passar vergonhas quando saímos, quando vão a casa de amigos ou a festas de anos.
Sei que muitas vezes, depois de alguma repreensão destas, se saem com "mas lá no colégio/escola os outros fazem todos assim", mas desde o mais pequeno à mais velha, a minha resposta é sempre "sim, mas eu não tenho nada a ver com a falta de educação dos outros... tu és meu filho/a, e vais aprender a portar-te bem".
Confesso, faz-me muita aflição ver crianças de 7/8/9 e até 12 anos a sorver a sopa com enorme barulho, que não sabem para que serve a faca, que mastigam a comida de forma a que quase se vê o conteúdo do estômago, etc. E isso acontece-me em grande parte das vezes em que a F. convida alguém para comer connosco...
Sei que a exigência para com o de 4 anos não é a mesma do que com a de 8, mas um e outro têm atitudes que me deixam orgulhosa e sem qualquer tipo de medo "de etiqueta".
Claro, já passei diversas vezes por cenas em espaços públicos, onde apontam despudoradamente para adultos que estão a fazer tudo aquilo que a eles não lhes permito. Já por umas 4 vezes ouvi alto e bom som (eu e toda a gente nos restaurantes em questão) um "ó mãe, mas porque é que aquele senhor está a comer de boca aberta? Isso não se faz pois não?".
Há alguma altura certa para incutir hábitos de educação aos nossos filhos? Acho que não... Acho que devemos fazê-lo desde pequeninos, desde que saibamos o que lhes podemos exigir em cada idade.
3 comentários:
Ola, daqui Vanessa da Irlanda, com novo blog.
hummm, tocaste num assunto complexo sabes. Lembro-me que quando eu era mais nova e durante toda a minha vida em casa dos meus pais, era EU que tinha vergonha da forma como ELES se comportavam à mesa.
Obviamente, eles nao foram o meu modelo de etiqueta - e eles nao fugiam mto á norma em nosso redor - mas nao sei bem ao certo quem foi o meu modelo. Talvez todas as pessoas que se comportavam de forma mais educada, que comiam de boca fechada, me tenham inspirado e eu tenha gostado tanto do que via. Se tivesse de inumerar apenas uma pessoa, talvez tivesse sido a minha vizinha de cima, que me ensinava boas maneiras sempre que eu ficava umas horas em casa dela, se bem que so me lembro de me ter ensinado duas: comer de boca fechada e lavar os dentes logo ao acordar, antes mesmo do pequeno-almoco.
Entao no meu caso, era eu que durante mtos anos tentava alertar os meus pais para fecharem a boca enquanto mastigam e nao falarem tao alto á mesa, etc. Mas, claro, sem sucesso. Acho até que me catalogaram como 'tem a mania' nesses anos.
Todavia, acho este assunto complexo porque, vendo a tua lista de correccoes (que dizes ser apenas um exemplo), existem por lá já coisas que acho demasiado, principalmente para criancas que ainda so as conseguem ver como regras, em vez de elegancia (pois elegancia nao está ainda no seu vocabulário).
Na minha opiniao pessoal (que nao interessa, é só uma curiosidade), acho que tens razao quando dizes que há uma idade para tudo e cedo demais, uma lista grande de regras dao a imagem de estar 'na tropa' e espero que nunca o venham a entender no futuro como algo claustrofobico e obcessivo de uma mae controladora demais - sei que nao és, mas eu, como te disse, tenho uma visao diferente, cresci naturalmente e de forma inata a adorar regras de etiqueta.
Enfim. Ninguem sabe o futuro. Desejo todos os dias nao vir a ser uma mae rigida demais (e o Bruno tambem tem tendencia a ser mto rigido, mas noutras coisas: eu acho que o Bruno, por exemplo, come depressa demais, como se nao comesse há semanas, lol).
Se pudesse melhorar a tua lista, diminuia a frequencia das correccoes ou até mesmo eliminava algumas para uma idade em que já fossem adolescentes, sei lá, como a de pedir licensa para falar.
Mas é só a minha opiniao: no kids yet, what do I know...
beijinhos!
Que bom ver-te aqui novamente Vanessa!
Eu não acho que haja um "cedo demais" para ensinar boas maneiras às crianças. Ou talvez haja, mas depende também deles próprios e da maturidade/maneira de ser.
Por exemplo ao A. eu nunca precisei de o ensinar a comer com a boca fechada. Sempre fez assim...
Quanto ao resto, claro que tem de ser bem doseado a frequência com que se avise, repreende, ensina.
Mas sim, eles percebem que há uma razão de ser para tudo.
Se eles não gostam que eu interrompa as suas brincadeiras (ou mesmo conversas), também não podem interromper as minhas conversas.
E todas essas regras têm uma razão que lhes é sempre explicada: usar as mãos para comer suja as mãos, roupa, cai comida, pode originar doenças; abrir os braços incomoda os que estão ao lado; boca aberta a comer faz saltar a comida; etc etc etc.
Quando digo que não me vão envergonhar, essa não é a minha razão para querer que se comportem assim. Quero antes de mais que entendam porque não o devem fazer, e acima de tudo, seguir as mesmas regras em todos os locais onde vão - mostrando precisamente que não os estou a ensinar a agir assim por causa do que os outros pensam, mas por causa deles mesmos.
E acredita, se não os ensinares antes, não é na adolescência que eles vão querer regras, pelo contrário! (e olha que eu agora tenho lá uma, eheheh)
Beijinho grande,
Sofia
Está aí um ponto de vista que entendo.
Beijinhos :)
Enviar um comentário