sábado, 12 de março de 2011

Manif

As coisas não estão nada fáceis também para nós, e tive muita pena de não ter ido à manif.
Mas de facto uma viagem a Lisboa nesta altura do mês, sem um fim muito específico, não convém nada à conta bancária.
Acompanhei com emoção as coisas pela televisão, fazendo zapping entre a RTP-N (excelente cobertura) e a SIC (péssima cobertura).
Achei fantástico que tantas e tantas pessoas tivessem participado.
Tive muita pena, pois não acredito que vá ter resultados práticos, além da tomada de posição.

Acredito que esta geração (na qual eu me incluo também) não tem a vida facilitada, como eu não tenho, mas acredito também que muitos não fazem nada por isso, antes esperam que as coisas lhes caiam no colo de mão beijada.
Quando fiz 18 anos, detestava o sítio onde vivia desde os 15. Sabia que os meus pais não me podiam pagar um curso superior, e muito menos a minha estadia noutra cidade. Nem pensei duas vezes. Acabei o 12º ano, e comuniquei que ia sair de casa, começar a trabalhar, regressar a Lisboa, pagar os meus estudos. Durante 5 anos trabalhei de dia (inicialmente em part-time), estudava à noite. Os meus pais continuavam a dar-me uma ligeira ajuda - a possível essencialmente com a alimentação, mas eu pagava o meu curso numa universidade privada, os transportes, grande parte da alimentação, roupa, a carta de condução que entretanto resolvi tirar, e ainda um curso no British Council.
Foi fácil? Claro que não.
Consegui logo um trabalho na minha área de estudos? Claro que não.
Consegui uma remuneração imediatamente equivalente às minhas habilitações? Claro que não... ainda hoje não a tenho.
Mas fui à luta, nunca neguei um trabalho, e acima de tudo sempre optei pela minha independência financeira em detrimento de ficar sentada no sofá à espera do tal trabalho na minha área.
São opções.
Admito que não é fácil andar a estudar 4 anos em Relações Públicas e Publicidade para depois ter de aceitar um trabalho como secretária (sem demérito pela profissão, que tive durante vários anos e que respeito muito), mas era aquele trabalho que me garantia estar activa e a sustentar-me. Nunca exitei.

O que vejo muito hoje em dia (ok, poderão dizer-me que é um universo relativamente pequeno, e claro que como em tudo há excepções), são jovens que tiram a sua licenciatura nuns míseros 3 anos à custa dos pais, que nunca lutaram pelo que queriam, e que esperam agora, aos 21 22 ou 23 anos sair da faculdade sem saber nada de útil (sejamos francos: o que é que aprendemos na universidade sobre o mercado de trabalho a SÉRIO???) e ter logo ali à espera deles um trabalhinho (ou um emprego) onde sejam tratados por Drs e Engs e lhes paguem 2000 euros. Não querem começar por baixo, não gostam de reconhecer que lhes falta a experiência, não aceitam começar a ganhar 700eur e subir com o tempo, depois de mostrarem o que valem na realidade.
Os pais, esses coitados que se sacrificaram uma vida para pagar os cursos  sentem-se frustrados também. Acreditaram que o curso seria o passaporte para os filhos seguirem a sua vida, Drs e Engs, começando pela porta grande. Foram ao engano? Muitos acho francamente que sim, pois era quase assim no seu tempo. Tirava-se um curso e arranjava-se logo um emprego bem pago. Mas nesse tempo a quantidade de pessoas com cursos superiores era bem inferior à actual. E as pessoas não vêm isso.

Desanimada estou eu (força de expressão, que não sou de baixar os braços), que não sou aumentada há 5 anos, que tenho agora (no ano em que as carreiras deveriam descongelar) a carreira congelada, e sem previsões de vir a descongelar.

Mas faço exactamente aquilo que gosto, e isso de momento basta-me para continuar a lutar.

E afinal, a Luta é Alegria!

2 comentários:

pipac disse...

olha... tou contigo!
:)

Jolie disse...

ora pois que é isso.