Quando a “melgo” com as conversas do “tens de trabalhar na escola, tens de estar atenta, tens de fazer sempre os trabalhos da escola, etc etc”, olho para trás e vejo o quanto, apesar de ter decorado todas as estações e apeadeiros da Linha do Norte e da Linha do Sul e quase ter levado reguadas, os meus tempos de escola primária foram bem mais simples e bem menos exigentes.
Quase não tinha trabalhos de casa, sempre tive orgulho e estima nos meus materiais da escola, e dava-me um gozo brutal concorrer com os meus colegas sobre quem tinha mais certos no caderno, o simples facto de alguém abrir a boca quando não devia dava direito à presença do director da escola para nos intimidar, e os pais iam à escola apenas se algo corria mal.
Agora? Quando a professora diz que a turma tem vários meninos problemáticos, os pais em causa riem-se; quando a professora diz que, apesar de ninguém “chumbar” no 2º ano (manifestações de agrado da maioria dos pais presentes), quer que todos vão bem preparados para o ano seguinte (mais risos idiotas); quando a minha filha leva materiais novos para o início do ano, vejo que há muitos meninos que sem necessidade levam caixas de lápis-de-cor de brincar; quando me esforço para que ela faça sempre por si e bem feitos, os trabalhos de casa, há pais que fazem os trabalhos pelos filhos, e nem a letra disfarçam.
Apesar disso, ela continua orgulhosa por ler bem, por escrever e aprender as coisas. Chega a casa contente por ter bolinhas verdes no comportamento e prometeu ter “boas notas como no ano passado”. E assim, eu acredito que os meus esforços estão a dar frutos…
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