Os ultimos meses trouxeram-me uma inquietude que eu não soube gerir muito bem, com as emoções de novo à flor da pele.
Só me vinham à cabeça os sentimentos contraditórios de celebrar o 6º aniversário da Filipa e nesse mesmo dia recordar o primeiro aniversário da partida do meu pai, são uma coisa que me transcendem, que me enchem de alegria e tristeza em simultâneo, o peso da celebração versus o peso na consciência de celebrar uma data igualmente tão triste para mim, a própria falta de vontade de fazer alguma coisa e simplesmente adormecer a 25 e acordar a 27, esperando que todos se esquecessem, me deixassem no meu canto sózinha. É algo quen nunca mais vai passar...
Mas, não podíamos deixar de festejar, é certo: 6 anos de idade significam a partida para uma vida diferente, a entrada no mundo dos adultos: a responsabilidade da escola primária que está cada vez mais próxima, os amiguinhos e professoras da pré que ficam para trás...
Inexplicavelmente, estes ultimos dias mostraram-se calmos, de uma serenidade imensa. Não sei de onde veio esta calma, assim de repente. As recordações, embora tristes, muito tristes, são agora mais serenas. A ferida não sarou nem deixou de doer, mas é agora uma dor menos contundente, como um mal-estar contínuo com que nos habituamos a co-existir com o passar do tempo.
A festa está marcada, o sítio reservado, os convites entregues e o bolo encomendado. Sem ovo, claro.
Vamos fazer uma grande festa com os amigos todos da escolinha, com direito a experiências, balões, algodão-doce, pinturas faciais, confetis e serpentinas.
Vais gostar, eu sei.
E não seremos só nós a fazer uma festa. Estou certa que lá no alto há-de haver uma estrela que nesse dia vai brilhar mais do que as outras.
4 comentários:
A minha avó paterna,morreu no dia em que o meu pai faz anos. Dia 25 de Janeiro, desde esse dia esses dias têm sido mais contidos, mas celebra-se mais o dom da vida, recorda-se quem já partiu e agradece-se aqueles que ainda estão connosco!
Não há palavras que ajudem, repito nunca me esquecerei e hoje lembro-me: pedirei por ti!
obrigada...
Querida Sofes,
estou por aqui a tanto tempo, acompanhei a perda do teu pai silenciosamente, omissão de minha parte, perdoe-me. Não soube o que dizer... esteve em minhas orações, como está.
Santa Tereza se não me engano dizia que "na fraqueza somos fortes", e as forças vêem.
Fiquei feliz em ler-te hoje, muito feliz em saber que a serenidade esta em ti, que você a reconheceu. A saudade tão presente não somente lá no alto, mas também no teu sorriso, no da Filipa, acredito que ele gostaria de ver essa alegria, de celebrar a vida.
Beijo minha querida
e beijinhos para Filipa
Obrigada Vivis!
Obrigada por estares desse lado, com a tua força...
Beijo grande,
S
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