Como tenho pouca sarna para me coçar, voluntariei-me para fazer parte do Conselho de Turma da minha F.
Tivemos a primeira reunião há mais de um mês, mas quero deixar aqui o registo.
Em 18 alunos, há 4 com especial mau comportamento. MUITO mau mesmo. E que vão levando os outros por arrasto.
Fez-me confusão ouvir aquilo. Dei comigo, uma vez mais, a pensar que eu nunca daria para professora, pois é-me inconcebível imaginar-me numa das várias situações relatadas e não espetar um chapadão na tromba de um deles (alunos).
Mas não foi nada disso que ouvi.
Ouvi 12 professores preocupados com a situação, preocupados em "salvar" a turma. Ouvi-os a discutir uma forma de tutoria a uma dessas alunas (a pior, mesmo), pois sabem que uma das coisas que lhe falta é uma figura parental, uma autoridade masculina. E portanto um dos professores ofereceu-se para ser seu Tutor e ajudar a encaminhar a coisa.
Quando eu e o outro pai falámos, assisti a 12 pares de olhos incrédulos virados para nós. Ao que nos disseram - e depois disto quebrou-se definitivamente o gelo entre pais e professores, era a primeira vez que num Conselho de Turma ouviam por parte dos pais presentes palavras de apoio, preocupação em relação ao mau comportamento, a procura de uma solução conjunta entre Casa e Escola para os problema. Pelo que disseram (e nem me custa acreditar), estão habituados a ouvir o oposto - que é a eles e apenas a eles que cabe resolver, e a culpa... nunca é das criancinhas.
Saí de lá preocupada (a F não me tinha contado nem metade), mas a acreditar naqueles professores, no sistema e na escola.
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