4 semanas de punho engessado, braço ao peito. Ter de escolher criteriosamente a comida quando ia fora, para não ter de pedir a ninguém que me partisse as coisas.
Acabou ontem essa parte.
A sério, há coisa de 19 anos aconteceu-me o mesmo, e não recordo ter sido igual.
Tirei o gesso e tinha um braço de velha. (eu sei... há 19 anos era bem mais nova...) Engelhado, pele seca, sem força nenhuma, mais dores do que com a imobilização. Juro que pensei que o médico me ia mandar por mais gesso porque aquilo não estaria bem curado.
Mas não.
Não saí do hospital sem começar logo a fisioterapia. Pelo menos 15 sessões. Diárias. Às 10h00, a 23km de casa.
Hoje cheguei à hora certa, e fiquei 40 minutos à espera de ser atendida. Reclamei. Ainda tive de ouvir que se estava de baixa, tinha muito tempo para aguardar. Claro, assim que disse que ia fazer queixa à seguradora (foi ainda um acidente de trabalho), trataram-me nas palminhas.
No entanto, e apesar das dores, da pouca mobilidade e da pele seca, diz o fisioterapeuta que estou com uma excelente mobilidade para a lesão em causa. Torceu obviamente o nariz quando lhe disse que hoje iria acampar, mas não objetou mais quando eu lhe torci o nariz a ele e lhe disse que já tinha faltado demais por causa disto. Fez-me no entanto prometer que iria ligar o punho e não pegava em nada pesado.
Ah, e estou proibida de conduzir o jipe, pelo que o S. teve de o vir buscar...
O que interessa é que hoje recomecei a dar valor a certas coisas.
Coisas tão simples como tomar banho utilizando as duas mãos e sem um saco de plástico enfiado numa delas. Foi uma felicidade brutal!
Coisas mais fúteis como poder fugir das únicas 3 camisolas que tinha e onde cabia o meu largo braço engessado. Hoje vesti um vestido com mangas justas e soube-me bem voltar a ver-me assim.
Coisas práticas como escrever no computador sem ter um braço (cotovelo) levantado.
E tantas outras.
Pois, só damos valor a estes "pequenos nadas" quando os perdemos...
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