segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Voluntariado

Aos 6 anos de idade, o A estreou-se como voluntário no Banco Alimentar contra a fome, num turno de 1h30 num supermercado, a distribuir sacos e a pedir às pessoas que o devolvessem com "alimentos para dar a quem não tem dinheiro para comprar comida".
Da experiência trouxe o entusiasmo próprio de quem contribuiu para ajudar outros, veio satisfeito e animado.
No entanto, não gostou de ter pessoas que fugiam dele sem lhe responder (???"!!?),  dos que enfiavam o saco no bolso sem dizer palavra (e que ele achou, talvez não erradamente, que não o devolveram com nada lá dentro mas antes o levaram para casa), e dos que se desculpavam com "já dei noutro supermercado".

Porque mãe, se nós damos sacos para o Banco Alimentar cada vez que vamos ao supermercado*, porque é que as pessoas não querem dar outra vez? São forretas não são mãe?


Em contrapartida, e numa outra superfície comercial da cidade, a F trouxe a experiência de uma senhora de idade, que se fazia acompanhar por um filho adulto deficiente. Vinha com dificuldade física ao andar e empurrar a cadeira de rodas do filho, e as roupas deles demonstravam que não abundaria ali dinheiro (avaliação da F). Essa senhora foi entregar aos voluntários do BA um saco com 2kg de arroz, 2 latas de feijão e um pacote de cerelac.

Mãe, o saco estava cheio, e a senhora ainda me pediu desculpa por dar tão pouco... mas disse que não conseguia dar mais... Já viste mãe, pediu desculpa...


A um e a outro tentei explicar mais uma vez o que é o voluntariado, e o que é a ajuda ao Próximo. Expliquei que só participa nestas coisas quem quer e quem pode. E tentei explicar (não sei bem se com sucesso no caso dele), que poder ajudar, seja com voluntariado, com dinheiro ou com compra de alimentos, está não só no dinheiro ou no tempo que temos, mas está principalmente no coração, na vontade de ajudar e nos olhos com que se vê as necessidades dos outros e as nossas.
Há pessoas que não conseguem ver isso, ver que há pais e meninos como nós que têm fome e não podem comprar comida, e por isso essas pessoas, como não veem, não sabem que precisam de ajudar.
E é por isso que é tão importante participarmos nestas ações, e sempre com um sorriso nos lábios tentarmos explicar, tentarmos que eles vejam.
Hoje não deram, amanhã talvez não deem, mas um dia eles vão ver que todos somos necessários, e vão abrir os olhos e dar, ajudar...







*Nós vamos umas 3 ou 4 vezes ao supermercado em cada fim de semana... mesmo que apenas para beber café. E cada vez que há BA, não saímos de lá sem comprar nem que seja uma lata de salsichas e um pacote de bolachas para oferecer

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