quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Parei de adiar o inevitável

Pois, teve mesmo de ser.
Comodidade, comodismo, insegurança de uma mãe dos dias de hoje? Talvez seja tudo isso, talvez seja mesmo uma necessidade dos dias de hoje.

Sempre fui contra (e continuo a ser) as crianças terem TVs, computadores e afins nos seus próprios quartos. Acho que é uma bela forma de se isolarem, de afastar ainda mais a familia, de tornar ainda mais pequeno o pouco tempo que temos para estar juntos.
Da mesma forma, e embora ela peça insistentemente um desde há uns 2 anos (pelo menos), sou contra dar telemóveis a crianças pequenas. Sempre expliquei à F que um telemóvel não é um brinquedo, que custa dinheiro, e que ela não tinha necessidade nenhuma de ter um. Sempre lhe disse que ela teria um telemóvel no dia em que eu e o pai achássemos que era mesmo necessário ela estar contactável ou poder contactar connnosco (ou com outras pessoas). A contragosto, ela chegou aos 9 anos e meio sem um telefone (era das poucas na sala dela a não ter).

Pois bem, esse dia chegou.
Aos 9 anos e 9 meses, a frequentar o 4º ano, e sem um suporte familiar para a ir buscar à escola, a minha F ganhou ontem um telemóvel.
Embora a distância entre a escola e o ballet seja relativamente curta, tem algumas ruas para atravessar.
Embora a distância entre a escola e a nossa casa seja um bocadinho maior do que para o ballet, continua a ser relativamente curta, mas tem mais estradas ainda para atravessar, uma delas com algum movimento (para a vila onde moramos, claro).
Assim, e porque começou na semana passada a fase de transição para as deslocações entre estes 3 locais sozinha, ontem recebeu o seu telemóvel.
A cara dela?
Bem... a cara de felicidade estampada no seu rosto era indescritível...
O aparelho em si não é novo (ficou com o meu último aparelho, quase novo), mas para ela foi uma coisa gigantesca.
Explicámos-lhe que aquilo não era uma prenda, que era fruto da necessidade por andar sozinha. Explicámos-lhe as regras de o ter desligado durante as aulas, os cuidados com os gastos (é um Moche, não vai gastar muito), o não dar o seu número a ninguém que não fosse seu amigo e de confiança, os cuidados para não o perder nem o roubar, como funcionava, etc.
Previamente coloquei lá o meu número, do pai, da vizinha mais próxima, do tio e de alguns amigos que a podem ajudar se for necessário.

E pronto. Com um simples telefone fiz a minha filha contente, e deixei-me a mim um pouquinho mais descansada e com menos sentimentos de culpa por não a poder acompanhar mais de perto.

5 comentários:

Anónimo disse...

Bolas, bolas, uma miuda de 9 anos sozinha na rua. Que preocupacao, como te compreendo.
Acho que lhe tilha dado um telemovel, instalado um micro-chip como tem os caes, e pedido a 20 vizinhas para irem deitando o olho para ver se ela estava bem.
Eu espero so' chegar a essa fase ja' depois da escola primaria, nao estou preparada psicologicamente.

Beijinhos

Alex disse...

A Filipa está crescida, acredito que a deixer ir sozinha porque sabes que ela é capaz.
De outra maneira .... enfim, eu conheço-te.
Conheces a minha opinião sobre este assunto, a Bruna também deve ser das poucas que ainda não tem, e não será essa a razão para vir a ter.
Fizeste muito bem, gostava de ver a cara dela :)
Estou orgulhosa da tua miúda, sabias? Dizes-lhe?
Beijos!

Jolie disse...

A Joana recebeu um quando foi para a colónia de férias fechada. Um bocadinho mais cedo que a tua mas com a diferença que o dela está sempre em casa desligado.

Ela só usa o telemóvel em situações não esteja connosco e que está mais do que um dia fora e com quem não seja facilmente contactável (que é o mesmo que dizer: com os avós paternos). Mesmo assim, depois da colónia em Setembro, acho que o bicho só foi ligado mais uma vez.

Partilho integralmente da tua opinião e eu acredito piamente que elas percebem bem os nossos motivos.

Bernardo disse...

já lhe posso ligar?
não te esqueças de apagar o número da mãe ;)

S disse...

Podes ligar sim, depois das 17h30.
Quanto ao telefone, ela já fez questão de lhe dar os dois números. Mas eu fiscalizo tudo...