As notícias das ultimas semanas assustaram-me.
Principalmente porque sei que grande parte do alarido era mentira, mas isso sou eu que estou por dentro de grande parte do assunto, e isso sou eu que não posso falar do assunto. Principalmente por falar com o meu chefe e por ouvir nas suas entrelinhas o que daí viria. Pelas cabeças que ainda estão por rolar, pelo rebuliço, pelo seu ar sério, verdadeiramente preocupado, pelo pouco que deixou cair e que eu já aprendi a reconhecer como sendo verdade ou mentira. E neste caso tem um grande fundo de verdade...
O comunicado de há pouco do nosso PM assustou-me.
Tenho notado nos ultimos 2 anos, como milhares ou milhões de portugueses, um decréscimo acentuado no meu poder de compra. Eu sei que não sou propriamente uma pessoa poupadinha, mas nunca fui despesista (como agora é chique dizer-se), e o que é certo é que de mês para mês custa mais fazer esticar o dinheiro. Quando estica...
Assusta-me pensar que, não sendo aumentada há 3 anos, não tendo este ano nem tido direito ao acerto da inflacção, tendo a carreira congelada, a comissão de serviço cada vez mais longe, o aumento do IRS de Junho passado, esses já escassos euros vão ter de durar ainda mais, pagar o mesmo com menos dinheiro.
Adivinham-se tempos complicados, a todos os níveis.
Para cúmulo (ok, esta é mais psicológica, e eu tenho cá um poder de encaixe... tipo estômago: vai esticando), não posso dar-me ao luxo de refilar. Sou daquelas que tem de estar ao lado dos cabecilhas, cabeça erguida e defender a empresa, o sector e o patrão grande a todo o custo.
Ah pois é...
Mas, tem graça (ou talvez não), estas circunstâncias não surgiram precisamente na altura em que foram congelados aumentos, carreiras e progressões?
Adivinham-se tempos muito difíceis.
Muito mesmo.
2 comentários:
Eu só posso dizer que estou em pânico. Ainda mais em pânico do que já estava.
Maçã Dentada
Em pânico não estou...
Estas eram medidas que, por muito que nos custe admitir, se adivinhavam há algum tempo.
Custa claro, mas de alguma forma tinham de ser tomadas medidas. e sabemos que são sempre os mesmos a pagar.
Mas receio principalmente pelos meus filhos, pelo que os espera no futuro e pelo que não lhes poderei proporcionar.
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