domingo, 13 de setembro de 2009

Um turbilhão de emoções

Foi assim o dia, um turbilhão.
Mas um turbilhão que nos enche o peito, o coração, a alma, e tudo o mais que haja para encher.

Levantámo-nos cedo, e apesar do cansaço da maratona de arrumações do dia anterior, levantámo-nos cheios de genica e de vontade de chegar a Lisboa depressa. Afinal, íamos buscar a nossa nova filha!
Quando chegámos ao local, não sei os do resto da familia (e muito menos das outras familias!), mas o meu coração batia acelerado. Como iria ser estar finalmente cara a cara com a menina que tínhamos escolhido com tanto carinho, como iria ser dar um corpo real e uma voz às fotos e às conversas que já tínhamos trocado durante as ultimas semanas?
Bem, fomos recebidos com simpatia, e disseram-nos que todos os estudantes estavam super-nervosos também. Aguardámos numa grande sala onde as malas de todos os estudantes estavam já à espera.
Não interessa falar dos discursos. Foram agradáveis e acredito que úteis no futuro.
Quando chegou a nossa vez...
Com a coordenadora vinha a nossa menina.
Sorriso largo, olhos muito abertos, nervosismo à flor da pele.
Abraçou-me com a força de quem me conhecia desde sempre, mas não me via desde há muito. Acolheu-nos a todos com uma alegria e um carinho imensos, como não imaginava esperar assim, no primeiro encontro.
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"Ah e tal, os noruegueses são frios e detestam beijos e abraços", li esta semana num blog de alguém que trabalha na Noruega. Pfffff, só se for nessa terra onde trabalhas, porque esta minha filha norueguesa adora beijos e abraços, e neste primeiro dia tem distribuído mimos e olhares carinhosos pelos irmãos, tal como o A. faz desde que nasceu.
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voltando ao relato:
Pelo caminho desde o salão até ao carro, trocava olhares de alegria com os seus amigos e colegas, também eles com as novas familias. Via-se nos olhos de todos a alegria e o nervoso miudinho de quem finalmente se lançou na grande aventura.
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O primeiro contacto já se tinha dado, restava-nos agora todo o ano que ela vai estar connosco.
Segunda fase de nervosismo - e de medo também: falar de quê (e como, muitas vezes) com uma teenager que acabei de conhecer, com hábitos opostos aos meus - mas muita vontade de aprender, e da qual sou assim de repente, mãe?
Pensei "ok, agora não há mesmo volta a dar. É nossa filha, está aqui, desenrasca-te S".
Mas até nisso ela se mostrou agradável e foi colocando questões sempre que algo lhe parecia estranho, a conversa foi fluindo dentro da naturalidade possível numa familia recem-formada mas que se quer muito já.
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"O diálogo é a chave do entendimento e da compreensão intercultural".
Pois, é bem verdade. Mas isso numa familia onde a única pessoa que conversa em inglês sou eu, não é fácil.
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De facto a viagem foi gira, muitissimo gira, e repleta de situações de nos rebolarmos a rir.
Acontece que o A. não entendeu facilmente que a nossa M. não percebe quase nada do que ele diz. E, recordo, ele fala a uma velocidade vertiginosa. Por isso estão a imaginar...
Depois de lhe ter explicado que ele tinha de falar devagar e apontar para as coisas de que falava, ele começou a falar como se estivesse em slow motion. Só visto! Já mais pela hora de jantar, resolveu adoptar a táctica de ir perguntando umas palavras em inglês. Mas claro, como ele não tem bases nenhumas, saíam-lhe frases do género "M., tu want um bocado de bread?" Simplesmente, HILARIANTE!
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Acredito que os primeiros dias ou semanas sejam prolíferos em cenas destas, mas é mesmo assim que iremos construindo o nosso novo núcleo, e a cada minuto deste dia fui-me apercebendo de que de facto, nos próximos 10 meses vamos todos cá em casa crescer e aprender MESMO muito em familia e como pai, mãe, irmãos e pessoas.
Começou a nossa aventura!

3 comentários:

Don't click me disse...

Estou mto orgulhosa de ti ;) será excelente para as criancas em muitos niveis, mas por exemplo para aprenderem ingles.

Quando ás culturas, o que pode ser dito quando se vive num determinado país em sempre em termos gerais. Obviamente que ha excepcoes e cada um é como cada qual. Por exemplo, eu digo que os irlandeses adoram ir para o bar depois de uma semana de trabalho - conheco várias irlandesas que quase nunca vao.

Beijinhos.

Bernardo disse...

brutal!

Anónimo disse...

:-)