Já questionei vezes e vezes sem conta se seria feliz. Felicidade?
Em conversas com amigas, com o Diário (nos tempos em que o tinha), com este e com aquele, cheguei à conclusão que nunca chegarei a conclusão nenhuma sobre o significado dessa palavra.
Há uns 4 anos atrás (ou terão sido mais ainda? Já te conheço há tanto tempo que não me lembro quando falámos sobre isso… ou pelo menos em qual dessas vezes me respondeste isso), em conversa, ela respondeu-me que nunca se é totalmente feliz. Ou antes, a felicidade não é uma constante, mas sim a diferença dos somatórios dos momentos felizes e dos não felizes. Ganha o lado maior…
Pelo conhecimento, pela amizade, por tudo o que trocámos no último ano, em conversa com outra amiga começo a chegar a uma outra conclusão. A Felicidade sou eu que a faço. A vida será tanto mais positiva quanto mais positiva for a forma como a encaro…
Passei vários anos a lamentar-me.
Porque em 14 anos de trabalho, nunca consegui juntar dinheiro para ir uma semaninha de férias para onde me apetecesse (há sempre outras prioridades…).
Porque na altura de chegar o IRS ou o subsídio de férias, ou algum outro dinheirito, há um muro que vem contra o carro, ou a casa que precisa mesmo de ser pintada, ou X precisa mesmo de ajuda para comprar aquilo que tanta falta lhe faz.
Porque entre o dia 24 de um mês e o dia 18 do mês seguinte há que fazer muita ginástica mental para racionalizar a distribuição do orçamento.
Porque gosto do que faço mas ganho mal para a função e responsabilidade, e há demasiadas injustiças na empresa.
Porque eu queria tanto mas tanto aumentar a família, mas a espera é grande tão grande e parece ser cada vez maior a cada dia que passa.
Porque gostava de estar mais perto da minha família e dos meus amigos, porque gostava de ter aqui alguns deles para poder trocar jantares, churrascos, crianças e noites de folga.
Porque gostava de não ser sempre eu a ter de ir a correr resolver os problemas.
Porque tudo isto e tantas coisas mais me fazem ter constantes mudanças de humor que transtornam obviamente a minha vida pessoal e familiar, e tantas vezes me mostram aos outros como uma pessoa menos feliz.
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Não posso dizer com franqueza que tudo isto passou e que não me afecta. Nada passa assim, e a pior coisa que se pode tentar mudar é a mentalidade de alguém, mesmo quando falamos da nossa.
Mas o que é certo é que finalmente aceitei que olhar para o que temos e o que nos rodeia de uma forma positiva, perseguir os sonhos com cada vez mais afinco e confiança, olhar apenas o copo meio cheio e aceitar que as coisas são mesmo assim e só irão mudar se acreditar mesmo que VÃO mudar para melhor.
Mas o que é certo é que finalmente aceitei que olhar para o que temos e o que nos rodeia de uma forma positiva, perseguir os sonhos com cada vez mais afinco e confiança, olhar apenas o copo meio cheio e aceitar que as coisas são mesmo assim e só irão mudar se acreditar mesmo que VÃO mudar para melhor.
E isto sim faz aumentar fortemente o meu montinho dos momentos felizes.
A minha filha desdentada que lê livros sozinha e já sabe a tabuada, que está a 20 dias de deixar de ser pata-tenra, que dança ballet como se fosse a 1ª bailarina da CNB, que aprendeu a andar de patins sozinha e que adora os biscoitos queimados que eu faço.
O meu filho reguila e respondão que não gosta de fazer as fichas no colégio porque brincar é muito mais divertido, que tem um sorriso lindo que usa cheio de charme nas alturas certas para conseguir o que pretende, que fica a observar a TV com atenção para decorar e aprender a utilizar as palavras difíceis com que maravilha quem ouve um pirralhito de quase 4 anos a falar de “coisas em simultâneo”.
Quando eles riem à gargalhada, quando dormem descansados e quentinhos, quando me abraçam e beijam…
O desemprego e a crise marcam os tempos presentes e futuros? Pois marcam. Mas de nada adianta ficar a lamentar-me disso. Há que pensar em novas formas de dar a volta à coisa, rir-me disso e seguir em frente. Ninguém se compadece com cabeças baixas e desalentadas. Levantar a cabeça, esquecer a empregada que em tempos vinha arrumar a casa e passar a ferro e aproveitar a ocasião para travar uma nova amizade com o belo e caríssimo ferro com caldeira, ou com o aspirador vermelho, essa coisa que até ajuda a exercitar os bíceps, braços e pernas.
Se somos felizes?
Sim, sou.
Sim, vamos ser.
1 comentário:
Que mais precisas para ser feliz?
Tem bom gosto a Filipa eu tb adoro biscoitinhos queimados, fazem-me verdadeiramenre feliz.
bj
JC
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