sexta-feira, 2 de maio de 2008

Diário de Campo, dia 3 - 27.04.08

Acordei cedo, e com a ideia fixa do banho na cabeça. Tinha de tomar banho naquela lagoa.
O A. fartou-se de me avisar que pela manhã, com a água passando a noite a percorrer o interior da montenha, era um exercício altamente masoquista. Mas tinha de ser. Não ia sair da Drave sem tomar banho ali.
Vesti o fato de banho a correr. Tinha apenas uma hora para o banho, pequeno almoço e começar a arrumar as minhas coisas. Pelo caminho até à lagoa, o pessoal com que me cruzava perguntava meio incrédulo se ia mesmo fazer aquilo. Respondia a todos com um sorriso. "Vou sim!"

Cheguei lá e as 3 Comunidades que ali pernoitavam começavam a sair das tendas.
Despi-me, meti os pés na água. Realmente um gelo de cortar a respiração. Mas a tentação era enorme. Aos poucos fui-me molhando. O espaço é pequeno, e perde-se o pé rapidamente. Avaliei a situação, e o frio da corrente era tal que tive medo de mergulhar e ter alguma caimbria. Optei por me sentar numa rocha, com água pela cintura, e tomar um banho "à gato". No fim, o meu corpo estava mais frio que a temperatura exterior, e senti-me quentinha, limpa e cheirosa.

É tão bom sentirmo-nos assim em campo!

(...)

Despachei-me rapidamente, e estou na mesa comum com o HD à espera do pessoal. Afinal, mesmo com banho e tudo, consegui despachar-me ainda antes de todos.

Hoje é o dia do regresso.
Logo a seguir à Oração da manhã, eu e o A. iremoslevar o Pe. Rui a S. Pedro do Sul, pois tem de ir embora mais cedo.
Há ainda uma pequena actividade, seguida de almoço e o regresso.

Subir aqueles 3km de 17º de inclinação, com mochila às costas e às 14h00, não vai ser nada fácil. Prevejo que terei de fazer umas 4 viagens com o jipe, entre levar pessoal que não aguente, mochilas e material.

(...)

Drave é inspiradora. Pena que não tenha tido mais tempo para mim. Isto é, para poder estar um pouquinho só. Mas "só" é coisa que aqui não se está, e nem é esse o meu papel nesta actividade.

Hei-de voltar à Drave. Mesmo que sozinha, mesmo que sem o CNE. Como viajente, como peregrina, como pescadora de mim.
Hoje é o regresso. Tenho algum receio da viagem até casa, já sozinha.
(...)


No regresso, enganámo-nos e separámo-nos do autocarro. Apanhámos 24km de fila na auto-estrada, e claro que o grupo não podia esperar por nós. Chegámos a Lisboa às 23h, e ainda fomos levar o material à Sede. Deixei o A. em casa e segui caminho.
Foi difícil chegar. O que vale é que o Toy já sabe o caminho de cor.
Quando cheguei, os miudos dormiam e o Zé esperava por mim na sala.
É reconfortante chegar a casa.

3 comentários:

Anónimo disse...

Sofia, li os teus "diários de campo"... e identifiquei todos os momentos, tb eu quero voltar a Drave, com ou sem os meus caminheiros, com ou sem o CNE, com ou sem o Núcleo, mas voltar a subir a montanha, montar a tenda, estar com Ele e voltar a descer.

Obrigado por tudo,
SAPS

S disse...

:)
Obrigada eu...
S

Anónimo disse...

a penultima foto está lindissima!!!!!!! é bom ler-te calma e feliz! :)