terça-feira, 8 de abril de 2008

coisas da vida

Para responder a algumas perguntas que me têm sido feitas, aqui fica uma espécie de testemunho do que tenho andado a fazer.


Por um lado, tenho andado mais ou menos por Aqui. Nunca tive, nem tenho, aspirações a fotógrafa. Das 3 contribuidoras deste novo blog sou até a que menos fotos coloca, e de certeza as mais sem nexo. Nexo fotográfico, de linha, de tudo. Enfim, o objectivo do Duas Lentes é mesmo esse: colocarmos lá o que nos apetece.

Aqui também devia ser. Por isso não me tem apetecido grande coisa.

Acontece-me cada vez com mais frequência começar a escrever posts, que depois nunca chego a publicar porque são demasiado negativos. Fruto do meu estado de espírito dos últimos tempos.

Gracinhas das crianças há muitas, mas nem delas me recordo quando chega a altura para as colocar em palavras.



Claro, babei ao ver a avaliação e as fichas da Filipa relativamente ao 2º período escolar, mas fiquei muito aborrecida quando li na mesma avaliação que ela está mais lenta e menos interessada nos trabalhos da turma, mais ainda quando vi que numa actividade extra-curricular o seu comportamento e a sua participação foram classificados como Não Satisfaz. É de estranhar ser a única, e por isso falei com a Professora, que ficou de falar com o Professor em questão. Quando questionada sobre essa disciplina, quase lhe dei razão, porque pelo que descreveu deve ser daquelas coisas que servem apenas para encher mais uma hora em que o Estado é obrigado a entreter as criancinhas. Mas claro, isso eu, no meu papel de mãe austera e exigente, não lhe posso dizer.
Mais gracinhas das crianças?

Pois há aquela vez em que a Filipa e mais umas colegas fecharam um professor à chave numa sala de aula. Eu, que não estava à espera de um comportamento destes, desatei a rir com sonoras gargalhadas perante as auxiliares que me contaram. Foi quando vi a sua expressão tipo “esta mãe não é boa da cabeça”, que percebi que estavam a falar a sério, e resolvi explicar-me. “Sabem, é que eu pensei que me estavam a contar isso como parte de alguma brincadeira… por isso me ri…” Mas não. Passaram à frente da porta, viram lá a chave e fecharam, sem sequer saber se lá estava gente ou não. Foram brincar e nunca mais se lembraram do assunto. Até que uma auxiliar vai a passar por perto daquela sala, ouve os murros desesperados do professor, e abre a porta.
Claro, raspanete de mãe e de pai para cima, mas mais uma vez acabo por reconhecer que foi uma brincadeira sem grande importância, porque elas não sabiam que estava gente na sala. Além disso, convenhamos: cabe na cabeça de alguém deixar uma chave na porta de uma sala de aula de uma escola primária???

Ainda da Filipa há a vez (antes do Carnaval), em que ao chegar a casa tenho o recado dado pela minha mãe – que é quem vai buscar a Filipa à escola – que a Professora quer alar comigo no dia seguinte sem falta, e seu eu não pudesse, para lhe telefonar. Huuuuum, desconfiei que seria caso grave. Com a atrapalhação a correr para a natação, questiono a Filipa sobre o assunto tão grave que requeria a minha presença. “Ah, fui eu, a M, a C, e a B que batemos no T…”. Chegámos à natação e a conversa ficou por ali. Mas nessa mesma aula anda a C., e eu resolvi ver se a mãe dela saberia de mais alguma coisa. Não queria voltar a ser apanhada desprevenida, como no outro caso, tão a ver? Ela explicou-me que as meninas em questão resolveram fazer um complô contra esse tal T., e lhe deram uns quantos pontapés em conjunto. Esse T., para vos contextualizar, é um puto daqueles do mais irritante possível, daqueles que nem eu suporto, por conversas travessas nem algumas auxiliares, que está sempre a embirrar com tudo e com todos e que tem a mania que é o maior. Tão a ver?
Claro, raspanete de mãe e de pai, castigos, etc. Mas, de novo, reconheço que eu há 28 anos atrás teria feito exactamente o mesmo ou ainda pior…

Do André… Esse anda extasiado com os atascanços que o pai tem “habilmente” feito com o Toy, e os seus temas de conversa vão invariavelmente lá parar, esteja ele onde estiver e com quem estiver. No colégio já pôs vários meninos a pedirem com insistência aos respectivos pais um jipe, e eu quando à tarde chego lá para o ir buscar, mesmo miúdos de outras salas mais velhas e que eu não conheço, olham para mim com grandes sorrisos e dizem “É o jipe do André!!!”

No seu jipe a bateria faz manobras e estacionamentos de meter inveja a muitos adultos que por aí andam nas estradas portuguesas, inclusive com o estilo do bracinho em cima do banco do pendura. Já tentou várias vezes desmontá-lo para “mudar o óleo”, e eu e o pai ainda não descobrimos como vamos fazer para evitar que ele descubra como aquilo se abre…

Tem conversas cada vez mais adultas que até me arrepiam só de pensar que apenas tem 3 anos ainda, um feitiozinho de génio que me faz tremer só de pensar nos anos que aí vêm, e uma doçura que nos faz derreter. Adora beijos e abraços, que distribui por toda a gente sem distinção. Excepto à avó, que ele já descobriu que fica furiosa com esse facto, e por isso anda numa de fazer pirraça…
Recentemente ficou encantado com o carro do tio (???!?!?!) vá-se lá saber porquê. Talvez por ele não ter qualquer luz no interior e termos feito a viagem para baixo à luz de telemóvel, para controlar a velocidade, facto que deixou o André encantado.

Ok, reconheço que com estas descrições já melhorei bastante o meu astral.

Sem comentários: