sexta-feira, 9 de novembro de 2007

Ouvi pela primeira vez esta história em Dezembro de 1988, no Parque de Campismo das Azenhas do Mar, acampamento de Natal dos Exploradores Séniores (actuais Pioneiros), contada na noite do Fogo de Conselho pelo Juan Francisco.
O Juan tinha o Dom da Palavra, e prendia-nos a tudo o que dizia. Foi um dos meus primeiros Chefes e sempre foi dos que mais cativou. Ensinou-nos a ouvir, a falar, a abrir o coração aos mais pequenos pormenores de cada história, de cada parábola.
Naquela noite, em que a tradicional fogueira ao redor da qual costumávamos sentar-nos a celebrar o fim de mais um dia ou actividade fora substituída pela lareira de chão da sala de convívio do Parque, sentámo-nos a ouvir em silêncio a história daquela boneca que tinha procurado o mar sem saber bem porquê, e descobriu que afinal só seria ela própria se fosse ele, se fosse mar, se se deixasse transformar em algo maior.
Nunca mais a esqueci.
Interrogo-me muitas vezes se teria a coragem da boneca. Se a tenho em mim.
Por vezes acho que sim, pois costumo entregar-me a fundo em tudo aquilo em que me meto. Outras alturas acho que não, acho que estou a perder essa coragem, esse espírito de entrega. São fases, espero.
Por instinto a Boneca entrou, confiou. Aquilo não seria a sua morte, mas sim o começo de uma nova vida. Ali era o seu mundo, a sua casa.

1 comentário:

Alex disse...

É uma história incrível.
São fases, acredito que sim, porque a força interior não some de um dia para o outro, por vezes adormece, questionamo-nos - serei capaz? O que se passa comigo? Que falta de força é esta? Um dia, acordas, e ... reencontras-te, é como se corpo e alma se voltem a unir.


Corpo e alma.
Eu não sabia que podia acontecer mas agora sei. Por vezes viram as costas e ficamos à deriva. É isso que muitas vezes acontece.


Adorei. Que partilha boa!