Escrevo a quente.
De cabeça quente, coração quente, espírito e dedos trementes que correm fervilhantes pelo teclado.
Estar assim é mau, pois dizemos coisas que não queremos. Escrever é pior ainda... Mas como esta tarde uma amiga me disse, o blog serve de anti-qualquercoisa que não me lembro agora o nome - aqueles comprimidos que se tomam para levantar o astral.
As palavras doem. Ferem, deixam feridas profundas que demoram a sarar. Algumas vezes nem sequer saram de todo.
Entre outros, tenho nas mãos um problema grave para resolver. Um problema de relacionamento, de afectos, de saúde mental até. Tenho que gerir vontades, feitios, horários, refeições, hábitos, diversas coisas que por vezes - muitas vezes, me são alheias. Tenho que gerir situações mesmo de antes de eu ser nascida ou pelo menos muito pequena, e que por diversas razões, diversos problemas, ficaram no decorrer dos anos e ainda perduram. Tenho de "aguentar" isto porque no fim só resto eu e nada mais, ninguém mais.
Para quem me conhece, sabe que esta seria uma situação de bomba-relógio.
Que hoje explodiu.
Porque eu também sou eu. Tenho as minhas coisas/manias pessoais, o meu feitio tão especial e tão difícil, o escudo que aprendi a criar para me isolar das coisas menos boas. Tenho alguma dificuldade daí decorrente em gerir os afectos. Alguns afectos.
As palavras. Ditas de uma certa maneira e em certo contexto podem passar quase despercebidas. De outra forma e noutras ocasiões podem ferir muito mais que espadas afiadas.
Estou ferida com as palavras, as acusações, as situações rebuscadas de há anos e anos atrás que deveriam ter sido faladas na altura e ultrapassadas. Mas não foram e voltam agora. Voltam com a frieza que a distância lhes conferiu, voltam com a dureza da minha ignorância e do facto de as ter, EU, ultrapassado e esquecido, seguido em frente.
Porque as pessoas que amamos infelizmente partem. Todos havemos de partir.Mas os que ficam têm de ultrapassar, têm de seguir em frente, viver a sua vida. É o que eu tento fazer... É o que eu acho que está certo. Certo?
Estou ferida porque eu também tinha palavras para dizer, e disse-as. Mas não foram ouvidas. Porque algumas doenças não se vêem mas estão lá e toldam-nos o raciocínio, os pensamentos, os afectos.
Estou ferida porque isto choca muito com o meu feitio. Eu sou o inverso disto. Eu costumo chocar as pessoas por causa da minha impulsividade e espontaneidade em mostrar se gosto ou não gosto, em dar a resposta na hora e não levar desaforos para casa. Eu sei... isto também é mau muitas vezes, e já me trouxe diversos dissabores. Mas tem o benefício de não me fazer guardar durante anos a fio coisas atravessadas na garganta.
Sinto-me como se um comboio me tivesse passado por cima. Tenho a alma, o corpo, tudo feito em pedacinhos.
O que me custa é que eu também precisava de ... Ninguém tem sempre as costas largas para aguentar com tudo pois não? Eu não tenho.
Devia haver comprimidos para fazer soltar a lingua e o espírito. Tipo hipnose. Algo que fizesse deitar tudo cá pra fora e logo depois esquecer para sempre. Memória selectiva - ficam apenas as boas recordações.
Gostava que cada um de nós tivesse um quadradinho na testa que permitisse aos outros verificar se há ali alguma coisa a reclamar, a apontar, a dizer que não se concorda com isto ou aquilo, com aquela atitude ou a outra.
A mim, ajudava bastante.
Sinto-me atordoada. O comprimido já deve estar a fazer efeito.
De cabeça quente, coração quente, espírito e dedos trementes que correm fervilhantes pelo teclado.
Estar assim é mau, pois dizemos coisas que não queremos. Escrever é pior ainda... Mas como esta tarde uma amiga me disse, o blog serve de anti-qualquercoisa que não me lembro agora o nome - aqueles comprimidos que se tomam para levantar o astral.
As palavras doem. Ferem, deixam feridas profundas que demoram a sarar. Algumas vezes nem sequer saram de todo.
Entre outros, tenho nas mãos um problema grave para resolver. Um problema de relacionamento, de afectos, de saúde mental até. Tenho que gerir vontades, feitios, horários, refeições, hábitos, diversas coisas que por vezes - muitas vezes, me são alheias. Tenho que gerir situações mesmo de antes de eu ser nascida ou pelo menos muito pequena, e que por diversas razões, diversos problemas, ficaram no decorrer dos anos e ainda perduram. Tenho de "aguentar" isto porque no fim só resto eu e nada mais, ninguém mais.
Para quem me conhece, sabe que esta seria uma situação de bomba-relógio.
Que hoje explodiu.
Porque eu também sou eu. Tenho as minhas coisas/manias pessoais, o meu feitio tão especial e tão difícil, o escudo que aprendi a criar para me isolar das coisas menos boas. Tenho alguma dificuldade daí decorrente em gerir os afectos. Alguns afectos.
As palavras. Ditas de uma certa maneira e em certo contexto podem passar quase despercebidas. De outra forma e noutras ocasiões podem ferir muito mais que espadas afiadas.
Estou ferida com as palavras, as acusações, as situações rebuscadas de há anos e anos atrás que deveriam ter sido faladas na altura e ultrapassadas. Mas não foram e voltam agora. Voltam com a frieza que a distância lhes conferiu, voltam com a dureza da minha ignorância e do facto de as ter, EU, ultrapassado e esquecido, seguido em frente.
Porque as pessoas que amamos infelizmente partem. Todos havemos de partir.Mas os que ficam têm de ultrapassar, têm de seguir em frente, viver a sua vida. É o que eu tento fazer... É o que eu acho que está certo. Certo?
Estou ferida porque eu também tinha palavras para dizer, e disse-as. Mas não foram ouvidas. Porque algumas doenças não se vêem mas estão lá e toldam-nos o raciocínio, os pensamentos, os afectos.
Estou ferida porque isto choca muito com o meu feitio. Eu sou o inverso disto. Eu costumo chocar as pessoas por causa da minha impulsividade e espontaneidade em mostrar se gosto ou não gosto, em dar a resposta na hora e não levar desaforos para casa. Eu sei... isto também é mau muitas vezes, e já me trouxe diversos dissabores. Mas tem o benefício de não me fazer guardar durante anos a fio coisas atravessadas na garganta.
Sinto-me como se um comboio me tivesse passado por cima. Tenho a alma, o corpo, tudo feito em pedacinhos.
O que me custa é que eu também precisava de ... Ninguém tem sempre as costas largas para aguentar com tudo pois não? Eu não tenho.
Devia haver comprimidos para fazer soltar a lingua e o espírito. Tipo hipnose. Algo que fizesse deitar tudo cá pra fora e logo depois esquecer para sempre. Memória selectiva - ficam apenas as boas recordações.
Gostava que cada um de nós tivesse um quadradinho na testa que permitisse aos outros verificar se há ali alguma coisa a reclamar, a apontar, a dizer que não se concorda com isto ou aquilo, com aquela atitude ou a outra.
A mim, ajudava bastante.
Sinto-me atordoada. O comprimido já deve estar a fazer efeito.
2 comentários:
O blog também serve para isto mesmo ... agora, compreendes-me. É como aqueles dias em que esticos os posts até baixo e escrevo coisas que ninguém entende (nem tem que entender). É o meu espaço, é o meu "comprimido", é a minha terapia ...
Atordoada mas mais leve, é como eu espero que hoje te sintas ...
um beijo grande, com dentadura postiça e tudo.
Fico mais leve quando escrevo, mas também nos momentos que passo entretida com outras coisas, outros problemas, outros mistérios e desafios.
Depois bate de novo...
(já lavaste a dentadura hoje?)
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