Começámos o dia não muito bem.
A resmunguice de quem não se queria levantar, não se queria vestir, não queria os cereais do pequeno almoço. Nem o facto de ir para a escola a animava o suficiente para se despachar mais depressa.
No entanto, assim que vestiu o casaco e pôs a mochila às costas, um sorriso iluminou-lhe prontamente o rosto. Nem o peso dos inúmeros livros que ocupavam boa parte da enorme mochila que comprámos lhe ensombrou o pensamento.

Na escola a emoção dela, a minha, do pai. Os outros meninos que corriam no pátio, dos pais que queriam a todo o custo levar pela mão os seus filhos até à carteira.
Aguardámos no átrio pelo toque de chamada (e que saudades eu tinha de ouvir "o" toque).
Apressei-me a ver se a ementa da cantina tinha alguma refeição prejudicial. Não, esta semana posso ficar descansada...
Chegou a professora (a que ainda não sabe se fica), e os meninos entraram. Senti um friozinho na barriga. Um beijo, as recomendações do costume para ter juízo, portar-se bem, comer tudo, estar atenta ao que a professora disser, etc. Despediu-se de mim com um beijo rápido e entrou ansiosa.
Passei o dia atarefada por Lisboa. Pensei nela muitas vezes: o que estaria a fazer, se estava a gostar, se estaria a fazer desenhos, de não lhe sairia nenhuma resposta daquelas ultra-rápidas e menos correctas, se se daria bem com os alunos mais velhos. Só à tardinha teria respostas para as minhas inquietações.
Quando cheguei e perguntei como tinha corrido o dia, envergonhou-se e disse apenas "Bem". Gostaste? "Sim"; Comeste tudo? Estava Bom? "Sim". Pfffffffffffffffffffffffff
Ao jantar contou tudo, naturalmente como quem fala de um dia normal. Excepto nos pequenos comentários aos colegas "mais velhos" e ao brilho que lhe iluminava a face.

"Quando chegámos sentámo-nos nas carteiras. A professora fez a chamada.
Pusémos os livros em cima da mesa para a professora ver se tinham todos os nomes escritos. Fizémos 2 fichas, para pintar o esquerdo e o direito e para dizer os nossos anos.
Cada um foi escrever o seu nome ao quadro e eu fui a única que sabia escrever o nome com a letra toda bonitinha (sem ser de imprensa).
Depois a professora mandou-me mudar de carteira porque o menino que estava ao meu lado falava muito comigo porque ele não tinha lápis de côr e estava sempre a pedir os meus e eu tinha sempre que estar adizer que ele os podia usar à vontade.
Na cantina comi tudo mas antes perguntei se tinha ovo e a senhora disse que não tinha, e sem me sujar.
No intervalo a professora deu-nos pacotinhos de leite branco.
Há meninos no recreio que são maiores do que nós e empurram-nos e chamam-nos nomes porque são mais velhos, mas um empurrou um amigo meu e eu empurrei-o e ele caiu. Nunca mais empurrou nenhum."
Gostaste? Gostei muito!

4 comentários:
tnho saudades da lipa...
E que crescida que ela está! Ainda me lembro dela dentro da tua barriga!;)
mau. pra dar porrada nos miudos grandes vou ai eu!!!
:)))
Enviar um comentário