Às vezes um almoço faz-nos pensar em algumas situações em que normalmente não pensaríamos.
Não exactamente o almoço mas antes... não interessa agora.
leio aquilo que não quero ler
tomo conhecimento oficial de coisas que sei mas que procurava fazer de conta que
analgésicos, muitos
comprimidos para esquecer? naaah, para ocultar, para evitar a dor psicológica
uma cabeça a andar à roda
sentimentos em rodopio, contraditórios, amores e desamores por tudo e por nada
irritabilidade? AAAAAAAh
insustentabilidade
sensibilidade à flor da pele, ou falta dela?
a tal carapaça de impossível (?) penetração, aquela que torna tudo e todos inatingíveis, inacessiveis, inabaláveis, intocáveis, indolor
indolor? essa queria eu
mas não, a dor passa tudo e todos, atinge nos pontos mais fracos, nas horas mais impróprias
a inatingibilidade atingível, fragilizada nas alturas menos expectáveis
a menina frágil por detrás da imagem de mulher durona
"sai uma imperial para a mesa 4"
"não, uma garrafa de vinho branco, bem geladinha"
1 copo
2 copos
3 copos
já lhes perdi a conta, queria a garrafa toda...
mas não perdi o que procurava perder
toca o telefone, nao me apetece atender
não estou, estou em reunião. a cébebre desculpa da reunião
pedidos
perdidos
achados no meio do nada
uma vida sem sentido
com sentido, consentido?
não sei, não me chateiem mais a cabeça
essa cabeça que doi, que lateja sem parar
não
NÃO
AGORA NÃO
vai mais um copito?
um branco, bem geladinho
um café para cortar
um bolo de bolacha, um brigadeiro
entrecosto bem grelhadinho
um avamigran para a dor
a porta fechada, o letreiro "não incomodar"
Não estou, fugi
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