segunda-feira, 19 de agosto de 2013

10

Há dez anos, exatamente a esta hora, encontrava-me perante uma grande porta verde, no centro histórico desta cidade que me acolheu, com uma cara desconhecida que ia ao mesmo que eu. 
Ainda hoje brincamos com o facto de termos entrado exatamente no mesmo dia e à mesma hora nesta empresa.
Nestes dez anos cresci imenso. Como pessoa, mas acima de tudo como profissional.
Deixei uma grande parte do meu tempo, muito mais do que as 8h diárias que dita o horário "normal" de trabalho. Chorei muito, passei tempos muito duros. Engoli sapos do tamanho de elefantes. Ri imenso, diverti-me como nunca. Conheci o pior e o melhor do ser humano e do ser trabalhador (sim, porque a esses não posso epitetar de profissionais).
Fizemos festas, churrascos, brigamos, ajudamos e fomos prejudicados.
Levo daqui muitas coisas menos boas, mas muitas, mesmo muitas, coisas fantásticas.

quarta-feira, 17 de julho de 2013

Sis

Já aqui tinha falado sobre elas.
E várias outras ocasiões, mesmo sem as mencionar diretamente.
Ontem, cerca de 1 ano e meio depois de "existirmos", uma questionou:

"Será que vamos ter este grupo toda a vida?
Será que vamos envelhecer juntas?
Eu sei que não me sabem responder.
Deu-me para isto... Hoje estou sentimentalona."
Pronto, estou lamechas hoje..."

Entre outras respostas que surgiram,(todas no mesmo sentido), eu respondi assim:

"vamos ter este grupo enquanto nos mantivermos assim: 
Uns dias mais tolerantes, outros menos; 
Uns dias choramos e recebemos apoio, outros somos nós que apoiamos; 
Uns dias somos brutas comáscasas, mas estamos com tpm ou assoberbadas em trabalho, e mesmo que alguém se melindre na altura, acabamos por "fazer as pazes". 
Uns dias falamos de banalidades, outros de temas importantes e relevantes. 
Uns dias trocamos receitas de dieta, noutros "comemos" gelados. 
Uns dias falamos e falamos e falamos só para não ficarmos caladas, noutros dias ficamos sossegaditas no nosso cantinho, sem querer falar com ninguém, e nenhuma das outras incomoda. 
Sabemos que aqui, de uma forma ou de outra, alguém nos há-de ouvir e dar um empurrão ou uma palmadinha no ombro."

Só por isto, já valeu a pena o Zucas ter inventado o Facebook.
E esta nossa t-shirt diz tudo:

quarta-feira, 3 de julho de 2013

(des)governo

Num mundo (quase) perfeito, o que a minha amiga N. escreveu hoje no Facebook seria possível:

"Escrevo alguma coisa .... Olha FB tu que julgas me entender vou-te contar um segredo , mas só a ti porque se disser isto a mais alguém levo na cabeça .... Eu não quero eleições .... Não quero rios de dinheiro gasto em papeis e papelinhos nem mentiras , nem insultos , nem culpas nem culpados. Quero que aquele Senhor que nada diz convoque os 5 partidos e lhes diga para formarem um governo para nos tirarem deste fosso cada vez maior. Eu abdico da minha liberdade de voto... Eu sei que julgas que sou louca que isso seria impossível ,como juntar a esquerda e a direita num governo com ideologias tão diferentes? Ora , quando em nossa casa os nossos filhos passam fome alguém pensa em ideologias? Basta que sejamos todos adultos e olhemos para a sobrevivência do País como o único objectivo que importa. Nada é impossível quando se quer muito . Agora guarda bem este segredo para que não me venham com teorias da democracia isto e aquilo que eu não quero nem saber ;)"
NPA

quinta-feira, 6 de junho de 2013

opções ou oportunidades

(post escrito tardiamente face à data em que este diálogo ocorreu)

Após uma conversa com diversas amigas no facebook, diz-me assim, num tom tristonho:

- Sabes mãe, sou praticamente a única que não foi ao concerto dos One Direction (nem sei se é assim que se escreve)

Veio-me de imediato a resposta da praxe: a distância, a idade, o dinheiro gasto em deslocações e bilhetes, e, e, e...
Mas, antes de responder, pensei melhor. Calmamente, perguntei-lhe.

- Acredito, infelizmente. Mas diz-me uma coisa... 
Quantas passaram já noites entre amigos do coração, ao redor da fogueira, a cantar e contar histórias?
Quantas já dormiram ao relento a olhar as estrelas, sentiram o cheiro da terra molhada, e regressaram a casa estoiradas mas com um sorriso de orelha a orelha?
Quantas delas já partiram noite escura com outras 7 amigas, de mochila às costas à descoberta de um sítio fixe para montar tenda?
Quantas é que sabem dar valor a uma canção inventada por si, tocada em instrumentos construídos com aquilo que a natureza nos dá?
Quantas é que sabem o que custa lavar carros, vender rifas ou calendários, construir quadros de nós e cozinhar compotas para ganhar dinheiro para pagar as despesas que essas coisas têm?

- Pois... acho que só a M...
Mas eu gostava muito de ter ido.

- Acredito que sim. E eu gostava de te ter proporcionado isso.
Mas sabes que não podemos ter tudo...
E eu prefiro que tenhas experiências únicas, que te fazem feliz e ao mesmo tempo te fazem crescer. No corpo e na alma. Prefiro que aprendas a conhecer o mundo que te rodeia.
Concertos há muitos. E hás-de ir a alguns deles.

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Há um ano

Exatamente por esta hora estava com os meus três companheiros de jornada a jantar em Santiago de Compostela.
Festejavamos a chegada. O fim, o início.
Estava totalmente rebentada a nível físico, mas com uma felicidade que não me cabia no peito.
Muito há para dizer sobre isso, mas agora fico por aqui.
A emoção da data não me deixa escrever mais.
Sent from my BlackBerry® smartphone

quarta-feira, 24 de abril de 2013

11 anos sem pisar ovos

26 de janeiro de 2002.
A F fazia 1 ano, e seguindo as indicações da Pediatra, estava na altura de introduzir a clara de ovo cozida.
Pouco tempo depois do jantar, descobrimos da pior forma que tinha ocorrido uma alergia - a cara, as orelhas, o pescoço e as mãos tinham duplicado de tamanho e estavam disformes.
Sempre tive sangue frio nestas ocasiões, e o raciocínio imediatamente me levou a associar ao novo alimento. Um telefonema e uma rápida ida à farmácia resolveram o assunto.
Iniciamos a partir daí uma odisseia que não sabíamos na altura vir a ser tão prolongada.
Ao longo do tempo, dois episódios de choque anafilático (sem consequências de longo prazo, felizmente), consultas e testes regulares de Imuno-alergologia, um imenso rol de alimentos proibidos.
Essencialmente, ela não podia de forma alguma ingerir Ovo, Frutos Secos, Amendoim, Sementes diversas.

Foram anos de preocupações; de idas ao supermercado para fazer listas de ingredientes e de alimentos e marcas proibidas e permitidas; foram receitas inventadas e alteradas; encomendas internacionais de substitutos de ovo que permitissem cozinhar coisas "mais normais"; bolos de aniversário "normais" que eram feitos com muito carinho a centenas de km de distância; familiares, amigos, vizinhos e pais de colegas da escola que faziam sempre algo especial para que ela pudesse comer nas respetivas festas; foi o apoio incansável no(s) colégios onde andou; foram as brigas nas escolas; foram as seringas de Anapen que felizmente nunca utilizámos; foram os escuteiros com ementas alternativas; foram as inúmeras pessoas que conheci na blogosfera e que deram receitas, partilharam anseios, dicas e truques; foram as inúmeras vezes que ela chorava por não poder comer o mesmo que os outros; foi o ter aprendido, com UM ano de idade, a perguntar a qualquer pessoa que lhe oferecesse algo para comer: "isso tem ovo? se tem não posso comer", e repetir essa questão incansavelmente, vários milhões de vezes; foi o Dia de S Martinho passado nas urgências do hospital depois de um choque anafilático severo, a cantar e a brincar ao spider man; foi tanta, mas tanta coisa ao longo destes 4.097 dias de privação total deste alimento...

Após os resultados do RAST, chegou o grande dia.
Às 9h30 estávamos pontual e ansiosamente na Cuf, munidas da mousse de chocolate feita com 2 ovos crus.
Testes cutâneos ok.
Observação ok.
De uma forma quase sádica (para nós, obviamente), a primeira colher de café de mousse foi ingerida com expectativa. Tudo correu bem, e a dose foi aumentando.
Às 15h00 teve "alta". Com distinção.
Caiu-me a ficha nessa altura... e a Dra. Susana quase teve de me dar um calmante a mim, tal era a sensação de alívio, felicidade e quebra da adrenalina que tinha sentido ao longo de todo o dia.
O Ovo pode, a partir de hoje, passar a ser inserido na sua alimentação como na de qualquer outra pessoa.
Uma vez que continua a apresentar um IGE muito alto, continua com alguma prevenção, mas pode ingerir sem receios de algo grave.

OBRIGADA a todos os que connosco partilharam estes 11 anos.
A todos os que ajudaram a prevenir, a procurar alternativas. 
A todos os que connosco dela cuidaram com tanto amor e carinho. 
A todos os que leram ingredientes vezes e vezes sem conta.
A todos os que sempre me apoiaram, aturaram as minhas crises existenciais e fases de desalento.
Valeu a pena!

Testes cutâneos

Sai mais uma colherada de mousse

Jantar comemorativo.
"O que queres comer? Ovos estrelados..."

NOTAs:
1. Continua estritamente proibida de comer frutos secos, amendoim, castanhas, pistacios, e sementes de qualquer espécie - a Anapen continua a ser necessária e essencial na sua vida.
2. Se há coisas/doenças piores? Infelizmente há. Mas felizmente a nós calhou-nos "apenas" esta.

sexta-feira, 12 de abril de 2013

cenas do Alentejo profundo...

(ao telefone)
(imaginar-me a falar normal, e do outro lado uma voz carregada de pronúncia alentejana)

Eu - Boa tarde, fala X, gostaria de confirmar o nome da senhora vereadora do pelouro do Ambiente por favor
telefonista da Câmara Municipal (CM) - aaaaahhhh, poooooiissss. Eu tenho aqui o nome da vereadora da Educação...
(silêncio)
(silêncio)

CM - Quer este nome?
Eu - Necessito do nome da vereadora do AMBIENTE, por favor...
CM - (silêncio) ... pois... isso vou ter de ir perguntar...
(silêncio)


CM - Mas quer que pergunte?
Eu - Pois, se não me sabe dizer, eu agradecia que perguntasse, se não se importa.
CM - aaahhhh... então vou mesmo perguntar. EsperA lá...
(som do telefone a pousar na secretária, seguido de passos)


CM - Já tenho, quer o quê, mesmo?
Eu - O nome da vereadora do pelouro do Ambiente...
CM - Ah, não é a Educação, não?
Eu - não... A M B I E N T E
CM - pronto, está bem. Vou passar a chamada.
Eu
(quase possessa) - Eu quero apenas saber o NOME...
CM - Ah, não tinha percebido. Quer da Educação ou Ambiente?
Eu
(passando do possesso ao quase riso) - Ambiente, mas se quiser pode dar-me os dois...
CM - É a mesma vereadora. A sra. X

Juro que isto se passou agora mesmo...

quinta-feira, 11 de abril de 2013

11 days and counting

No fundo do túnel, uma boa notícia.
Dia 26 fomos buscar as análises.
11 anos depois, os resultados do RAST desceram todos para menos de 0,5.
Ainda falar com o nosso amigo Dr. Mário Morais de Almeida, dançamos as duas no átrio central da Cuf Descobertas. Sabíamos bem demais o que aqueles resultados nos indicavam.
O coração transbordava de felicidade, queria telefonar a toda a gente, mas refreei essa vontade e resolvi aguardar.
A confirmação "oficial" surgiu uns dias depois, por telefone.
11 anos depois de evicção total ao ovo, de preocupações a cada alimento ingerido, de listas de ingredientes lidas à lupa, de marcas possíveis e marcas proibidas decoradas, das seringas Epipen que felizmente nunca foram utilizadas, de brigas e lutas contra a ignorância de quem desconhece e desvaloriza a gravidade de uma anafiláxia, temos agora uma meta muito concreta.

22 de abril de 2013

Esse é o dia em que vamos assentar praça de novo na Cuf. 
E se tudo correr bem, vamos* comer mousse de chocolate durante todo o dia, em quantidades controladas, e no fim vamos sair de lá com um problema resolvido.

11 anos e uma mousse de chocolate caseira.
That's all we're waitting...







*ora pois que levo uma mousse para mim também... mereço, não?

quinta-feira, 4 de abril de 2013

ui

Já há mais de um mês (26/fevereiro), o pirralho cumpriu 8 anos.
Festa com amigos, jantarzinho em casa.
Almoço de aniversário com a família, que acabou por se tornar num almoço de Páscoa (quase).
 
Pelo meio?
Problemas com a escola - que esteve encerrada por duas semanas, mais as 2 das férias da Páscoa.
Chatices e preocupações enormes.
Reuniões, comunicação social, denúncias, e tal e tal e tal.
1 mês com eles em casa, e eu parcialmente na empresa-trabalho em casa-empresa.
 
Uma roda viva que só visto.
 
Pelo meio, a nossa M. veio passar connosco a semana da Páscoa.
Foi tão bom tê-la connosco!
Pensar que há 3 anos por esta altura andávamos a enfrentar problemas com a adaptação de uns e de outros...
Ela está diferente, mais crescida. Mais senhora. Com muita paciência para os meus pequenos, que se nota à distância que ela adora de coração.
E também isso foi tão tão bom de ver.. o brilho nos olhos dela quando abraçava os irmãos!
Foi embora ontem, não sem muito insistir que quer que a F vá passar férias à Noruega.
(ofereceu-se inclusive para pagar a passagem de avião)
 
Resultado deste mês?
Estou cansada, e de novo a dormir mal.
Só que desta vez tenho verdadeiras insónias. Acordo e desperto. Pronto.
O que resulta numa média de 5 a 6 horas de sono por noite, e que é manifestamente pouco para uma pessoa como eu.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

verdadeiramente "back"

Hoje vou acampar. 
Com as minhas "novas crianças". 
Vou apanhar frio (tanto frio que vai estar à noite), andar km de mochila às costas, dormir num abrigo que vamos construir (dormir portanto praticamente ao relento - pouco e mal), cozinhar no fogo, cantar à volta da fogueira (se eles não se perderem no raid que será durante a noite), ensinar aquilo que aprendi ao longo dos anos, aprender a lidar com estes teens que me assustaram ao início mas que já acho adoravelmente desafiantes, amigos, trabalhadores, empenhados e complicadinhos como a idade implica.

E tudo isto (que sei faz muita confusão a alguns dos leitores aqui do tasco...), faz-me TÃO FELIZ como não imaginam.