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sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Natal!

Ao fim de praticamente 12 anos, vai "voltar a haver Natal".
Sim, resolvemos enterrar os machados de guerra, fumar o cachimbo da paz, dar sentido ao "o Natal é quando o Homem quer", e fazer um Natal familiar.
Juntámos toda a gente (bem, quase...).
Distribuímos tarefas e comida.
Queremos voltar a ter (e acima de tudo, proporcionar aos nossos filhos), o Natal de que todos recordamos: em família, com comida, alegria, cozinhados, cuscuvilhice e brincadeiras.
Vamos ter comida natalícia, vamos ter comida da boa, daquela que é feita com carinho.
Vamos ter uma potencial situação crítica para cuidar, vamos ter as nossas crianças a reviver o que nós vivemos durante a nossa infância.
Mas vamos estar juntos, cantar o jingle bells, emporcalhar a cozinha enquanto fazemos as coisas, comer, ter miúdos a correr pela casa, comer, trocar presentes, comer, deixar a casa em pé-de-guerra, comer, brincar, dizer barbaridades e divertirmo-nos.

E, se tudo correr como esperamos, este será apenas o primeiro de muitos dias assim...

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

20.11.2012 (ou 22/11)

Este foi o dia em que as esperanças depositadas aqui saíram goradas.
Foi o dia em que senti ter feito esforços, sacrifícios, pedidos, as pessoas todas que metia ao barulho, os 1001 telefonemas e cuidados, para dar em nada.
Foi o dia em que me apeteceu ir até lá, desancar a médica ou implorar-lhe uma terapia de choque.
Caiu-me o chão.
E não descortino ainda como vou dar a volta à situação, encontrar alguém que consiga acompanhá-la de mais perto, impor regras, retomar uma vida "normal".
Porque a esta distância (física) não consigo, e trazê-la para junto de mim seria quase impraticável.

Just breathe...

sábado, 10 de novembro de 2012

08.11.2012

Esta data não me vai nunca trazer boas recordações.
Quanto muito, vai ser a data de um dia difícil, que dará frutos positivos.
Este foi o dia em que fiquei eternamente grata (e nunca poderei agradecer plenamente) a uma grande Amiga que muito me ajudou, e que tornou este passo possível.
Este foi o dia em que me despedi da minha mãe, e em que vi a enfermeira despojá-la de muitos dos seus pertences, e fechar à chave a ala onde ela ficou.
Foi o dia em que, mais uma vez, tive de revisitar fantasmas e histórias antigas, para relatar aos cuidadores que dela vão tratar, a minha parte (ou o meu lado, a minha versão) da história sobre o que a levou ali.
Foi o dia em que chorei de alívio, chorei de agradecimento, chorei de tristeza, chorei pela adrenalina que me deixou derreada e quase sem forças para regressar a casa.
Foi o dia (o segundo, na nossa fase "adulta") em que vi o meu irmão chorar, e em que não consegui apagar-lhe a dor, que eu também sentia.
Não sabemos quanto tempo ali permanecerá.
Acredito que tudo isto, por mau que esteja a ser para todos nós, é para o seu bem e para melhorar a qualidade da vida que lhe resta.
Foi o dia em que definitivamente se inverteram os papeis entre nós. 
E dói.

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

inversão

Todos sabemos que, mais cedo ou mais tarde, a inversão de papeis se há-de vir a dar.
Claro que por todas as razões, regra geral queremos que seja o mais tarde possível.
Comigo não foi, não tem sido. Nunca foi sequer.
E sinto-me (egoisticamente) cansada. Esgotada. 
Com falta de tempo para ser apenas eu, apenas mãe, apenas filha ou apenas irmã.
Cansada de carregar às costas tantas coisas e todas ao mesmo tempo.

Life goes on. It always does...

segunda-feira, 30 de abril de 2012


Graças à T., ontem estrearam-se* no teatro.
Foi bonito o espetáculo ("Pinóquio", de Filipe Lá Féria), mas eu honestamente estava à espera de mais.
Ele passou talvez a primeira emia hora de boca aberta, admirado com tudo o que o rodeava, as personagens, as canções, os sítios por onde apareciam as coisas.

E qual é a probabilidade de, numa sala cheia, nos sentarmos precisamente ao lado de malta conhecida?
yup...





*ele estreou-se. Ia jurar que ela já tinha ido... mas como sou uma super-mãe não me recordo bem desse facto

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Páscoa

Férias da Páscoa.
Desgaste físico e emocional provocado por inúmeros stresses de trabalho, fizeram com que no dia 23 quando finalmente cheguei a casa depois de uma maratona de trabalho(s), receios e emoções, quando finalmente pensava que podia relaxar e voltar a olhar para mim e para a minha familia em paz, reparo que o A. trouxe uma mochila cheia de coisas.
"São os livros para as férias da Páscoa mãe"
Hiperventilei. Em segundos revi tudo o que me escapou nestes dias de trabalho e horários insanos. Caí na dura realidade de me ter esquecido completamente que os meus filhos entrariam de férias nesse dia.
Como nem tudo é mau, cheguei a acordo com a entidade patronal e consegui trazer trabalho para casa durante a primeira semana.
Calculam como é estar em casa com duas crianças e ter de cumprir horário, objetivos e tarefas?
Na segunda semana consegui revezar-me com o pai.

Hoje, 6ª feira Santa, preciso de umas férias da Páscoa só para mim.
Os meses que se avizinham não vão ser fáceis a nível nenhum. E eu necessito ainda deste fim de semana para acabar um trabalho que entretanto aceitei fazer.

As notas dela foram boas. 
Cumpriu os objetivos que acordámos e subiu ainda mais. Nada a assinalar no comportamento, à exceção do facto de "ter agora uma postura de nem se dignar olhar para os colegas desordeiros. Permanece atenta à aula como se nada se estivesse a passar".
Voltei a sair da reunião com um sorriso de orelha a orelha e um imenso orgulho.
Sou contra das prendas por boas notas, mas desta vez sinto que ela merece mesmo ter uma recompensa. E acho que já sei qual vai ser.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

familia

Eu gostava muito de ter escrito um post semelhante a este, mas infelizmente não posso.
Até há uns 8 anos atrás (ou mais atrás ainda, se pensar bem nisso), eu poderia tê-lo escrito, ou pelo menos pensar que o viria a escrever. Mas entretanto muita coisa mudou. Ou se calhar, as pessoas revelaram-se...
A minha avó era a matriarca da família.
Mãe de 4 filhas, que cuidou praticamente sozinha mesmo nos tempos em que o marido era vivo, avó de 8 netos (muitos dos quais criou ou ajudou a criar). Era para a casa onde ela estivesse que todos nós rumávamos no dia 1 de maio. Era impensável não irmos.
O dia 1 de maio da família CA viu acontecerem os mais variados eventos. Picnics no campo, no quintal, festas em casa de filhas, no bar do Cartaxo, romarias à Nazaré ou às Azenhas. Nesse dia foram apresentados à família novos membros - uns que se mantém e outros nem por isso, nesse dia houve declarações de amor, de guerras entre irmãos/genros/primos. Nesse dia havia passagens de modelos, trocas de roupa, penteados e modas novas. No dia 1 de maio, que era sempre feriado, nós jogávamos raquetes, ouvíamos música, jogávamos à bola e comíamos muito.

As coisas mudaram.
Com as perdas que tivemos entre 2006 e 2007, as coisas mudaram radicalmente.
A minha família não tem um fio condutor, um denominador comum. Temos agora um punhado de tios e tias que não consegue estar junto na mesma sala. Perderam o norte, perderam a compostura, perderam acima de tudo a sanidade mental...

Vale-nos, espero eu, a geração seguinte. 
A minha geração.
Fazemos por estar juntos nas festas dos miúdos, nos fins de semana possíveis, no verão, no TT. Embora tenhamos tentado contrariar essa tendência, verificámos que as nossas mães chegaram a um ponto de rutura sem retorno possível.

Eu gostava de ter escrito aquele post.
E tenho esperança de ainda vir a conseguir escrever um assim parecido. Tenho cultivado nos meus filhos o gosto pela família, pelos amigos da vida, de toda a vida. 
Porque com mais ou menos esforço - financeiro inclusive, estou longe mas faço os possíveis e os impossíveis por ir ter com aqueles de quem gosto, que me conhecem e me acolhem sem críticas. Aqueles que ralham comigo sempre que necessário mas não me julgam. Corro o país para estar perto dos meus amigos do peito, para passar um dia, uma noite, uma hora que seja com eles. E eles fazem o mesmo.
Eu um dia vou escrever um post parecido.

domingo, 5 de fevereiro de 2012

remar

sim, remar contra a corrente.

O tempo tudo cura, e eu curei-me.
Não acho que seja a altura indicada para certas aventuras, mas ha coisas que não podem esperar, e muito menos têm alturas certas ou ideais.

Gosto de remar contra a corrente em vez de ir atras dos outros.
Sei que não estou a cometer nenhuma loucura. Quanto muito estou a ser um bocadinho egoísta, aventureira ou menos prudente.

Gosto de viver no limbo...
E assim comassim, là se foi a viagem ao México

domingo, 1 de janeiro de 2012

2012

2011 foi um pouco melhor que 2010, é um facto. Teve muitas mais coisas melhores, mas nem assim consigo chegar ao final e ficar 100% satisfeita com o balanço.
O ultimo dia do ano trouxe mais uma discussão, uma chatice, um aborrecimento familiar que era desnecessário. Talvez me coubesse a mim ultrapassar, relevar, perdoar. Continuo a não conseguir fazê-lo, e não sei se alguma vez o conseguirei. É, mais do que uma mágoa, uma dor que transporto. Uma dor fininha, persistente, que umas vezes está muito muito forte e outras ameniza um pouco, mas que não passa. Tenho de aprender a viver com ela, eu sei...

Não gosto particularmente da passagem de ano, mas gosto da ilusão que ela me dá: poder recomeçar, agarrar numa folha em branco e começar a escrever a minha vida de novo, voltar ao zero, crescer outra vez.

2012 afigura-se-me como um ano difícil (financeiramente, a instabilidade dos nossos empregos, etc), mas desafiante. 
É o ano em que prevemos alterar várias coisas, voltar a investir no nosso futuro e na nossa familia. Temos andado um pouco em standby, e assim não pode ser.
Porque nós valemos a pena, porque a família vale a pena, e acima de tudo, porque só assim faz sentido: remarmos todos para o mesmo lado, lutarmos por um objetivo comum, fortalecer-mo-nos enquanto família.
As palavras de ordem para 2012 são:
Simplificar, Organizar, Economizar, Amar.

domingo, 25 de dezembro de 2011

N

Foi difícil. Por tudo o que se passou antes. Por tudo o que não consigo esquecer ou perdoar. Por tudo o que me magoa diariamente. Mas este ano não houve zangas nem brigas.

Mas os miúdos gostaram e isso é que importa.
Para o ano há mais.

domingo, 23 de outubro de 2011

Do fim de semana

Foi fantástico rever Dirigentes que eu não via desde 2003 (e alguns antes).
Foi fantástico ver como conversas se retomam desde essa altura, como se não se tivessem passado 8 anos, sentir a sua amizade e carinho.
Como de costume, e com os seus aspectos positivos e negativos, foi muito bom falar, conhecer, partilhar, ouvir contar histórias de sucesso e de insucesso, ouvir conselhos de quem anda nisto da formação há muitos mais anos do que eu, e sabe tão melhor do que fala.

...

Pensava que estar naquele espaço me iria trazer paz, eventualmente algumas respostas.
Pelo contrário.
Tantas vezes lá fui anualmente com os meus pais, integrada na Paróquia ou nas nossas viagens familiares. As coisas eram tão diferentes nessa altura...
No espaço onde eu procurei ontem paz, respostas, ajuda, surgiram recordações que me amarguraram e me magoaram. Surgiram mais dúvidas, incertezas, solidão e que me trouxeram uma péssima noite de sono. Um estado de espirito que me trouxe inquietude. Tive de lá voltar no domingo de manhã.
Apesar de cheio de gente, o Santuário que me recebeu nesta manhã fria foi para mim mais acolhedor, acima de tudo mais apaziguador.
Não trouxe de lá paz, mas trouxe mais um pouquinho de calma. Consegui um resto de domingo muito cansada, mas que pude disfrutar quase em pleno.

...

Cheguei a casa e o entusiasmo dela (deles) era contrastante com o meu cansaço físico e cerebral. 
Foi de facto uma excelente opção a mudança.

domingo, 25 de setembro de 2011

o fim

Não sou daquelas pessoas que "santificam" as outras "só" porque morrem. Se gosto ou se não gosto, se tinham defeitos e qualidades, elas para mim permanecem, e a minha opinião não muda.
Não significa isso que a morte não me afecte, muito pelo contrário... E depois de ter sofrido já várias perdas de pessoas chegadas, sinto estes momentos de uma forma mais especial, mais tocante.
Custa-me ainda mais por isso ver a vida de uma pessoa, que já foram duas, reduzida a meia dúzia de fotografias, móveis velhos, roupas e electrodomésticos. Custa-me ver como um espaço onde outrora alguém já foi feliz, onde fui tantas vezes e que de alguma forma fez parte de um pouco da minha vida, se esvazia assim, num dia de limpezas e partilhas.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

fds Noruega em Portugal

Eu queria escrever sobre o fim de semana (que acabou de acabar), mas nem sei por onde começar.

Foi diferente, intenso, andámos a pé com'ó caraças, comemos muito, bebemos muito, bebemos ainda mais, rimos muito, falámos muito e em muitas linguas ao mesmo tempo, bebemos muito, comemos muito, vimos muitos monumentos e muitas pedras*, andámos mesmo muito, eles apanharam vários escaldões e gostaram.

E no fim ficou a certeza de que realmente temos uma familia no país dos bacalhaus.




Ah, e já disse que comemos muito e bebemos muito?


*cromeleques e menires

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Hoje

fazem anos:

- O meu irmão
- A minha prima
- O meu amigo Secan
- O Eusébio
- O Ramalho Eanes

Dia importante, não?
(e eu, que há 10 anos atrás pensava que era mais uma a somar à lista...)

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Férias - o final

Pois, acabámos por regressar a casa na 3ª feira.
Ainda fomos à praia de manhã, almoçámos com o Avô Manel, fomos ao café, arrumámos as coisas e pusémo-nos ao caminho.
Foi um regresso triste, antecipado (se bem que as primeiras palavras que o A. me disse assim que acordou foram "tenho saudades da minha casa"), para o vazio, para as rotinas do costume.
Como que a adivinhar, passei essa noite muito mal, acordada, às voltas na cama a pensar naquilo que não devia.
Chegar a casa e ter tudo por fazer, tudo por arrumar, por limpar, foi como um balde de água fria.
O dia seguinte (ontem) foi passado entre arrumações, msn, a wii e compras. No final do dia tempo ainda para ir cantar os parabéns ao R que fazia anos.
Com tanta insistência e com o A. sem poder dar os seus mergulhos na piscina, hoje lá me conformei e deixei a F. na Oficina, o A. na escola, e eu vim trabalhar.

O escritório está vazio...
Faltam as brincadeiras, os momentos de café, as trocas de ideias, as embirrações e os "picanços". Vai ser assim mais uma semana pelo menos. Tanta falta...

Estou cansada. O corpo precisava mesmo de uns dias a dormir.
Fiz mal em ter vindo trabalhar, acho. Podia ter deixado os miudos ir à escola e eu ficava lá, a dormir no sofá e a por os CSI, a Grey e a Investigação Criminal em dia.
Pois, porque durante as férias não houve tv... nadinha!

Soube bem, soube a pouco.
Isto parece muito mal de dizer, mas este modelo que adoptei este ano foi mesmo o que eu estava a precisar.

Férias "sozinha".
Fez-me falta a companhia, claro, mas soube bem e deu para pensar na vida (embora não tenha chegado a conclusão alguma).
Acho que estas separações fazem bem também na vida de um casal.
As ausências durante a semana, em que estamos os dois a trabalhar não contam, pois significam apenas trabalho a dobrar para mim. Mas até aqui tenho de instituir as minhas rotinas, para que essa falta se transforme numa ausência menos carregada, menos penosa, mais rotineira para todos.

Há muitas resoluções e muitas decisões a tomar neste início de ano. Delas depende o futuro da nossa familia no seu todo, e de cada um de nós em particular.
Vamos com calma... amanhã já é 6ª feira.

terça-feira, 27 de julho de 2010

Dia dos Avós

Ontem foi o Dia dos Avós.
Não me lembro de comemorar este dia, mas no ATL onde anda a F. lá se lembraram de convidar os avós para participar nas actividades, e a minha mãe foi (veio). Mas não é disso que quero falar, pois uma vez mais dava pano para mangas e para variar o dia (a noite...) não correu muito bem.

A minha Avó Júlia foi talvez a pessoa da familia mais marcante para mim.
Para mim, e acredito que para toda a familia mesmo. Toda.
Teve 4 filhas, e um filho que morreu com poucos meses. pouco ouvi falar dele, mas sei que existiu.
Cada uma das filhas casou e teve dois filhos. Somos portanto uma familia grande, se nos juntarmos todos.

Ora esta minha avó, oriunda do Ribatejo mas a residir em Lisboa aí desde uns 20 anos antes de eu nascer, criou ou ajudou a criar uma boa parte dos seus 8 netos. pelo menos 5 deles a tempo inteiro. "Escaparam" dois porque moravam a 50km, e escapou quase o meu irmão, porque é o mais novo de todos os primos, e nessa altura a minha mãe definitivamente já não trabalhava. Ainda assim, morávamos todos num fabuloso T2 pequenino e velhinho no centro de Lisboa, e por isso a bela da Juleca (como carinhosamente lhe chamávamos) acabava por dar as suas opiniões e por ajudar também.

Enquanto foi viva, a minha Avó era a verdadeira Matriarca da familia. Toda a gente lhe tinha um respeito fenomenal, e palavra dela era sagrada para todos. Isto incluia filhas, genros, netos, os conjujes dos netos, e mesmo os bisnetos (conforme fomos crescendo e constituindo familia).
Durante anos a fio, o dia 1 de Maio era dia de romaria para todos nós. E não por ser (mera coincidência) o dia do trabalhador. Onde quer que estivéssemos, todos sabíamos que tínhamos de nos deslocar para a casa onde a Avó estivesse, pois era o dia do seu aniversário, e durante muitos anos todos pensávamos "pode ser o seu último aniversário". Isto pode parecer um pouco cruel, mas o facto é que a minha avó faleceu aos 93 anos de idade, fruto de complicações decorrentes de uma cirurgia por causa de uma fractura no rádio, e nos ultimos 15 anos já tinha tido 6 AVCs. Sim, 6! E de todos recuperou, embora fosse perdendo algumas (poucas) faculdades entre eles. Fizémos de tudo anos a fio no 1 de Maio. pic-nics, almoços em casa de alguma filha, almoços no "bar" do cartaxo, jogatanas com raquetes, etc.

A Avó Julia ensinou todas as netas a fazer renda e crochet. Graças a ela, sei fazer renda, variadas coisas em crochet, e ainda aprendi a fazer frioleiras - uma coisa complicadíssima com um objecto pontiagudo - mas desse já não me peçam para demonstrar porque não me lembro mesmo com aquilo se usa. Para todas nós fez naperons, toalhas de mesa, colchas, e umas célebres mantas de lã, daquelas às risquinhas. Tenho pelo menos duas destas, e que quentinhas que elas são...

Depois de eu e os meus pais termos saído de Lisboa, ela quis permanecer (finalmente) na sua casa. Era uma pessoa de hábitos, e embora fosse com regularidade passar temporadas a casa das filhas, gostava de regressar ao seu cantinho, ir beber o seu carioca às pastelarias do costume, dar a sua voltinha pelo bairro, sentar-se no seu sofá verde a ver as "telesnovelas" e a gozar o seu merecido descanso. Era conhecida em todo o bairro e arredores, todos gostavam dela, e ela correspondia com simpatia.

Quando aos 18 anos terminei o 12º ano e regressei a Lisboa, fui morar com ela. Nunca me impôs horários nem regras. Mas sempre tinha uma tapioca quentinha para eu comer ao final do dia quando chegava do trabalho, teimava que não queria que eu fizesse a cama, e muitas vezes insistia que me queria fazer o jantar. A mim e à minha prima S., que também lá estava em casa, a estudar.
Belos anos esses, em que as 3 morámos juntas... Muitas maluquices a minha avó nos "aturou" a mim e à S., como na noite em que supostamente havia uma chuva de estrelas à meia noite, e ela esteve à janela connosco à espera para ver tal acontecimento.
Até que no seu último AVC, que eu felizmente "reconheci" a tempo de lhe prestar assistência, as filhas a conseguiram convencer que não podia mais permanecer sozinha em casa. Sozinha, porque eu trabalhava de dia e estudava à noite, por isso pouco tempo estava lá.
E foi aqui que tudo começou a descambar.
As filhas nunca se entenderam quanto a "quem ficar com a mãe". Muitas brigas, muitas discussões, muitas reuniões entre elas e respectivos maridos, mas o consenso nunca chegou. Consequência lógica para quem conhece a minha mãe, foi ela quem acabou por assumir essa responsabilidade, ainda que com algum (pouco, tenho de reconhecer) apoio das irmãs. Não censuro ninguém, pois nunca me quis meter nisso (nem os meus primos), mas reconheço que no meio de tudo aquilo, de todos os argumentos, todas tinham um pouquinho de razão e nenhuma tinha a razão toda.

A minha avó faleceu por volta das 6h da manhã do dia 14 de Julho de 2007, no hospital.
Eu tinha acabado de me deitar, vinda de uma despedida de solteira, quando a minha mãe me telefonou. Tomei banho, meti-me no carro e fui para lá.
O resto da familia só começou a chegar da parte da tarde.
A familia nunca mais foi a mesma desde então.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

A passagem de ano foi calmita, assim meio à cota, mas agradável, com amigos e sem sombra de dúvida bem melhor que a do ano passado, a acudir a doentes e narizes ranhosos.

Dia 1 fizemos um passeio pedestre até ao Castelo (pasmem-se os que conhecem os implicados!!!), e assim se passaram as festas e as minhas férias.
Pelo meio um Natal onde a prenda-sensação foi a famosa Wii, o que já valeu bons momentos de risota, uns valentes jogos, e acordar por várias vezes ao som de "mãe, posso jogar na wii?", ali mesmo coladinho à minha cara.

Ainda nas férias fizémos uma visita cultural à capital, onde pudémos constatar que a senhora que está no Planetário a fazer as sessões especiais de Natal para crianças não tem jeito nenhum para falar com crianças, mas ainda assim foi divertido, e havemos de voltar para ver a sessão normal com os trovões e outras coisas fixes. Ainda no Planetário, o Pai dormiu no seu confortável cadeirão, o A. queria por força as pipocas obrigatórias no cinema, a F. sabia a história melhor que a senhora, e a M. não percebeu metade do que foi dito, porque a dita apresentadora falava depressa demais. Eu, ia acudindo como possível, claro.
Não fomos aos Pasteis de Belém, porque a fila era tão grande que chegava à esquina do passeio e desistimos.

Nesse mesmo dia fomos todos ao Oceanário, aproveitando os bilhetes que tínhamos, e perdemo-nos de amores pelo peixe bola-bola - gigante, gordo e feio, o que lhe dava um encanto muito próprio, e pelo Eusébio, a lontra que dormiu o tempo todo, deitado de costas na água agarrado a umas ervas. Conhecemos a casa do Vasco (a mascote do oceanário, para quem não sabe), e saímos de lá ao fim de 2h, satisfeitos com o passeio.

Ainda durante as férias (ou se quisermos ser precisos, ainda nas ultimas semanas de aulas), tivémos alguns quase-aborrecimentos com a nossa M., que ao fim de 3 meses começa a demonstrar algum desgaste (e nós também), além de ter na cabeça apenas um namorado em vez da adaptação cultural que era suposto. Isto tem-nos valido a todos várias conversas sérias, e a ela algumas restrições às saídas, ao uso de telemóvel, e mesmo a alguma confiança que eu esperava poder ter numa jovem de 17 anos e que afinal não tenho porque não demonstra grande juízo nem capacidade de discernimento nalgumas situações mais óbvias (para nós pelo menos). Mas como só este tema dá para vários posts, não me prolongo, além de que me fazem ficar algo mal disposta, pelo que mudo simplesmente de assunto agora.

Bem, ainda inserido nas comemorações de ano novo, no domingo juntámo-nos com alguns amigos e fomos molhar as rodas dos jipes. As rodas... e mais um pouco.
Rumámos à Barragem de Pego do Altar, e lá fomos todos.
Desta vez ninguém ficou atascado - para tristeza do A., mas foi por um triz. Com as chuvas constantes das ultimas semanas, lama é coisa que não falta, e o percurso estava bem engraçado.
As fotos não são muitas, porque 2 baterias não servem de nada, se estiverem as 2... descarregadas.
Como começámos já perto das 15h45, caiu a noite e nós no passeio, pelo que foi uma tarde seguida de uma nocturna, e que para não variar terminou com um petisco bem valente ali para os lados de Alcácer do Sal.

2ª feira, foi para todos o dia de voltar à realidade...

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

É Natal

Chegou o Natal.
Cada ano mais diferente, cada ano melhor nuns aspectos, pior noutros.
Tenho tantas saudades dos Natais passados em casa cheia de primos, tios, a familia toda reunida, as correrias pelas prendas, a emoção dos doces, o abrir os presentes, os fritos típicos, o dormir no chão de um quarto cheio, ficar na conversa e brincadeira até tarde.
Este ano foi mais calmo sim. Não tive de fazer de enfermeira, tive ajuda para tudo, partilhámos tarefas. Tivémos o bacalhau com batatas e couve portuguesa, o caldo verde e o lombo recheado. Tivémos a Roupa Velha no dia seguinte, o bolo Rei e a lampreia de ovos.
Temos a M., e como tudo é novo para ela. Tivémos biscoitos ("pequenos bolos" como ela diz) da Noruega, Grot e uma bebida que nem me lembro o nome. Temos o A. que ainda acredita fielmente no Pai Natal, a F. que quer acreditar, tivémos a ida ao 1º andar para vestir pijamas e lavar dentes, e o Pai Natal que gritou nesse tempo e deixou as prendas ao monte junto à árvore. O A. que desceu as escadas a correr e a gritar de contentamento, a F. que vinha logo atrás.
As prendas... as prendas que todos abrimos com maior ou menor surpresa, os Gormittis, a Operação, o perfume, as luvas, a Wii, os jogos da Wii, o DVD, os livros, as roupas, e tudo o mais.
As primeiras brincadeiras com as prendas abertas, montar a Wii, jogar até tarde. Ir dormir sem muita vontade, a excitação de saber que no dia seguinte haveria tanta coisa nova para continuar a brincar...
E no entanto... no entanto continua a faltar-nos tanta coisa.
O Natal que esteve para ser ainda mais preenchido e afinal não foi.
A forma como os adultos continuam a suportar, a esconder, a ocultar sentimentos e revoltas.
Foi um Natal agradável, sim, no entanto. Foi o Natal possível, que continuaremos a construir a cada ano que passa.
Feliz Natal!

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Perguntam-me com frequência por que carga de água me fui meter nesta aventura de mandar vir uma adolescente de fora.
"Já não te bastam os teus? Então e quem é que a sustenta? E o que ganhas tu com isso?" são as perguntas mais frequentes.
Pois...
Os meus não me bastam? Bastam sim, mas esta é sem sombra de dúvida uma experiência gratificante a vários níveis. Ela dá mais trabalho do que eu julgava, é um facto. Mas isto deve-se a características pessoais dela e da familia verdadeira que nunca a habituou a fazer certas coisas em casa. O certo é que, embora por vezes torça o nariz, ela está a entrar no ritmo e sabe que tem de cumprir as tarefas que lhe forem destinadas pelo Conselho Familiar (entenda-se, eu e o pai). E garanto que está muuuuuuito melhor. E garanto ainda que quando chegar à Noruega vai direitinha que nem um fuso, a conhecer todas as lides domésticas e a ser uma menina muito mais asseadinha e arrumada.
Quem a sustenta são os pais naturais dela, sendo que nós "apenas" damos a alimentação que faz em casa, e as despesas que fizer quando vai connosco a algum sítio - comer fora por exemplo. De resto, não pago mais nada, e nem eu me metia num encargo que não posso suportar.
O que ganha a minha familia com isso? Esta questão é mais aberta, mais subjectiva. Posso afirmar que ganhamos a experiência. Estamos a conhecer uma cultura diferente (se bem que eu acho que ela e a familia dela não são noruegueses típicos, mas isso dá outro post), estamos todos a aprender ou alargar as noções de partilha diária, de tolerância - a vários níveis, nomeadamente a lidar com as diferenças brutais que surgem em coisas tão pequenas e tão naturais para nós. Pessoalmente, estou a antecipar o que poderá surgir assim que os meus filhos chegarem à adolescência, etc.
Aprendi ainda que não sou uma pessoa tão desarrumada nem tão desorganizada como pensava, e estou a aprender a controlar-me muito mais antes de explodir cada vez que tenho de a mandar arrumar ou limpar alguma coisa.
Os miudos, em especial o A. estão a aprender umas palavras em inglês...
Eu estou a revelar-me uma excelente professora de português (e ela ao fim de 2 meses já consegue manter uma conversa básica na nossa língua), e principalmente, a ter a paciência suficiente para o fazer sem me aborrecer.
O certo é que ela já é um de nós, e acho que em Junho a separação não vai ser muito fácil...

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

lembram-se

da primeira vez que foram ao cinema?
Pois bem, a dele foi ontem:


Mas claro que não foi sozinho...