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sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Livros

Inicialmente por uma questão financeira (até tenho vergonha de dizer quanto gastei só este ano em livros, para mim e para ela), depois por uma questão prática, e finalmente por saudosismo, fui ontem tratar do meu Cartão de Leitora da bibliteca municipal cá da zona.

Aos anos que eu não entrava numa biblioteca!
As saudades... as estantes cheias de livros a chamarem por mim... as cadeiras e as mesas antigas... o cheiro daquele lugar que é o cheiro igual a todas as biblitecas (as antigas).
Se não estivesse com alguma pressa, tinha-me perdido ali, logo no primeiro dia, mas hoje não dava mesmo.
Ainda assim, no tempo que lá estive senti-me tão bem, tão "em casa".

Em conversa com a senhora que tratou do meu cartão, descobri que gostamos dos mesmos autores (pelo menos os portugueses), e trouxe comigo logo um livro, que já andava a namorar. Ganhei uma aliada, pois prometeu que me guardava os outros dois livros daquele autor que eu quero ler ainda! (eheheh)

Sempre fui fã de bibliotecas.
Comecei numas férias, no Sítio da Nazaré. Durante a pausa da praia, na hora do almoço, e não havendo televisão no apartamento onde passávamos férias, o meu pai levou-me a uma bibliteca de verão. O edifício ficava perto de casa, a zona de leitura (não havia empréstimo) era um pátio fresquinho, com umas cadeiras super agradáveis e uma sombra acolhedora para as tardes de verão. Não sei quantos livros li ali, no primeiro verão, mas foram muitos mesmo.
Quando regressei a casa resolvi espreitar a biblioteca local. Foi uma experiência muito boa, enquanto o horário escolar o permitiu...

Entretanto descobri para que servia o pequeno autocarro vermelho que por vezes via estacionado em pleno jardim da Câmara Municipal do Cartaxo* - era uma Biblioteca Itinerante.
Fiquei encantada com o espaço, e com o senhor Fernando (nunca me hei-de esquecer dele), o motorista-bibliotecário-conselheiro-e-amigo, que nos recebia sempre com um enorme sorriso. Sabia sempre que livros eu iria gostar (e nunca falhou!), mostrou-me novos géneros literários, abriu novos mundos no meu horizonte de leitura.
Naquele pequeno autocarro cabiam tantos e tantos livros, para todas as idades. As estantes, que ocupavam todo o espaço das paredes, estavam sempre arrumadíssimas e cobertas de estórias, histórias e contos diversos. O estreito corredor por onde nos movimentávamos tinha o espaço suficiente para caberem umas 3 pessoas de cada vez, mas com a saberdoria do sr. Fernando nunca precisávamos de nos demorar muito por lá. Belos tempos, estes!

Quando regressei a Lisboa perdi o hábito de frequentar bibliotecas. A vida mudou e fui preferindo comprar os meus livros - gosto de os ter sempre comigo, de os reler quando me apetece, de tomar notas a lápis, sublinhar, torná-los ainda "mais meus".
Ontem regressei à biblioteca, e foi como se nunca tivesse saído de lá. É pena que não abra ao sábado, pois quero muito criar nos meus filhos este hábito que considero tão saudável. Quero ensiná-los a amar estes espaços repletos de letras, palavras, livros que chamam por nós.

Já sei em que actividades os vou colocar nas férias do Natal!






*Sim, eu morei no Cartaxo durante 3 longos anos da minha vida, para quem não sabe...

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Jardins da Fundação Calouste Gulbenkian



Há tantos, tantos anos que não ia aos Jardins da Gulbenkian...
Foi tão relaxante a escassa hora que lá passámos.
Foi tão maravilhoso ver que tudo está igual: os percursos por entre arbustos, a possibilidade de inventar histórias em florestas labirínticas, a relva verdinha, o lago com os patos, as travessias da água por entre as lages de pedra.
Ele gostou de conhecer, eu adorei revisitar.

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Recordações de infância

Fui recentemente “forçada” a recordar a minha infância. Se foi feliz, se brincava na rua, quem eram os meus amigos, o que fazia.
Dei por mim sem saber muito bem o que responder, pois tanto haveria para contar... Claro que foi uma infância feliz. Amigos? No centro de Lisboa, ou tínhamos amigos no mesmo prédio (ou eventualmente rua), ou não havia muito disso até se entrar na escola primária.

Tive a sorte de ter o M. no mesmo prédio que eu. Brincadeiras de miúdos, fins de semana no Casal, as mil e uma coisas que inventávamos juntos para passar o tempo.

Da minha infância o que recordo melhor são as idas diárias com a minha mãe à praça, com a sua cesta de palhinha. Passar no peixe, na fruta, nos legumes. O Ambiente daquele mercado tinha um cheiro muito especial. Ali vivia-se de tudo, comprava-se de tudo.
Passávamos pela Flamingo para espreitar os jornais, no Tebas para um café e para a minha mãe comprar a Tele-culinária ou uma lotaria, passávamos no sr. Mário (o sapateiro), e regressávamos a tempo de colocar na mesa o almoço, sempre às 12h30, pois o horário de bancário do meu pai não permitia atrasos. Depois de almoço, até a pasta já estava na escova de dentes à espera dele.

Recordo com muita saudade as férias dos meus primos. Nessa altura, a minha casa transformava-se numa espécie de colónia de férias. Anualmente, a juntar às tarefas diárias da minha mãe, havia as idas ao Castelo de São Jorge, ao Miradouro da Senhora do Monte, à Piscina de Vila Franca. Lembro-me do ar admirado das pessoas, ao verem-na desfilar com umas 6 crianças atrás, todas de idades muito semelhantes, e da célebre pergunta/brincadeira a propósito de um anúncio muito em voga na altura: “Terá casado aos 15?”. Quando éramos só as meninas, as “brigas” eram por causa da cama e do sofá. Tínhamos de tirar à sorte para ver quem ficava no sofá – era a parte mais divertida, pois dormiam ali sempre 2, e além disso poderiam ter o privilégio de ver tv um pouquinho até mais tarde.

Naquela casa que hoje parece minúscula (actualmente seria considerada um T2), cabiam nas festas de anos, baptizados e outras festividades, as cerca de 35/40 pessoas que compunham a família e amigos chegados. E não faltava espaço, ninguém se queixava. Cantávamos, brincávamos, fazíamos gravações no velhinho gravador de cassetes, que ainda guardo não sei bem onde. Havia gente por todas as divisões da casa, mas para nós o importante era mesmo estarmos juntos.

Na minha infância, entrei no Lisboa Ginásio Clube aos 3 anos de idade (passei por inúmeras modalidades entretanto), na escola primária, na catequese e na natação aos 6, e nos escuteiros aos 11. E nunca perdi um ano lectivo, nem faltei a nada para estudar…

Lembro-me de comprar “estalinhos” de carnaval e com o meu pai tentarmos assustar as pessoas que nos visitavam, lembro-me da visita mensal do senhor do Círculo de Leitores que, a partir do momento em que entrei para a escola primária, passou a ser uma visita de extrema importância, pois trazia sempre algum livro para mim.

Com o meu pai os passeios eram diferentes. Ensinou-me a ler os seus livros antigos – foi daí que herdei o gosto pelos clássicos, lia comigo e depois falávamos sobre eles. Anualmente tínhamos uma verba destinada a ser gasta na Feira do Livro, que percorríamos Parque Eduardo VII acima e abaixo. Anualmente íamos os 2 aos Santos Populares, calcorreando os bairros antigos e bailando onde havia um pezinho de dança.

A entrada na escola foi pacífica. Fiz os 4 primeiros anos na escola 26, segui depois para a Preparatória Nuno Gonçalves. Aí passei talvez os melhores anos da minha vida escolar. Amizades, as aulas de Educação Física e Trabalhos Manuais, o começar a ir e vir sozinha para casa, os feriados passados na belíssima biblioteca que a escola tinha. Já a passagem para a Secundária foi mais drástica. Embora a 2 minutos de casa, era um edifício velho, quase sem pátio, sem ginásio, e com um bar que pouco mais servia que uns papo-secos com salsichas quentes lá dentro banhadas em mostarda. Mas aqui foram também os tempos das primeiras revoluções escolares, com uma turma de “caloiros” do 7º ano a rebelar-se contra uma professora. Foram os tempos das primeiras baldas, das descobertas, das amizades “estranhas”, da fase do passa-não passa de ano.

a minha Escola nº26


As férias eram passadas em parques de campismo, no nosso atrelado. Primeiro as Azenhas do Mar (ai…), depois o Sobreiro (ai ai…). Depois de novo as Azenhas mas agora nos apartamentos da Alzirinha, com os seus gansos que me faziam correr de medo, gatos, galinhas e coelhos. O “Pão-por-Deus” que nos levava de porta em porta até á Praia das Maçãs. As idas aos caracóis, que o meu pai fazia divinalmente bem, os passeios pelas falésias Janas, a Praia da Maçãs, a Praia Grande. Depois veio a era Nazaré. As cantorias (com as minhas primas) em cima do poço, imitando as coreografias da Joia do Nilo, o café dos “quadradadinhos”, a boite aranha, o fulano todo jeitoso que nós galávamos à distância, o jogo do Quando o Telefone Toca já deitadas na cama. Os pic-nics na vinha do primo Zé Manel, os banhos no tanque, a fruta comida directamente das árvores, o leite bebido acabadinho de ser mugido, quente e gorduroso (blhaaaarg).

Eu, Miradouro das Azenhas do Mar, há uns 28 ou 29 anos


Os Natais, passados com toda esta família gigantesca, normalmente no Cartaxo. A hora das prendas e as brincadeiras que imploravam que essa hora chegasse mais cedo. Dormirmos todos em colchões no chão, rindo e brincando até cairmos de cansaço. Os cozinhados das minhas tias, as cusquices e as brigas que tinham, os doces na mesa, a lareira acesa, a primeira tv já com muitos canais (que na altura de nada serviam). As saudades que tenho destes Natais…

Foi isto, muito resumidamente, a minha infância.
Era uma infância assim alegre que gostava de dar aos meus filhos. Aos meus primos pequenos e grandes. Porque é que agora somos forçados a ter famílias tão pequenas?

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Celebraremos mais um aniversário, celebraremos a vida.
E a vida, não existe só na forma que conseguimos ver cá em baixo.
E lá no alto, neste sábado haverá uma estrelinha a brilhar mais do que todas as outras, celebrando connosco.
Eu sei que sim!

segunda-feira, 29 de outubro de 2007

Fim de semana

Porto Covo
Ilha do Pessegueiro
Porto Covo
O mar.
O que me faz mais falta aqui onde estou é o mar.
Tenho saudades da sua imensidão, da paz que me transmite, do barulho das ondas.
De apanhar conchas, arrancar lapas às rochas, trepar escorregar e cair.
De andar descalça na areia, mesmo no inverno...
Tenho saudades de me sentar na praia à noite, observando as estrelas, conversar com elas