Não sou isenta de defeitos.
Muito pelo contrário, tenho consciência deles (de muitos pelo menos), e uns mais do que outros, lá vou tentando combatê-los como posso. (ou não, que há uns que faço quase questão de deixar que existam).
Mas sei que sou produto de quem me criou, do ambiente em que cresci, das pessoas com quem convivi - familia, amigos, pessoal da ginástica, pessoal dos escuteiros, pessoal da faculdade, catequese, colegas de trabalho, vizinhos até.
Sei que me esforço para combater certas coisas com que vivi e que me fizeram ser quem sou, que muitas consigo evitar e muitas outras são mais fortes do que eu. Sei que me esforço por escolher apenas as coisas boas que me ajudaram a crescer.
Sei que me esforço para não dar aos meus filhos preocupações que eu vivi quando tinha a sua idade.
Sei que tantas vezes não o consigo fazer, e que noutras alturas é necessário que eles tenham consciência das minhas preocupações para perceberem porque lhes digo tantas vezes que não.
Custa-me ver quem me criou deitar por terra grande parte desses princípios educativos. Custa-me que me sejam atiradas à cara acções que senti na pele, na cara.
Custa-me ver frustrações antigas transferidas para mim, à falta de outro saco de porrada, da coragem que na altura faltou.
Não é de animo leve que vou cortando os laços. Isso custa-me mais do que tudo, embora ninguém o entenda.
Esforço-me para ser uma boa mãe e uma boa pessoa. Às vezes consigo, outras nem por isso. Mas sem falsa modéstia reconheço que o saldo é mais positivo que negativo.
Preciso de me agarrar a essa certeza para seguir em frente, afastar os meus filhos de situações negativas desnecessárias à sua infância. Preciso de garantir a minha sanidade mental, para conseguir sobreviver e garantir a deles.