Eu conhecia a instituição (a F andava lá há 2 anos), mas não conhecia nem aquela Educadora nem as Auxiliares. Mas confiei - tenho um 8º sentido para estas coisas, e até aqui não me tenho dado mal.
Quando entrou ganhou de imediato a alcunha do "Doce Docinho", pela sua alegria, por ser um bebé sempre bem disposto, comia bem, dava-se bem com todos os adultos e, modéstia à parte, era realmente um bebé bonito e encantador.
Não podia ter melhor a dizer destes anos, nem das pessoas que estiveram com ele este tempo. Fizeram comigo ao longo de 6 anos um trabalho muito bom, ajudaram-me em muitas coisas, ensinaram-me tantas outras, e ensinaram-lhe a ele coisas que não têm preço.
Sinto-me bem naquele colégio, sei que o meu filho se sente bem, e que é muito feliz ali. Fala da "escola" com paixão, fala dos amigos com amor, tem saudades durante as férias, quer sempre levar bolachas, livros e brinquedos para partilhar com eles, gosta do espaço e das pessoas.
É mesmo muito feliz ali.
E eu sou feliz ali por ele.
Dos finais de tarde em que lá chegava e ele estava a dormir na fresca sombra do parque da relva, e que ficava à conversa com a A., ou das vezes em que o fui buscar por causa das otites, das tantas e tantas vezes que o ia buscar e ele corria pela quinta porque não queria ir para casa, das vezes em que me pedia (e pede) para o ir buscar mais tarde porque quer ficar a brincar com os amigos, dos quilos de areia que diariamente trás para casa, enfiados nos bolsos, nos ténis, dentro da roupa, do ar sujíssimo mas muito feliz com que o encontro ao final de cada dia, das reuniões de pais que duravam das 19h às 24h porque nos perdíamos todos em conversas sobre os nossos meninos, de tudo isso eu confesso que já sinto saudades.
O descanso que sempre senti quando o deixava na instituição é impagável. Sempre soube que estava bem, que estava a ser bem alimentado, bem tratado, acarinhado, ensinado e principalmente educado.
No primeiro ano eram 8 bebés, depois passaram a 12, depois a 16 e por aí ficaram.
Estas crianças cresceram juntas, são amigos tão verdadeiros quanto a sua idade lhes permite, e não sabem estar uns sem os outros.
A separação, que vai acontecer dentro de pouco menos de 2 meses, embora muito esperada por ser a entrada na escola primária, vai ser decerto dura.
Foram 8 anos a caminho de uma instituição que deu muito aos meus filhos.
Há coisas que o dinheiro não paga, e eu decerto tenho uma grande dívida para com as professoras que me ajudaram nestes anos.
Dos cuidados com as alergias da F, à forma como lidam com a tagarelice incansável do A, com a sua impaciência nas curvas da serra da estrela*, as prendas que fizeram com eles, de como sabem falar dele, descrevê-lo, de como o conhecem tão bem (às vezes melhor) como eu. Como acalmaram as minhas ansiedades de mãe e aturaram as minhas reclamações em reparos que fui fazendo ao longo deste tempo.
O A. entrou no colégio um bebé de colo e sai de lá um menino crescido, bem disposto com a vida, educado, a saber muito mais do que saberia noutro lado qualquer.
A cada dia que o deixo lá de manhã, já me sinto nostálgica.
Ele vai ter saudades, mas eu também.
2 comentários:
eu vou estar a escrever um igualzinho daqui a um ano.
minto. já me sinto nostálgica há uns tempos e ainda temos mais um ano :p
:)
Deves escrever um livro de "contos...reais "!
Num tempo onde se fala tão negativamente da escola, este seria um ótimo exemplo de boas prácticas !!
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