segunda-feira, 12 de setembro de 2005

Mulheres ao volante I

Como é hábito (péssimo, detesto isso) nesta casa, nenhum dos planos para o dia de hoje se realizou. Ok, desta vez a culpa nem foi nossa.
Menos mal, traduziu-se num passeio TTzista pelos arredores, com meio pic-nic no Alqueva e final de tarde com lanche ajantarado em casa de amigos, em Reguengos.
De regresso a casa (pelas 22h30, +/-), vinha eu a conduzir calmamente o "Toy", quando, a viatura à nossa frente - aí à confortável margem de segurança de uns 200m desaparece numa curva.
"Já bateu", diz o Z.
A curva era ligeiramente acentuada, mas nada de especial, e não íamos a mais de 70km/h. Ainda assim, abrandei e realmente quando lá chegámos lá estava o carro parado na berma inversa, dentro de uma vala.
Encostei, 4 piscas, vai de sairmos do carro para averiguar a situação.
Nisto sai uma senhora a correr de dentro do carro (que ainda trabalhava), chega ao meio da estrada (não muito larga, diga-se, e em plena curva), e volta de rompante para dentro de novo, para desligar o dito.
Única ocupante, estava intacta. Procurámos o triângulo de sinalização dentro da mala, sem efeito. Acho que ela nem nunca o tinha visto...
O carro aparentava ter danos ligeiros, apenas a frente um pouco desfeita.
Nisto páram mais 3 carros. Ela diz: "Ainda trabalha, isto sai daqui num instante"
Pergunto para o Z.:"Nós tiramos o carro daqui sem grandes problemas..."
Z:"Não... não temos as cintas, ainda estão na garagem"
Já a senhora estava dentro do carro, marcha atrás a fundo, a tentar sair. À 2ª tentativa, e depois de ter batido no fundo da vala mais uma vez, saiu realmente.
Ainda lhe dissémos: "Olhe, vamos na mesma direcção, páre na próxima povoação para vermos com luz se há mais danos, e entretanto vá andando devagarinho e com atenção ao painel, não vá acender algum indicador de temperatura, óleo, ou outro. Nós vamos atrás de si, para o caso de precisar de alguma coisa"
Bem dito bem feito. Só que... o devagarinho dela eram os 100/110km/h, aos "esses" pela estrada fora.
"Vai com os copos, comentámos" "Ah, é dos nervos" Entretanto via-se umas coisas a pender debaixo do carro, e o tubo do escape meio torto e fora do sítio.
Parou em Évora, na bomba da Galp.
O "avental" estava desfeito, e a chapa de matrícula torta, que ela endireitou rapidamente.
Os pneus ok, o capôt ligeiramente empenado.
"Até teve sorte, não está muito mal"
"Claro que não!!! Isto é um Toyota!"
"Abra lá o capôt, para ver se tem alguma coisa partida"
"Ah... nunca o abri... Onde é? Sabe, foi uma distracção... estava a apanhar o telemóvel para ligar à minha filha"
EU abri-lhe o capôt, pois nem o botão interno nem a patilha ela conhecia...
Mas olhou lá para dentro como se percebesse de tudo. "AHHHH, está tudo no sítio!"
"Z., esta é a tua parte, vê lá se achas aqui algo de anormal"(confesso, sei ver a água, o óleo, distingo algumas peças tipo radiador e motor, mas pouco mais)
"Ai o senhor percebe disto?" (deve ter pensado que ele era mecânico)
Ele observou. E disse que a ventoinha do radiador estava partida, pelo que ela tinha de ir devagar e com atenção à temperatura, para não aquecer e gripar.
É que a senhora ia para Lisboa ainda.
"Não quer chamar antes a Assistência em Viagem? Vai mais descansada" perguntei inocentemente.
"Nãaaaaaaaao. Amanhã tenho de ir trabalhar. E o meu marido ia ficar preocupado. Ai que o meu carro está todo sujo! Não há aqui água para o lavar? Tenho mesmo de ir para casa! Nem lhes telefono, ficavam logo preocupados. Sabe, eu vim este bocado mais depressa para apertar com o carro a ver se surgia algum problema, mas está tudo bem, eu vou devagar até Lisboa, não passo dos 100"
"Olhe, então faça boa viagem, vá com cuidado"
"Obrigada, eu vou, tenho é de ir para casa MESMO"
Ao sairmos, lá estava ela de volta da água, a tentar lavar (não sei o quê... só tinha umas ervas presas na porta, que eu tirei entretanto)
Lá fomos a comentar e a rir que nem uns perdidos:
"Bem, com os copos não estava. O marido é que não devia saber que ela estava por aqui. Amanhã, não vai trabalhar com aquele carro... se for a 100, não chega lá sem gripar e amanhã não anda de todo. Ah ah ah, e o que vai dizer ao marido? A preocupação dela era mesmo sair daqui e chegar a Lisboa"

2 comentários:

Bufagato disse...

O telemóvel..

Pois...

É mais importante um telefone do que a vida? :(

Desculpas parvas...

bjinho

Sofes disse...

Há quem pense que sim...
E olha, teve sorte de ser a baixa velocidade e naquela curva. É que a ribanceira na margem oposta à que "aterrou" não é nada pequena...